Complicou tudo

Câmara distrital do DF aprovou plano de saúde vitalício para deputados, ex-deputados e familiares... uma vergonha.

Opinião do Analista / 10:30 - 22 de mai de 2020

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Ontem, o mercado local remou contra a maré e teve dia positivo, principalmente quando comparado com o exterior. A Bovespa fechou com alta de 2,10%, índice em 83.027 pontos, como vínhamos prevendo e dólar em queda forte de 1,88% e moeda fechando cotada a R$ 5,58 (na semana passada rondou R$ 6). O Dow Jones encerrou com queda de 0,41% e Nasdaq perdendo 0,97%.

Ainda ontem, advertimos sobre o quadro de tensão entre os EUA e a China se agravando e virando um problema internacional, reforçado pela decisão da China de impor nova lei de segurança nacional para Hong Kong. Hoje os mercados reagem exatamente a isso e também ao anúncio feito pelo primeiro-ministro da China, Li Keqiang, de que não haverá meta de crescimento do PIB em 2020 (em 2019 cresceram 6,1%, já a menor taxa em décadas).

Resultado disso, Bolsas da Ásia com quedas durante a madrugada, mercados da Europa trabalhando no campo negativo (mas já acima das mínimas) e futuros do mercado americano também no campo negativo. Aqui seria bom que conseguíssemos manter acima dos 83 mil pontos, mas a situação ficou difícil também pelo comportamento das commodities, especialmente pela interrupção do rali de alta do petróleo, com forte queda nesse início de manhã.

No Japão, o BOJ (o BC do país) e o governo trabalham para a volta do crescimento sustentável e anunciaram novo financiamento como estímulo ao empréstimo dos bancos às empresas, com taxa de juros zero e sem garantias. Para tanto, separaram US$ 279 bilhões. Lá, a inflação medida pelo CPI (consumidor) de abril na comparação anual ficou em +0,1% e a taxa mensal com deflação de 0,2%. Na China, sem meta para o PIB de 2020, o governo estima inflação ao redor de 3,5% e vai criar 9 milhões de empregos e taxa de desemprego em 6% (ano passado de 5,2%). Também sinalizou expansão da base monetária o que indica novos investimentos de volta.

Nos EUA, o balanço do Fed em abril já chegou a US$ 7 trilhões, com alta de 65,2% sobre março, e já bem maior que o patamar atingido na crise de 2008 que deixou o balanço pouco acima de US$ 5 trilhões. No Reino Unido, as vendas no varejo de abril encolheram inusitados 18,1%, a maior queda da história.

O presidente Donald Trump sinalizou que se houver segunda onda de contágio no país, não fechará a economia.

No mercado internacional, o petróleo WTIO negociado em Nova Iorque mostrava queda de 6,75%, com o barril cotado a US$ 31,63. O euro era transacionado em queda para US$ 1,09 e notes americanos de 10 anos com juros em queda para 0,65%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento de queda na Bolsa de Chicago. O minério de ferro também em queda na China de 0,62%, com a tonelada em US$ 97,65.

No segmento doméstico, o ministro Celso de Mello decide hoje até 17 horas sobre o sigilo do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, com Jair Bolsonaro pedindo para que a parte internacional seja suprimida.

Ontem, o presidente acertou com os governadores a divisão do ônus de vetar reajustes de salários dos servidores públicos, mas, na demora, a farra já foi feita. Ontem, por exemplo, no Distrito Federal, a Câmara aprovou plano de saúde vitalício para deputados, ex-deputados e familiares. Uma vergonha.

A agenda do dia está fraca tanto aqui como no exterior, o que indica que vamos ficar por conta do noticiário local e internacional. A Bovespa deve ter dia de reajuste (até por acumular alta na semana de 7,05%), dólar mais forte e juros ainda fracos.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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