Pequenos e médios hospitais podem sofrer com desabastecimento

Compra de itens básicos sobe mais de 200%.

Conjuntura / 20:37 - 4 de abr de 2020

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A venda de máscara e álcool em gel para hospitais no Brasil cresceu 240% e 216%, respectivamente, em março desse ano, em comparação com o mesmo período de 2019. A média de crescimento no primeiro trimestre foi de 123% (álcool em gel) e 102% (máscara). Os dados são de um estudo inédito da Bionexo - health tech brasileira líder em soluções digitais para gestão em saúde -, que também mediu a variação de preços dos dois itens mais utilizados na prevenção ao coronavírus. O levantamento mostra que, no início de 2019, o valor das máscaras girava em torno de R$ 2,83 e, agora, a média de preço está em R$ 12,12 (alta de 327,9%) - tendo registrado picos superiores a R$ 20. Já o litro de álcool em gel passou de R$ 32,30 para R$ 36,29 (+12,34%).

Cerca de 74% das máscaras foram adquiridas por hospitais de São Paulo (53,28%), Rio de Janeiro (10,2%) e Minas Gerais (10,9%). Enquanto cerca de 74% do volume de álcool em gel foi distribuído em unidades de saúde de São Paulo (26,11%), Minas Gerais (22,81%), Distrito Federal (11,46%), Goiás (8,88%) e Rio de Janeiro (7,64%).

De acordo com o CEO da Bionexo - proprietária de um marketplace que conecta mais de 2 mil hospitais a mais de 10 mil fornecedores no Brasil, Argentina, Colômbia e México -, Rafael Barbosa, há o monitoramento da “evolução da demanda e preços e observamos que o mercado internacional está sem prazos confiáveis de entregas de novas encomendas, o que impacta diretamente nos fabricantes e distribuidores brasileiros. Os tempos de estoque caíram de 120 - 90 dias para 60 - 45 dias. A ameaça de falta de itens importantes para o atendimento é real. Isso exigirá um cuidado adicional para que os hospitais comprem o que precisem, mas de maneira o mais coordenada possível para que não sobre para uns e falte para outros”. Pelo sistema da companhia são transacionados mais de R$ 12 bilhões, por ano, em negócios no mercado da saúde.

Para Carlos Oyama, diretor de suprimentos, com passagens pelo Hospital Albert Einstein e UnitedHealth Group, o risco é que algumas unidades de saúde tenham estoque em excesso enquanto outras - em geral as menores e fora dos grandes centros - sofram com a escassez:

"Diante deste quadro que consideremos crítico para a manutenção do equilíbrio da cadeia de suprimentos e logística, o setor produziu um manifesto buscando conscientizar a direção dos hospitais para reavaliarem a real necessidade de estoque desses materiais e a orientação de suas equipes para que façam o melhor uso desses itens, a fim de evitar desperdícios. Neste momento, material de prevenção não deveria faltar em nenhum lugar do país", alerta Oyama.

De acordo com o CEO da Bionexo, o governo federal pode apoiar o setor com medidas práticas para facilitar a entrada de produtos no país e a produção dos mesmos localmente. "O desafio é encontrar formas de reduzir o desequilíbrio entre oferta e demanda, o que se torna muito difícil em um momento de crise. A ciência computacional é uma das ferramentas que podem usadas para ajudar a encontrar caminhos", diz Rafael Barbosa.

Diante deste cenário, a Bionexo decidiu disponibilizar gratuitamente, por 90 dias, seu marketplace para que hospitais de pequeno e médio portes possam fazer suas compras online com os mais de 10 mil fornecedores de medicamentos e suprimentos hospitalares de cinco países conectados com a Bionexo. Afinal, encontrar fornecedor e negociar com eles têm sido um dos grandes desafios enfrentados por hospitais em tempos de combate ao coronavírus. Para os pequenos e médios hospitais espalhados pelo Brasil é ainda mais difícil driblar as constantes altas de preço e indisponibilidades de itens.

"Monitoramos diariamente as cotações e negociações de compra e venda de produtos para hospitais, desde alimentos a equipamentos sofisticados e temos visto que está cada dia mais complicado devido à alta de preços e dificuldade dos próprios fornecedores em terem acesso a alguns itens, como máscaras e álcool em gel. Se para os grandes hospitais é um momento delicado, imagina para os menores, que, em geral, não têm acesso a fornecedores nacionais e globais e dependem de um profissional para fazer as cotações manualmente. Nosso objetivo é apoiar a rede hospitalar para que não falte nada para o atendimento à população", afirmou Rafael Barbosa, CEO da Bionexo.

Para disponibilizar o sistema aos hospitais pequenos e médios de todo o Brasil, a companhia criou um canal digital (http://light.bionexo.com/) para que essas unidades possam se cadastrar e ter acesso ao marketplace da Bionexo imediatamente.

"Tecnologia e saúde compõem nosso DNA e é por isso que acreditamos que juntos podemos avançar ainda mais nesta jornada, provendo o setor com a inteligência, eficiência e transparência tão importantes em todos os momentos, mas em situações críticas ainda mais essenciais", conclui o executivo.

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