Compra na matriz

Quem ainda acredita na ilusão de que a privatização das empresas de telefonia e eletricidade traria aumento nas compras de equipamentos no Brasil e atrairia grandes fornecedores estrangeiros deve dar uma olhadinha nos números da produção industrial divulgados ontem pelo IBGE. O setor de material elétrico e de comunicações lidera a queda em várias regiões. Exemplos: na comparação julho de 99 com julho de 98, no Paraná, redução de 27,1%; na Região Sul, -20,5%. No acumulado janeiro/julho deste ano, em São Paulo, a produção do setor foi 13,1% menor que no mesmo período do ano passado. E ainda tem colunistas de grandes jornais que acreditam que a privatização das telecomunicações contribuiu para reduzir as importações…

Muito pelo contrário
Perguntado sobre como analisava o relatório do FMI que reconheceu que  ajustes fiscais pesam, principalmente, sobre os mais pobres, o secretário de Política Econômica, Edward Amadeo, mostrou que decisão não é seu forte. Primeiro, afirmou não concordar com essa avaliação e que o ajuste fiscal era pré-condição para crescimento. Indagado, então, se discordava do Fundo, saiu-se com essa: “Não concordo nem discordo do Fundo.” Ah, bom!
Pinóquio
Sem argumentos para defender o desmonte da Previdência, Amadeo tem repetido que funcionário público não contribuiu para a Previdência ou somente passou a fazê-lo recentemente. É mentira deslavada. Uma simples consulta ao Ministério da Administração  confirmará que todo funcionário sempre descontou sobre a íntegra do salário para a Previdência Pública durante 30 anos (mulher) ou 35 anos (homem). A não ser que o secretário se referi-se ao chefe FH, aposentado aos 37 anos de idade.
Pressa
Ainda a repercussão do desastrado discurso do secretário de Política Econômica, Edward Amadeo, na cerimônia de abertura do XIII Congresso Brasileiro de Economistas e do VII Congresso de Economistas da América Latina e Caribe. Um integrante da mesa, renomado economista, perguntava: “Não parece que o Amadeo saiu daqui fugindo?”

Esqueçam o que eu disse
De FH no programa Passando a Limpo, de Boris Casoy, na Record, dois fins de semana atrás: “Alguns reclamam do Congresso; eu não tenho nada que reclamar, tenho uma relação ótima; sempre aprovaram tudo o que o Governo pediu”.

S/A
Em 1984, o assessor de imprensa e “marqueteiro” Armando Brando foi convidado pelo então candidato à presidência do Fluminense Luiz Antonio Barbosa, na época vice-presidente da Credimus Corretora de Valores, para criar algo novo para ser apresentado na campanha. Armando elaborou com ajuda do economista Domingos Gouvea, pesquisador do Ibmec, projeto para transformar tricolor carioca no primeiro clube Sociedade Anônima do Brasil, com ações em bolsa de valores. Trabalho feito, entregue e até encaminhado ao então presidente do Brasil, general João Figueiredo, e ao Conselho Nacional de Desportos. No dia das eleições, tanto o candidato Luiz Barbosa quanto Armando Brando quase apanharam de um cidadão, líder da turma da sauna e da piscina.. Quinze anos depois, os clubes da Inglaterra são empresas que agora começam a faturar alto em bolsa. O pioneirismo poderia ter evitado o atual tropeço do Fluminense.

Virtual
A badalada inauguração, ontem, de um supermercado de informática no Rio – com direito até a computador com preço de promoção dos EUA – acabou frustando muitos consumidores que foram à loja. O equipamento barato se esgotou cedo e o que restou foram poucos produtos, a maioria com preços bem mais salgados que em outras lojas. A insatisfação fez com que quem saísse recomendasse a quem ia entrando para não perder tempo. Um frustrado comprador comentou, decepcionado com o pequeno tamanho do supermercado e com a pouca oferta: “Essa loja é virtual”

Preço a pagar
Desde a era Collor até o primeiro longo ano do segundo mandato de FH, o Brasil recebeu empréstimos de US$ 140 bilhões. Os dados são da economista Maria da Conceição Tavares, que faz questão de ressaltar que a esmagadora maioria desses empréstimos foram feitos ao setor privado. Somados aos US$ 40 bilhões liberados pelo FMI, têm-se US$ 180 bilhões num período de quase dez anos. “O preço disso foi a explosão da dívida pública, que saltou de R$ 60 bilhões para R$ 500 bilhões”, compara Conceição.

Defensiva
A maré mudou. Antes arrogantes e autosuficientes, os defensores da política tucana estão sendo obrigados a sair para o debate, tentando responder a propostas feitas por economistas do porte de Celso Furtado ou Luiz Gonzaga Beluzo. Acostumados ao pensamento único, faltam aos neoliberais argumentos, o que acaba levando a uma análise simplista ou a divulgação de dados de origens desconhecidas. Nesse ritmo, vão acabar conseguindo provar que a estatística é a arte de mentir usando números.

Colônia
O economista Wilson Cano, da Unicamp, também vê na autorização para a abertura de contas em dólares para as empresas do setores de petróleo, gás e energia elétrico a abertura da porta para o país embarcar na aventura da dolarização. Para Cano, a decisão revela dois objetivos. Primeiro, garantir aos investidores estrangeiros que, mesmo com um eventual repique inflacionário, não “perderão um tostão”; mas aponta outro motivo, para além desse generoso hedge: “Isso é o alargamento do processo de dolarização. Eles começaram pela energia e pelo petróleo, porque foi o que restou”, avalia.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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