Compromisso

Em contraste com o destaque que vem sendo dado ao vazamento de cerca de 7,5 mil barris de óleo na Baía da Guanabara, o derrame de mais de 5 mil barris (de acordo com as informações iniciais) no altiplano da Bolívia não mereceu mais que uma notinha nos “jornalões” brasileiros. Talvez porque a Petrobras não está envolvida; talvez porque a responsabilidade pelo vazamento seja de duas multinacionais privadas. Mas o acidente boliviano merece mais atenção.
A empresa responsável pelo oleoduto, a Transredes S/A, é dominada pela Shell e Enron, que têm 50% das ações. Os outros sócios são fundos de pensão bolivianos (34%) e empregados da Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos (16%). A Transredes é também a sócia da Petrobras na construção do gasoduto Brasil-Bolívia. Sócia, é bom que se diga, no papel e nos lucros; no investimento, coube à estatal brasileira a maior parcela, apesar do controle do empreendimento ter ficado a cargo da associação Shell-Enron.
A semelhança entre os dois acidentes termina no fato de ambos terem ocorrido em oleodutos. Os efeitos e as ações nas duas situações são bem distintas. As primeiras informações da Bolívia são de que, apesar da quantidade derramada ter sido um pouco inferior ao caso carioca, os estragos ao meio ambiente e à população local foram muito sérios e se perpetuarão por vários anos. As multinacionais devem indenizar a população de lá em US$ 150 mil
Por aqui, até sexta-feira, a Petrobras já havia pago R$ 1,708 milhão (quase US$ 1 milhão). A previsão da estatal é que a reparação do estrago custe R$ 110 milhões. Esses números bastam para demonstrar o compromisso com a população de uma e de outra.
Tese
Alguns órgãos da imprensa aproveitarem o desastre ecológico na Baía de Guanabara para dar vazão a defesa de interesses inconfessáveis. Ao escrever matéria revelando como pessoas que nunca usaram um anzol e um caniço estavam se apresentando como pescadores para receber a indenização paga pela Petrobras, uma repórter de um “jornalão” foi advertida por seu editor. Depois de perguntar se ela “estava louca”, mandou-a  reescrever o texto, com enfoque negativo para a Petrobras.

Taradões
O Sindicato dos Ferroviários do Rio realiza,  hoje, às 15h, na Central do Brasil, protesto, se não inédito, no mínimo pouco comum. Com a presença de um grupo de teatro de rua, faixas, cartazes e carro de som, os sindicalistas vão denunciar a escalada de assédio sexual às ferroviárias dentro das empresas. Segundo o presidente do sindicato, Valmir de Lemos, o Índio, apenas em uma semana, foram registrado oito casos.

Crédito virtual
Crédito pela Internet. É o que anuncia hoje a Easycred, que lança site onde será possível contratar empréstimos dos bancos conveniados. A página reúne informações sobre qualquer tipo de financiamento – pessoal, automóveis, educacional, leasing, habitacional etc. Microsoft e Banco Finasa participam do lançamento. A Easycred planeja conquistar 1% do segmento de crédito no País. Juros, porém, não deverão ser nada virtuais; devem permanecer nos patamares estratosféricos que o brasileiro já conhece.

Sol poente
A recuperação da economia japonesa continua restrita às manchetes virtuais de alguns jornais – inclusive brasileiros. Quando os números são divulgados, vê-se a realidade: queda do PIB no último trimestre de 99, como já antecipam autoridades do Japão.

Contra
A Associação Comercial de Ipanema e Adjacências (inclui Leblon , Lagoa, Gávea e Jardim Botânico) e a Câmara Comunitária de Ipanema resolveram apoiar a iniciativa da Ama-Leblon contra obras de urbanização no parque do Morro Dois Irmãos, iniciadas pela Prefeitura, que pretende construir quiosques, estradas, mirantes e estacionamento para 150 carros. “Estamos com os moradores do Leblon, em mais esta empreitada arrogante da Prefeitura. A Lei Orgânica do Município garante consulta prévia aos moradores em qualquer obra de impacto urbanístico em qualquer área da cidade, quanto mais em área ambiental e tombada. Não sabemos se este projeto atende realmente os interesses de nossa região e os requisitos legais para ser desenvolvido”, afirma Carlos Monjardim, diretor administrativo e de Marketing da Acipanema.

Sem intermediário
O Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação de São Paulo (Sindicon) conseguiu  liminar que autoriza o pagamento do valor do vale transporte diretamente no contracheque do empregado, sem incidência de tributação pela Previdência Social. Trata-se de uma medida inédita, segundo o sindicato, concedida pela juíza federal Rosana Ferri. São 350 mil trabalhadores no Estado de São Paulo e 1,5 milhão no País.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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