Comunidades cariocas sofrem descaso do governo

Kely Louzada da Ong Biblioteca Comunitária lança apelo para os cuidados com moradores das comunidades do Rio.

Rio de Janeiro / 23:59 - 23 de mar de 2020

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Kely Louzada, moradora do morro da Mangueira e fundadora de uma ONG/Biblioteca Comunitária que atende diariamente mais de 100 leitores, é uma das pessoas que está preocupada com as medidas preventivas para amenizar o contágio do vírus Covid-19.

Ela conta sobre a dificuldade sofrida nas inúmeras casas das diversas comunidades espalhadas pela cidade. E, que não adianta orientar que a população fique no conforto de suas casas, se moradores vizinhos, porém, sem estrutura, não tem apoio necessário para driblar as possibilidades de contágio do vírus.

“Onde eu moro tem casas em que a mesma parede divide duas casas e, ainda tem famílias que dividem o mesmo espaço com 7, 8, 13 pessoas. Sem falar na maioria dos becos apertados e sem ventilação. Nós também acompanhamos as notícias sobre a proibição de ir e vir, o controle nos transportes públicos, aeroportos, escolas fechadas, dicas de como usar álcool gel e pedidos para que fiquemos em casa, mas e aí? Como fazer isolamento em comunidades com becos apertados e sem ventilação?”, comenta.

Ela é uma das inúmeras pessoas que se pergunta como devem proceder sobre o coronavírus. E, acredita que a prevenção não deve ser apenas nas ruas, mas, que o Governo deveria ter algum plano de ação pra isso e, por essas razões ela vai para a internet militar a favor das comunidades, com seu apelo.

“Como pedir higiene da população se mal temos saneamento básico? Como iremos lavar as mãos, se na comunidade há falta de água. E muita gente está se vendo no drama da escolha entre comprar álcool gel, água potável e comida. Sem ter a opção de trabalhar em casa, ‘fazer home office’, já que a grande maioria vive de trabalhos informais, são domésticas, pedreiros, ambulantes que não podem maratonar na Netflix até o risco de contágio passar, porque tem contas pra pagar e não sabem como vão fazer pra sobreviverem? Existe um plano para que os moradores das comunidades também possam enfrentar o coronavírus ou a escolha é seletiva? Não esqueçam que, se esse vírus chegar às favelas e comunidades na nossa cidade, a contaminação será em massa, sem fazer distinção entre ricos e pobres, até porque as favelas são coladas com o “asfalto”. Pensemos no coletivo”, finaliza.

Para quem deseja conhecer um pouco mais: A ONG| Biblioteca Comunitária fica na Av Santo Antônio, 13 - CEP 20941- 530 – Informações: 21 969360072

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