A interação e as parcerias sino-brasileiras firmadas na última década ampliaram a corrente de comércio entre o Brasil e a China de US$ 2,5 bilhões, em 2000, para cerca de US$ 70 bilhões, no ano passado. “Em 11 anos, deu um salto brutal”, informa o diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), Kevin Tang. “O clima é muito favorável (para as relações comerciais) entre os dois países e, agora, a gente também vê os investimentos chineses aumentando no Brasil”, declarou. A entidade acaba de abrir um escritório em Salvador (BA), totalizando dez unidades no país, e considera a capital baiana a porta de entrada no Nordeste para novas possibilidades comerciais bilaterais.
As exportações brasileiras para a China são lideradas pelas commodities agrícolas e minerais, com destaque para soja, minério de ferro e petróleo “e, eventualmente, alimentos”. Kevin Tang assegurou que esses são setores estratégicos para a China, que tem interesse em investir também nessas áreas no Brasil.
CNI condena barreira argentina
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) demonstrou preocupação com a decisão da Argentina de exigir declaração formal das empresas estrangeiras que querem exportar ao país. Por meio de nota, a entidade afirmou que a medida é um “retrocesso para o comércio do Mercosul”. A CNI diz que a medida tomada para “controlar a balança comercial daquele país, trará prejuízos ao Brasil”. Outro efeito pode ser o aumento “da insegurança jurídica sobre as regras da política comercial argentina, pode reduzir as exportações brasileiras”.
Os empresários brasileiros esperam um entendimento comum entre o Brasil e a Argentina como forma de evitar os efeitos da crise econômica internacional. “Os conflitos comerciais, nocivos aos dois lados, devem ser evitados a todo custo”, diz o comunicado.
Recorde nas vendas do agronegócio
As exportações brasileiras do agronegócio registraram um novo recorde em 2011, somando US$ 94,59 bilhões, valor 24% superior ao alcançado em 2010 (US$ 76,4 bilhões). O bom desempenho fez de 2011 o melhor ano para a balança comercial do agronegócio desde 1997. A meta do Ministério da Agricultura para 2012 é ultrapassar US$ 100 bilhões, com estimativa de 5,7% de crescimento. Os produtos do complexo soja (grão, farelo e óleo) foram os que mais contribuíram para o crescimento nas vendas externas e os que registraram o maior valor de exportação. Complexo sucroalcooleiro e carnes também se destacaram nas exportações. Os principais destinos dos embarques de produtos nacionais foram os mercados da União Européia, China, Estados Unidos, Rússia e Japão.
Camex aprova novos ex-tarifários
Foram publicada, no Diário Oficial da União (DOU), a Resolução Camex 1 e a Resolução Camex 2 que alteram para 2%, até 31 de dezembro de 2012, as alíquotas do Imposto de Importação (II) incidentes sobre 99 itens de bens de capital e seis códigos referentes a bens de informática e telecomunicação, na condição de ex-tarifários. O mecanismo de ex-tarifário reduz temporariamente as alíquotas de itens sem produção nacional vinculados a investimentos produtivos no país. É importante ressaltar que as concessões, aprovadas na última reunião do Comitê Executivo de Gestão da Camex (Gecex), não contemplam todo o universo de produtos abrangidos pelos respectivos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Fora do regime de Ex-tarifário, as alíquotas para bens de capital são de 14% e para bens de informática e telecomunicação são de 16%.
Angra lidera exportações
Entre os municípios exportadores, Angra dos Reis-RJ alcançou o maior volume de vendas externas no ano (US$ 14,297 bilhões). Na sequência, os que mais exportaram foram: Parauapebas-PA (US$ 12,015 bilhões), São Paulo-SP (US$ 8,976 bilhões), Rio de Janeiro-RJ (US$ 6,564 bilhão) e São José dos Campos-SP (US$ 5,787 bilhões).
São Paulo é o maior exportador
O maior exportador entre os estados brasileiros em 2011, foi São Paulo (US$ 59,909 bilhões), acompanhado por Minas Gerais (US$ 41,392 bilhões) e Rio de Janeiro (US$ 29,445 bilhões). Em seguida, aparecem Rio Grande do Sul (US$ 19,427 bilhões) e Pará (US$ 18,336 bilhões). Na comparação com 2010, a maioria dos estados brasileiros aumentou as exportações, com exceção de Amazonas (-18,33%), Acre (-18,12%) e Rio Grande do Norte (-1,25%).
Carne suína brasileira nos EUA
O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, anunciou a abertura do mercado norte-americano para a carne suína brasileira. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda, na sigla em inglês) reconheceu a equivalência do serviço brasileiro de inspeção de carne suína e autorizou a habilitação de matadouros-frigoríficos de Santa Catarina para exportação de carne suína in natura para o país.
Indústria crescerá até 2% este ano
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) prevê que o setor deverá crescer de 1,5% a 2% em 2012, com elevação até 1% nos postos de trabalho. A entidade também projeta crescimento de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), caso não haja um agravamento da crise econômica mundial. “Vamos passar de um desempenho melancólico para um desempenho medíocre”, disse o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini. Mas ressalvou que os últimos incentivos tributários na linha branca, o aumento do salário mínimo, e a desvalorização do real ainda não estão computados nas previsões. A desvalorização do real “representa um aumento de competitividade do produto brasileiro e a contabilização deste efeito ainda não foi feito”, completou.
Antonio Pietrobelli
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