Conab e BNDES lançam ‘Amazônia Viva’ para viabilizar escoamento de produtos

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Floresta amazônica (foto CC)
Floresta amazônica (foto CC)

Nesta terça-feira, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançaram, em Brasília (DF), o projeto “Florestas e Comunidades: Amazônia Viva”, iniciativa financiada com recursos do Fundo Amazônia para impulsionar a produção, o armazenamento, o processamento, o escoamento e a comercialização de alimentos da sociobiodiversidade produzidos por agricultores familiares, ribeirinhos, pescadores artesanais, extrativistas, povos indígenas e comunidades tradicionais da região amazônica.

A solenidade também contou com o ato de assinatura do contrato para a realização do projeto, subscrito pelas instituições signatárias e pelos representantes dos órgãos federais presentes.

Serão R$ 96,6 milhões investidos ao longo de dois anos para ampliar o acesso dos produtos da sociobiodiversidade amazônica ao mercado consumidor, fortalecer o fornecimento de alimentos ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e permitir que o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) enriqueça seu cardápio regional com produtos como pirarucu, pescada-amarela, tambaqui, matrinxã, jaraqui, castanha-do-Pará, borracha extrativa, babaçu, mel, cacau, cupuaçu e outros. Os beneficiários serão os agricultores familiares dos nove estados que compõem a Amazônia Legal – Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão.

O investimento, inédito na história da Conab, é financiado pelo Fundo Amazônia, composto por doações de países como Noruega, Alemanha, Estados Unidos, Suíça, Japão, Reino Unido, Dinamarca e Irlanda, e representa um ciclo virtuoso de geração de renda, proteção ambiental, fortalecimento cultural e desenvolvimento sustentável a partir da economia da sociobiodiversidade.

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Durante o lançamento, o ministro do MDA, Paulo Teixeira, destacou o caráter estruturante da iniciativa para o futuro da região. “O Governo Federal tem dois compromissos: o ambiental, e já reduzimos o desmatamento a patamares que nunca tivemos, e o compromisso com a sociobiodiversidade, com a floresta e com as pessoas que vivem nela. A floresta em pé tem mais papel no desenvolvimento do que sua supressão. O açaí tem valor econômico dez vezes maior que a pecuária e cinco vezes maior que a soja. Por isso, os projetos anunciados hoje fortalecem a exploração sustentável e a geração de renda para as populações amazônicas.”

O ministro substituto e secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, ressaltou que a iniciativa representa um marco importante na evolução das políticas ambientais brasileiras. “Hoje damos um passo sem dimensão do que significa essa parceria. O Fundo Amazônia nasceu da ideia de que, se um país reduz desmatamento por esforço próprio, beneficia toda a comunidade internacional ao reduzir os gases de efeito estufa. Mas, para continuar recebendo recursos, é preciso continuar reduzindo o desmatamento. E quem mais contribui para essa redução são as comunidades e os povos da floresta. A Conab, ao assinar esta parceria, dá um passo gigantesco para tornar essa ação realidade. Este ato fecha um círculo virtuoso: combater o desmatamento, melhorar a vida das comunidades e fortalecer a sociobiodiversidade.”

O presidente da Conab, Edegar Pretto, reforçou o papel da Companhia neste novo ciclo de políticas públicas integradas para a Amazônia. Ele afirmou que a Conab está se preparando para uma nova fase, com o objetivo de se consolidar como uma empresa estatal que seja uma potência em alimentação e garantir o abastecimento nacional.

“Desde o início da nossa gestão, a agenda ambiental e social guiou as nossas decisões, com foco em cuidar das pessoas da floresta e superar barreiras históricas de inclusão. O Amazônia Viva reforça a presença da Conab na Amazônia Legal e consolida o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável do país”, afirmou.

O presidente lembrou ainda que hoje 19% do PAA está na região Norte, resultado de soluções construídas para permitir que agricultores que antes não conseguiam sequer abrir uma conta bancária pudessem acessar políticas públicas e comercializar seus produtos. Edegar Pretto acrescentou que a Conab participou da COP 30 garantindo alimentação para a Cúpula dos Povos, lançou unidades armazenadoras com energia solar e passa agora a atestar a origem dos produtos brasileiros, começando pelo café.

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