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Conab fala em produção de 295,6 milhões de T de grãos na safra 23/24

Já para Datagro, comercialização do grão atinge 33,2% da produção estimada

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Plantação de soja (Foto: divulgação)
Plantação de soja (foto divulgação)

A produção brasileira de grãos na safra 2023/24 deverá atingir 295,6 milhões de toneladas. O volume representa uma queda de 7,6% no resultado obtido no ciclo anterior, ou seja, 24,2 milhões de toneladas a menos a serem colhidas. As informações estão no 6º Levantamento divulgado, nesta terça-feira, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A queda é reflexo, principalmente, da redução em torno de 7,1% na produtividade média esperada, que sai de 4.072 quilos por hectare para 3.784 kg/ha.

Desde o início da presente safra até meados de dezembro, as condições climáticas foram variáveis e desfavoráveis nas principais regiões produtoras. Essas instabilidades climáticas provocaram perdas significativas na produtividade das culturas, sobretudo na da soja, principal produto cultivado no período. A área cultivada também deve ser diminuída, mas em um percentual menor em torno de 0,5%, projetada em 78,1 milhões de hectares.

Com uma colheita que atingiu, no início de março, 47,9% da área semeada, a soja pode registrar uma produção de 146,9 milhões de toneladas, redução de 5% sobre a safra anterior. De acordo com o documento, a queda verificada se deve às baixas precipitações e às temperaturas acima do normal nas principais regiões produtoras. No entanto, em locais em que o grão foi semeado mais tardiamente as precipitações têm favorecido o desenvolvimento das lavouras.

Com os trabalhos de colheita da soja avançando, o plantio do milho segunda safra ocorre dentro da janela nos principais estados produtores, como Mato Grosso e Paraná. Ainda assim, a área destinada para a cultura deve cair 8,3%, estimada em 15,76 milhões de hectares. As condições climáticas têm favorecido a implantação do cereal, com exceção de parte de Mato Grosso do Sul. A expectativa é que apenas na segunda safra sejam colhidas cerca de 87,35 milhões de toneladas do grão. A colheita da primeira safra, quando são esperadas 23,41 milhões de toneladas, já atinge 32,9% da área cultivada. A produção total do cereal está estimada em 112,75 milhões de toneladas.

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Para o arroz, a área plantada apresenta um crescimento de 4,7%, chegando a 1,55 mil hectares, o que leva a uma expectativa de produção de 10,55 milhões de toneladas. A semeadura nas principais áreas produtoras no país já foi concluída, apesar das adversidades climáticas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, as chuvas excessivas e enchentes ocorridas durante o plantio inviabilizaram a operação em alguns locais. No caso do feijão, a nova estimativa traz uma colheita total em torno de 3 milhões de toneladas. A primeira safra do produto teve uma oferta ajustada, o que influenciou nos preços praticados. Diante desse cenário, a segunda safra da leguminosa apresenta aumento na área cultivada, o que poderá refletir em uma maior produção.

Com o plantio praticamente finalizado, o algodão registra uma área plantada de 1,93 milhão de hectares, aumento de 16,3% quando comparada com a safra anterior. A elevação reflete o preço e as perspectivas de comercialização da fibra. O clima vem favorecendo as lavouras e a expectativa é que a produção da pluma atinja 3,56 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde na série histórica caso o resultado se confirme. Já para o trigo, principal produto cultivado entre as culturas de inverno, a estimativa atual indica a produção em 9,6 milhões de toneladas.

Com o novo ajuste na produção de soja, as exportações também serão reduzidas em 1,83 milhão de toneladas, saindo de uma estimativa de 94,16 milhões de toneladas para 92,33 milhões de toneladas. Diante desse cenário de quebra de safra atual, as projeções de importações também foram aumentadas de 200 mil toneladas para 800 mil toneladas. Para o milho e arroz, as projeções permaneceram praticamente estáveis.

Para o algodão, a expectativa é que as exportações cresçam 53%, chegando a 2,48 milhões de toneladas. Já com relação ao consumo brasileiro de pluma, a expectativa é que haja crescimento de 7,35% nesta safra, chegando a 730 mil toneladas em 2024.

Já levantamento realizado pela Datagro Grãos mostra que, até o dia 1º de março, a comercialização brasileira da safra 2023/24 de soja alcançou 33,2% da produção esperada, aquém dos 33,8% observados em igual período do ano passado, além de muito distante dos 62,6% do recorde da safra 2020/21 e da média dos últimos cinco anos, de 48,5%.

O avanço mensal foi de apenas 2,2 pontos percentuais, inferior aos 2,6 p.p. registrados no mês anterior e distante dos 7,2 p.p. em 2023 e da média normal, de 6,2 p.p. Flávio Roberto de França Junior, economista e líder de conteúdo da Datagro Grãos, diz que o avanço abaixo do normal é reflexo direto da nova queda generalizada nos preços em fevereiro.

“Somado ao forte recuo de janeiro, resulta em retração próxima dos 20% no ano. Embora os produtores até tenham necessidade maior de venda em março para cumprir compromissos financeiros, em função dos baixos preços, a tendência é que as vendas sigam limitadas ao estritamente necessário”, complementa.

Considerando a atual estimativa de produção em 147,31 milhões de toneladas, os produtores brasileiros negociaram, até a data analisada, 48,90 mi de t de soja. Em igual período do ano passado, esse volume de produção negociado estava maior em termos relativos e absolutos, chegando a 54,16 mi de t.

Pelos mesmos motivos, as negociações da safra 2024/25 também andaram pouco no período analisado. O levantamento aponta para 1,3% da expectativa de produção compromissada, salto mensal de 0,7 p.p., aquém dos 1,3 p.p. em semelhante época do ano passado e dos 2,0 p.p. da média plurianual. Dessa maneira, o fluxo está abaixo dos 3,4% compromissados em 2023 e muito distante dos 11,8% do recorde da safra 2020/21 e dos 6,7% da média plurianual.

Conforme exercício inicial realizado pela consultoria – a intenção de plantio sai em julho -, a projeção para safra 2023/4 é de 160,53 mi de t, o que representaria um crescimento de 9% ante a temporada atual.

As negociações da safra 2023/24 do milho de verão no Centro-Sul do Brasil também andaram timidamente no período analisado. O levantamento da Datagro Grãos aponta para 11,5% da expectativa de produção compromissada, salto mensal de 5,4 p.p., um pouco acima dos 4,0 p.p. em semelhante época do ano passado, mas inferior aos 5,8 p.p. da média plurianual. Dessa forma, a comercialização se encontra um pouco acima dos 9,5% compromissados em 2023, mas muito distante dos 32,5% do recorde da safra 2020/21 e dos 21,3% da média plurianual.

A comercialização da safra de inverno 2024 da região, estimada em 82,40 mi de t, chegou a 14,4%, contra 11,6% no levantamento anterior, 18,2% na mesma data do ano passado e média plurianual de 34,3%.

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