Conceição

Quem não foi ao debate sobre desenvolvimento com pleno emprego, no início da semana no Clube de Engenharia (RJ), perdeu a oportunidade de ver um show da professora Maria da Conceição Tavares. Apesar de não estar entre os palestrantes (Carlos Lessa, Saturnino Braga, Alosio Teixeira e J. Carlos de Assis), Conceição não perdeu a oportunidade de se manifestar e – como de costume – não deixou pedra sobre pedra. Aplaudidíssima, a professora mostrou a inviabilidade de crescimento nos moldes atuais da economia mundial – e não só no Brasil e nos países em desenvolvimento, mas também na Europa e Japão. Só os Estados Unidos – emissor da moeda mundial – teria condição de sustentar crescimento, como ocorreu na década de 90, absorvendo a poupança mundial.

China
Vedete dos últimos anos, a China também mereceu reparos de Maria da Conceição Tavares. Para a professora, o país asiático cresceu “apenas” nos últimos 20 anos. “O Brasil cresceu durante 40 anos a taxas elevadas, até o modelo se esgotar”. A China está aumentando seu passivo externo e vai enfrentar problemas adiante; a única possibilidade de continuar o sucesso seria conseguir transformar o yuan em moeda conversível, insistiu Conceição, no debate promovido pela chapa Engenharia e Soberania, que concorre ao Clube de Engenharia.

Quem diria
Maria da Conceição Tavares só poupou – pasmem – o economista Roberto Campos. Segundo a professora, até ele – símbolo de entreguismo para muitas gerações – rompeu com o FMI, no governo Castello, quando o regime militar queria criar estatais e investir em infra-estrutura.

Até ele
O economista João Paulo de Almeida Magalhães, integrante do Conselho Editorial do MM, lembra que Roberto Campos instituiu, no governo Castello Branco, uma espécie de controle de saída de capitais, segurando parte do dinheiro das multinacionais.

Dois pesos
Provocação do MST com a chamada “grande imprensa”: lei do governo Lula proíbe o plantio de transgênicos. No entanto, produtores rurais – sobretudo do Rio Grande do Sul – vêm estimulando o plantio de grãos geneticamente modificados e nem por isso se viu algum “jornalão” pedindo o enquadramento dos produtores por incitação ao crime.

Atraso
Com o novo Código Civil, que reduziu a multa por atraso na cota condominial de 20% para 2%, houve aumento de 20% na inadimplência, segundo a Principal Administração e Empreendimentos. Para melhorar esse índice, a empresa apostou no marketing de relacionamento e implantou um sistema de atendimento personalizado. Isso propiciou crescimento em volume de clientes e cobranças efetivadas. No ramo de cobranças, um dos principais clientes da Principal é a Caixa Econômica Federal.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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