Concessões de crédito atingem quase R$ 1 trilhão, diz Febraban

Serasa, entretanto, aponta que procura caiu 25,7% em abril, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Conjuntura / 14:32 - 1 de jun de 2020

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As concessões de crédito para o período de 1º de março a 22 de maio de 2020 já somam R$ 914,2 bilhões, incluindo contratações, renovações e suspensão de parcelas. Estes dados incluem os números oficiais já divulgados pelo Banco Central para os meses de março e abril, que atingiram R$ 692,1 bilhões, considerando o total das operações de crédito. Também incluem dados consolidados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para até o dia 22 de maio, neste caso, considerando apenas as operações no segmento livre de crédito, que já somam 222,1 bilhões.

Além disso, nesse período de 01 de março a 22 de maio, o setor já renegociou 9,7 milhões de contratos com operações em dia, que têm um saldo devedor total de R$ 550,1 bilhões. A soma das parcelas suspensas dessas operações repactuadas totaliza R$ 61,5 bilhões. Esses valores trazem alívio financeiro imediato para empresas e consumidores, que passaram a ter uma carência entre 60 a 180 dias para pagar suas prestações, sendo que a maioria dos agentes beneficiados com prorrogação de parcelas é representada por pequenas empresas e pessoas físicas (R$ 33,1 bilhões).

Os números apontam para um crescimento importante das operações de crédito neste período após a pandemia, em especial no segmento de pessoas jurídicas. No caso das famílias, nota-se uma esperada retração da demanda por novas contratações, em linha com a queda da atividade econômica decorrente da estratégia de distanciamento social. Lembre-se que os números já divulgados pelo IBGE registraram recuo de 1,5% do PIB do primeiro trimestre deste ano na comparação com o quarto trimestre de 2019 e as estimativas de mercado indicam que, no segundo trimestre de 2020, a queda pode ser superior a 10%, o que deve impactar fortemente na demanda por crédito.

Conforme antecipado pela Febraban, os dados oficiais do BC mostram que as taxas de juros e os spreads bancários declinaram desde o início da pandemia.

Mesmo com a expansão das concessões, do aumento do risco nas operações de crédito e da inadimplência, que já se refletiu na elevação significativa das provisões, as taxas de juros e os spreads bancários recuaram no período. A taxa de juros para o conjunto das operações de crédito recuou de 23,1% para 21,5% ao ano. E o spread médio das operações de crédito caiu de 18,6% para 17,2%.

Já dados da Serasa Experian apontaram que a busca do consumidor por crédito caiu 25,7% em abril, na comparação com o mesmo mês do ano passado. De acordo com o Indicador de Demanda do Consumidor por Crédito, foi a retração mais acentuada da série histórica iniciada em janeiro de 2008 e a terceira queda seguida em 2020. Em relação a março de 2020, o índice também mostra retração de 13,5%.

Relacionando abril deste ano com o mesmo mês de 2019, a população que possui renda de até R$ 500 registrou a menor demanda por crédito (-27,5%). Sobre aqueles que recebem mensalmente entre R$ 500 e R$ 1.000 observa-se a maior baixa em 12 anos, desde o início da série histórica do índice, com -26,4%.

As regiões Centro-oeste e Nordeste foram as que demonstraram a menor busca por crédito, com -32,2% e -32,9% respectivamente, comparação entre abril de 2020 com igual mês de 2019. Em seguida está o Norte (-24,2%), acompanhado do Sudeste (-22,9%) e do Sul (22,2%).

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