Concorrência dos Correios reduz valores de encomendas

Presente em todos os municípios, estatal atrai cobiça de lojas de e-commerce.

Empresas / 20:37 - 6 de ago de 2020

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É bastante difundida a ideia de que os Correios têm monopólio em seu setor, e, se houvesse concorrência, a prestação de serviços e os preços seriam melhores. A história é contada para justificar a privatização da empresa. Porém, os Correios concorrem, sim, com o setor privado. A empresa detém o monopólio dos serviços postais, mas não o das entregas de encomendas.

Segundo o diretor de Comunicação da Federação Nacional dos Trabalhadores da Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), Emerson Gomes Marinho, os serviços postais, ou de entrega de cartas, representam cerca de 40% da receita da empresa. Os outros 60% são obtidos concorrendo com outras empresas no setor de entregas e logística. Marinho afirma ao Portal Vermelho que a participação da estatal no mercado beneficia o consumidor: suas tarifas menores puxam os preços para baixo.

Segundo o economista Marco Rocha, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a experiência tem indicado que a presença de empresas públicas em setores mais concentrados da economia acaba funcionando como um marco regulatório.

As empresas de logística cobram mais caro. Inclusive, cobram do cliente e postam pelo Correio nas áreas mais remotas. Nós estamos no 5.570 municípios do país e nos seus distritos”, diz Marinho.

Simulação feita pelo Portal Vermelho comprova que os valores podem ficar mais de cinco vezes maiores em empresas de entrega. É o caso de uma encomenda de Brasília a Ribeirão Preto (SP), que custaria R$ 75,40 via Sedex e R$ 422 no UPS.

O economista Marco Rocha destaca que o investimento em logística – que tem custo elevado – já foi feito pelos Correios há muitos anos e está amortizado. Assim, não há repasse desse tipo de custo aos usuários dos serviços. É justamente devido a esse investimento, que garantiu capilaridade por todo o país, que a empresa pública é alvo de cobiça de gigantes do setor privado, como a Amazon.

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