Medido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice de Confiança da Construção (ICST) caiu 0,6 ponto em fevereiro, para 94,3 pontos (pts), menor nível desde março de 2022 (93,5 pts). Na média móvel trimestral, o índice recuou 0,6 ponto.
“A falta de mão de obra e aumento dos custos continuam pressionando as empresas nos primeiros meses do ano. A queda na confiança pelo segundo mês consecutivo traduz uma percepção mais negativa da situação corrente de negócios. A sondagem de fevereiro também apontou uma desaceleração da atividade relativamente ao último trimestre de 2024 Ibre cresceu o percentual de empresas que indicaram redução da atividade recente. Como as empresas também mostraram maior disposição de contratar mão de obra nos próximos três meses, essa desaceleração deve ser revertida. Os investimentos do mercado imobiliário e da infraestrutura previstos para o ano devem sustentar o crescimento da atividade ao longo do ano”, observou Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do Ibre.
A queda da confiança, neste mês, resultou da piora na percepção sobre o momento atual. O Índice de Situação Atual (ISA-CST) recuou 2,1 pontos, para 93,7 pontos, menor nível desde maio de 2022 (93,4 pts). O Índice de Expectativas (IE-CST) subiu 1,0 ponto, alcançando os 95,2 pontos.
Os dois indicadores que compõem o ISA-CST caíram: o indicador de situação atual dos negócios caiu 2,8 pontos, para 92,8 pontos, e indicador de carteira de contratos cedeu 1,5 ponto, atingindo os 94,5 pontos. Pelo lado das expectativas, os dois componentes subiram: o indicador de demanda prevista nos próximos três meses avançou 1,8 ponto, para 97,8 pontos, e o indicador de tendência dos negócios aumentou 0,2 ponto, chegando aos 92,5 pontos.
O indicador de Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da construção cresceu 1,4 ponto percentual (p.p.) e foi para 80,6%. O Nuci de mão de obra subiu 1,8 p.p., enquanto o Nuci de máquinas e equipamentos ficou estável neste.
Além disso, o Índice Nacional de Custo da Construção Ibre M (INCC-M) registrou alta de 0,51% em fevereiro, porém abaixo da variação de 0,71% observada no mês anterior. A tendência de aumento nos custos do setor de construção é reforçada pela taxa acumulada em 12 meses, que atingiu 7,18%. Esse resultado representa um avanço expressivo em comparação com fevereiro de 2024, quando o índice acumulava alta de 3,23% no mesmo período.
O grupo de materiais, equipamentos e serviços subiu 0,45% em fevereiro, ante 0,42% no mês anterior. A categoria de materiais e equipamentos registrou 0,43% em fevereiro, repetindo a taxa observada no mês anterior. Esse movimento reflete uma tendência de alta nos preços desses insumos, crucial para a execução de projetos de construção. Nesta apuração, o destaque no sentido ascendente foi o subgrupo materiais para instalação, que registrou inversão em sua taxa, a qual passou de -0,33% para 0,75%. Por outro lado, no sentido descendente o destaque ficou com o subgrupo materiais para estrutura, cuja taxa de variação recuou de 0,44% para 0,17%.
No âmbito do grupo de serviços, observou-se uma aceleração em sua taxa de variação, que passou de 0,41% em janeiro para 0,68% em fevereiro. Esse avanço foi reflexo do item projetos, que viu sua taxa crescer de 0,52% para 0,81%.
A variação do índice de mão de obra foi de 0,59% em fevereiro, marcando um recuo quando comparada ao índice de 1,13% observado em janeiro.
O INCC-M apresentou comportamento distinto em várias cidades brasileiras no mês de fevereiro. Cidades como Belo Horizonte, Recife e São Paulo experimentaram desaceleração em suas taxas de variação, refletindo um recuo nos custos de construção nessas localidades. Em contraste, Brasília, Rio de Janeiro e Porto Alegre observaram aceleração em suas taxas de variação, enquanto Salvador manteve-se estável.
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