Confiança da indústria tem terceira queda seguida

Dados são da FGV; para CNI, queda ocorreu em 22 de 30 setores industriais.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) caiu 1,2 ponto em outubro, para 105,2 pontos, terceiro mês consecutivo de queda após quatro meses de altas. Em médias móveis trimestrais, manteve a tendência negativa ao cair 1,1 ponto.
Embora a confiança da indústria ainda esteja em nível elevado e acima dos níveis pré-pandemia, o otimismo quanto à situação futura do segmento industrial para os próximos meses retornou para o nível próximo do considerado neutro, indicando a expectativa de manutenção do cenário atual. Essa avaliação ocorre em meio a pressões de custos, desemprego elevado, instabilidades econômicas e institucionais persistentes, tornando a conjuntura futura mais incerta e menos favorável a planos de expansão da produção”, comenta Claudia Perdigão, economista do Ibre.
O resultado do mês é influenciado por uma redução do otimismo considerando tanto a situação atual quanto as perspectivas para os próximos meses. O Índice Situação Atual (ISA) cedeu 0,9 ponto, para 108,3 pontos, menor valor desde setembro de 2020 (107,3 pontos). O Índice de Expectativas (IE) caiu 1,7 ponto para 101,9 pontos, menor patamar desde maio desse ano (99 pontos).
Entre os quesitos que compõem o ISA, houve melhora da situação atual dos negócios cujo indicador subiu 3,1 pontos, para 106,2 pontos recuperando 1/3 das perdas sofridas nos últimos três meses. O indicador que mede a demanda total continuou em queda pelo quarto mês consecutivo ao diminuir 1,0 ponto para 106,6 pontos, enquanto o nível de estoques apresentou queda de 4,8 pontos, para 111,2 pontos.
Dos indicadores que integram o IE, a tendência dos negócios para os próximos seis meses foi o que mais influenciou na queda do ICI no mês de outubro, ao cair 3,4 pontos para 99,3 pontos, menor nível desde setembro de 2020 (96,5 pontos). A produção prevista para os próximos três meses votou a registrar queda variando -1,3 ponto para 98,4 pontos. Nesse cenário, as intenções de contratações seguiram estáveis com o indicador de emprego previsto mantendo o valor registrado em setembro (108,1).
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) subiu 1,1 ponto percentual, para 81,3%, maior valor desde novembro de 2014.
Já segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) caiu em 22 dos 30 setores industriais consultados em outubro. Apesar disso, o indicador de todos os setores segue acima dos 50 pontos, em uma sinalização de que os empresários de todos os setores se mostram confiantes. O índice varia de zero a 100 pontos, com uma linha de corte em 50, o que divide a confiança da falta de confiança.
De acordo com a economista da CNI, Larissa Nocko, o que puxou a queda dos setores foi a piora na percepção sobre as condições atuais da economia e da empresa.
“As expectativas para os próximos seis meses continuam positivas, por isso o Icei de todos os setores se mantêm acima dos 50 pontos”, explica Larissa.
Os setores com as maiores quedas de confiança em outubro foram: outros equipamentos de transporte, o Icei do setor passou de 58,1 para 53,9 pontos entre setembro e outubro; celulose, papel e produtos de papel, que caiu de 58,4 para 55,5 pontos; e serviços especializados para construção teve queda de 56,8 para 54,2 pontos no mesmo período.
Os setores com os avanços mais significativos de confiança foram: couro e artefatos de couro, que subiu de 56,1 em setembro para 60,7 pontos em outubro; impressão e reprodução de gravações, que passou de 55,1 para 57,1 pontos entre um mês e outro; e móveis, que teve um acréscimo de 1,9 ponto na confiança. O índice saiu 54,7 pontos para 56,6 pontos.
Foram consultadas 2.413 empresas, entre elas, 961 de pequeno porte, 890 de médio porte e 562 de grande porte, entre 1º e 15 de outubro.

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