Confiança do brasileiro cai pelo segundo mês seguido e bate recorde

Com 70 pontos, este se torna o pior índice registrado desde o início da pandemia; março, com 76, era o mês mais pessimista até então.

A confiança do consumidor brasileiro na economia não para de cair. O Índice Nacional de Confiança (INC) de abril registrou 70 pontos, seis abaixo do que foi medido em março. É o pior indicador desde o início da pandemia.

A Região Nordeste segue, pelo segundo mês consecutivo, mais pessimista, com 63 pontos. O consumidor do Norte do país é o mais otimista, com 85 pontos. Nas outras três regiões o registro foi de 83, 70 e 65 pontos (Centro-Oeste, Sudeste e Sul respectivamente). Apenas 25% dos entrevistados dizem estar satisfeitos com a situação financeira, com o emprego e a vida que está levando hoje. A maioria (59%) afirma estar insatisfeita ou muito insatisfeita com todo este combo. Os brasileiros mais pobres são também os menos confiantes, com 52 pontos. As classes AB (71) e C (74) também se mostram preocupadas com a economia. “O comércio funciona em horários reduzidos ou não funciona, o valor do auxílio emergencial pago é mais baixo e a vacina não está acessível a toda população. Isso tudo reflete diretamente na economia nacional”, disse Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial.

Dado curioso que reflete bem a situação do Brasil é que 67% têm relação próxima com o desemprego. Ou seja, nos últimos seis meses o próprio entrevistado ou alguém que ele conheça perdeu o emprego. Além disso, 66% acreditam que observarão mais pessoas sendo demitidas daqui para a frente. A pandemia ainda revela uma falta de boas perspectivas futuras. Apenas 28% dos brasileiros ouvidos acham que daqui a um ano a economia nacional estará melhor. “As empresas estão faturando menos e muitas estão fechando. Claro que este cenário faz aumentar as demissões de trabalhadores” afirma.

Sobre o consumo, apenas 22% da população está confiante para fazer compras de médio porte como fogão e geladeira ou de porte grande como casa ou carro. “O brasileiro, no geral, está sem dinheiro”, comentou o economista.

A realidade do Estado de São Paulo também é preocupante. A confiança do paulista despencou de 71, em março, para 66 pontos em abril. Do total, 60% da população está insatisfeita com a vida que está levando hoje. Um ponto positivo é que aumentou a esperança de um futuro melhor. Em março, apenas 38% achavam que suas situações financeiras iriam melhorar nos próximos seis meses. Neste mês já são 43% que têm esta percepção. “A vacinação, apesar de ainda não ocorrer de forma maciça no Brasil, já traz alguma esperança”, explicou Solimeo. “Por isso, a população, embora consiga enxergar um futuro menos ruim, ainda está bastante preocupada com o presente”, complementou.

Comparando com seis meses atrás, 56% dos paulistas dizem não estar seguros para comprar um carro ou uma casa. É praticamente a mesma situação do mês anterior (55%). O mesmo se dá para consumos de bens de médio porte como uma geladeira ou um fogão. No total, 53% não estão confiantes para fazer este tipo de compra. São apenas 2% de entrevistados a menos do que o registrado em março (55%) para a mesma pergunta.

Além disso, nos últimos seis meses, 71% dos entrevistados ficaram desempregados ou conhecem alguém que tenha ficado. Essa é também a mesma realidade de março (72%).

Em São Paulo foram ouvidas 884 pessoas na capital, região metropolitana, interior e no litoral para esta pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) encomendada junto à Behup. No Brasil os dados foram coletados com 1.610 entrevistados em todas as classes sociais e nas cinco regiões do país.

O indicador mede a percepção e a segurança da população em relação à sua situação financeira e prevê o comportamento destas pessoas na hora da compra. A variação vai de 0 a 200.

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