Confiança do consumidor no Brasil é mais baixa que em outros com Covid

Dos 10 países mais complexos do mundo para negócios, seis são latino-americanos.

Internacional / 16:53 - 25 de jun de 2020

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Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que o Brasil atingiu o patamar mais baixo entre os países analisados, tanto no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) quanto no Índice de Confiança da Indústria (ICI). Na confiança do consumidor, a queda foi mais intensa do que em países gravemente afetados pela pandemia de Covid-19, como Itália, Espanha e China.

De acordo com os dados, em abril, o ICC e o ICI da Fundação Getulio Vargas no Brasil, registraram perdas recordes de 39,3 pontos e 22,0 pontos, respectivamente, atingindo valores mínimos históricos. Já os resultados de maio e a prévia de junho sinalizam o movimento na tendência de recuperação pela redução do pessimismo. O estudo mostra também que no âmbito do consumidor, a queda da confiança no Brasil foi bem mais intensa, tanto na comparação com os desenvolvidos quanto com os emergentes e com uma recuperação lenta até o momento.

Os resultados da indústria brasileira mostram que o país é o que apresenta maior dificuldade na recuperação até maio, recuperando apenas 8% das perdas ocorridas desde o início da pandemia. A Espanha recuperou apenas 4%, enquanto Portugal e Coreia do Sul ainda registram valores mínimos em maio, porém nenhum deles teve queda tão expressiva quanto o Brasil. Por outro lado, a China que perdeu mais de 40 pontos de confiança nesse período, hoje já se encontra em patamar superior ao período pré-crise. O cenário no curto prazo ainda é difícil para o país, considerando a elevada e resiliente incerteza, que também é recorde entre os países, e também considerando que a situação anterior à pandemia era de uma recuperação lenta e gradual.

Outra pesquisa, do TMF Group, especialista em contabilidade, folha de pagamento e internacionalização de empresas, o Brasil é o segundo país mais complexo do mundo para se fazer negócios, ficando atrás apenas da Indonésia. O estudo, feito em 77 países, analisa fatores como pagamento de impostos e contabilidade, dificuldade para contratar, demitir e gerenciar folha de pagamento e questões relacionadas a regulações e penalidades.

O Índice Global de Complexidade Corporativa revela que, apesar dos progressos realizados nos últimos anos em que foram implementados impostos digitais e mais simplificados (como o eSocial, por exemplo), o Brasil ainda é um ambiente de negócios muito complexo, com dezenas de regimes fiscais diferentes, distribuídos em três instâncias governamentais: federal, estadual e municipal.

No entanto, o executivo acredita que, apesar das complexidades brasileiras, haverá uma onda de aquisições de empresas brasileiras a partir do segundo semestre deste ano.

Segundo o relatório, os entrevistados acreditam que os procedimentos de RH no Brasil, como a contratação, demissão e gerenciamento da folha de pagamento - um dos principais desafios do país - se tornarão menos complexos nos próximos cinco anos. Quando se trata de regras, regulamentos e penalidades, outro importante obstáculo para as empresas que operam no Brasil, os entrevistados são menos otimistas. Eles acreditam que essa realidade não mudará nos próximos cinco anos.

No ranking dos países mais complexos do mundo, o Brasil é sucedido, respectivamente, pela Argentina, a Bolívia e a Grécia. Segunda maior economia do mundo, a China aparece mal colocada no ranking da TMF Group. O gigante asiático é o sexto país mais complexo do mundo para se fazer negócios. Mas a América Latina aparece como a região mais complexa do mundo. Dos 10 países mais complexos do mundo, seis são latino-americanos.

Os EUA, em guerra comercial e diplomática com a China, aparecem melhor do que seu rival econômico no quesito complexidade. A economia norte-americana é, de acordo com o estudo, a segunda menos complexa do mundo, perdendo apenas para Curaçau. Outros países que integram a lista dos menos complexos estão a Dinamarca, a Holanda, a Irlanda, a Jamaica, as Ilhas Virgens Britânicas e as Ilhas Cayman.

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