Confiança do consumidor sobe, mas recupera só 13,2% do acumulado

Entre as classes de renda, houve recuperação para todas exceto para famílias com menor poder aquisitivo, até R$ 2,1 mil.

Conjuntura / 12:30 - 25 de mai de 2020

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O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas subiu 3,9 pontos em maio, para 62,1 pontos. O resultado pode ser interpretado como uma acomodação ao recuperar apenas 13,2% da queda de 29,6 pontos acumulada nos dois meses anteriores.

"A alta da confiança em maio foi influenciada pela revisão das expectativas, com ligeira redução do pessimismo em relação aos meses seguintes. No momento presente, grande parte dos consumidores sentem os impactos da pandemia e avaliam piora na situação econômica geral e financeira das famílias. Com o orçamento doméstico comprometido pela necessidade de isolamento social levando a casos de redução de renda por demissão, suspensão de trabalho ou redução proporcional de salários e jornada de trabalho por pelo menos um membro familiar, as famílias de baixa renda são atualmente as que mais sentem dificuldades. A preocupação com o emprego e a incerteza elevada manterão os consumidores cautelosos nos próximos meses", afirma Viviane Seda Bittencourt, Coordenadora das Sondagens do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV.

Em maio, as avaliações sobre o presente continuaram se deteriorando enquanto as expectativas em relação aos próximos meses recuperaram parte das perdas sofridas em abril. O Índice de Situação Atual (ISA) recuou 0,6 ponto, para 65,0 pontos, o menor nível desde dezembro de 2016 (64,8 pontos), final da crise econômica de 2014 a 2016. O Índice de Expectativas (IE) subiu 6,7 pontos para 61,7 pontos, após ter atingido a mínima histórica no mês anterior (55,0 pontos).

Houve piora da percepção sobre a situação econômica no momento e manutenção da insatisfação em relação a situação financeira das famílias. O indicador que mede a satisfação com a situação econômica cedeu 0,9 ponto para 71,9 pontos e o que mede as finanças familiares se manteve relativamente estável ao variar -0,3 ponto para 58,8 pontos. Ambos, retornam ao menor nível desde dezembro de 2016.

Com relação aos próximos meses, o quesito que mede as expectativas sobre as finanças familiares foi o que mais contribuiu para melhora da confiança esse mês ao subir 8,8 pontos após quatro meses seguidos de queda e ter registrado o menor valor da série histórica no mês anterior (62,8 pontos). Apesar disso, a alta pontual apenas recupera 22,9% da perda acumulada desde o início do ano.

Houve revisão das expectativas em relação a situação econômica e intenção de compras nos próximos meses com aumento de 4,4 pontos no indicador que mede o otimismo em relação a situação econômica no futuro para 71,6 pontos e 6,3 pontos no indicador que mede a intenção de compras de bens duráveis nos próximos meses para 27,4 pontos, mas ambos permanecem em níveis muito próximo ao mínimo histórico atingido no anterior.

Entre as classes de renda, houve recuperação para todas exceto para famílias com menor poder aquisitivo (até R$ 2,1 mil), cujo ICC caiu 3,7 pontos. O resultado é influenciado pela continuidade na deterioração das expectativas em maio. Para as famílias de maior poder aquisitivo (acima de R$ 9,6 mil), a melhora da confiança ocorre não apenas por uma recuperação das expectativas mas também uma percepção de melhora da situação atual.

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