Confissão coletiva?

Navegando na crista da briga entre os governos estadual e federal por causa das condições de estradas rodoviárias no Estado do Rio de Janeiro, o prefeito de Araruama, Chiquinho ex-Atacadão e atual Chiquinho da Educação, disse que “todo político é corrupto”. A revelação ocorreu ao criticar os gastos do governo estadual num trecho da RJ 106, que liga o Centro ao bairro Vila Capri da cidade localizada na Região dos Lagos. O prefeito tinha na platéia a diretoria da Universidade Cândido Mendes, que está construindo uma unidade em Araruama.

Obra lenta
O setor de construção civil fechou 3.515 postos de trabalho em novembro, reflexo da redução da atividade econômica no país, mais notada a partir do terceiro trimestre. Nos 11 meses de 2005, porém, foram criados 115.391. Segundo o Sinduscon-Rio, com base em pesquisa feita nos dados do Ministério do Trabalho, no estado, pelo terceiro mês consecutivo, a construção civil apresentou saldo negativo, com perda de 269 postos de trabalho. O saldo acumulado no ano é de 3.201 empregos – 3.138 na capital e apenas 63 no interior.
Antônio Carlos Mendes Gomes, diretor-executivo do sindicato, lembra que cerca de 94% dos postos perdidos no interior estão concentrados em seis municípios: Friburgo, Petrópolis, Nova Iguaçu, Niterói, Caxias e Cabo Frio. Os dez municípios em que a construção avançou foram Itaboraí, São Pedro da Aldeia, Macaé, Volta Redonda, Três Rios, Campos, Queimados, Angra dos Reis, Itaguaí e Belford Roxo.

Mercado futuro
Só os incautos ainda dão ouvidos à promessa-profecia do presidente Lula de que, depois de patinar numa faixa de 2,5% este ano, enquanto o restante do mundo cresce três vezes mais, o país vai ter “um crescimento vigoroso em 2006”. Na verdade, Lula apenas repete a retórica dos babalorixás que o antecederam no poder e sua tática de, após amargar mais um desmentido no mercado à vista de suas profecias, dobrar as apostas no mercado futuro, até o dia de conferir as previsões, quando, então, renovam a pantomina.

Marolas à vista
Aliás, ao prever crescimento de 5% para 2006, como anunciou na reunião ministerial da semana passada, o presidente Lula demonstra que, até como bravateiro, pensa pequeno. Poderia imitar a ousadia do então ministro do Planejamento, Antônio Kandir, que, em tom solene, assegurou que, com a simples aprovação do direito de reeleição para FH, o país cresceria 9% ao ano! Como a história registrou, durante o segundo mandato tucano, o Brasil cresceu medíocres 2,09% por ano, em média. Mas na época da profecia, Kandir ganhou até manchete de jornais mais acríticos. É o chamado ganho presente.

É a economia, idiota!
A exemplo da administração de FH, o governo Lula comprou a tese de que o desgaste sofrido na opinião pública se deve a falhas na política de comunicação governamental. Sustentar tal crença é descrer que defesa da desastrosa política econômica é encargo mais para milagreiros do que marqueteiros.

Marquetagem positiva
Embora desemprego elevado, saúde, educação e estradas caindo aos pedaços falem mais alto do que campanhas milionárias, a marquetagem, quando conectada à realidade, tem forte valor simbólico. Como, por exemplo, quando a governadora do Rio, Rosinha Garotinho, manda tapar os buracos da BR-101 e é impedida pela Polícia Rodoviária do presidente Lula. Ou quando o próprio Lula, em plena crise provocada pela descoberta da febre aftosa, ofereceu um churrasco de carne nacional ao presidente Bush.

Realimentação
O projeto Técnicas Eficientes para o Cálculo de Equalizações Mimo-MSE com a Realimentação de Decisão, do professor Ricardo Merched, da Escola Politécnica da UFRJ, ganhou menção honrosa na primeira edição do Prêmio Werner Von Siemens de Inovação Tecnológica na categoria de pesquisador. Os critérios de avaliação incluíram grau de inovação proposta, aplicabilidade econômica ou social, benefícios e contribuição para o desenvolvimento tecnológico do país.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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