Conflito da Palestina

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Recrudesceu o conflito da Palestina. Este histórico conflito, que já dura mais de dois milênios, com intervalos nunca definitivos, já recrudesceu umas mil vezes, sem nunca alcançar uma solução de paz definitiva.
Lembrando a história distante chegamos a Abraão, pai do povo judeu, que ali, no monte Moab, preparou uma cova na rocha para sacrificar seu filho Isaac, sacrifício ordenado por Deus para provar sua fé e suspenso pelo mesmo Deus, satisfeito com sua disposição em cumpri-lo. Ali, no mesmo local, cerca de 1.000 anos depois, o rei Salomão, filho do rei David, construiu o templo para a adoração de seu povo.
Este templo de Salomão foi destruído pelos caldeus do rei Nabucodonozor que expulsaram os judeus da Palestina. Muitos anos depois, quando ocupada pelas tropas persas de Ciro, os judeus foram autorizados a voltar à Palestina e a reconstruírem o seu templo (por volta do ano 500 AC).
Durante o milênio anterior ao nascimento de Cristo na Palestina, esta região foi palco de várias invasões, por assírios, caldeus, persas, macedônios, romanos. Cada um forçando a imposição de suas crenças religiosas aos seus habitantes. Por uma fatalidade histórica, Jerusalém, capital da antiga Palestino, berço do cristianismo, terminou transformando-se na cidade sagrada das três grandes religiões que, até os nossos dias, disputam a sua posse. Jerusalém, ontem como hoje, é disputada como lugar sagrado do judaísmo, do cristianismo e do islamismo, e, isto se constitui na origem dos conflitos milenares que se travam de região.
A criação do Estado de Israel pela ONU, em 1948, atendendo à reivindicação de “um lar para o povo judeu”, provocou uma reação irada dos povos islâmicos do Oriente Médio e tem sido a causa das guerras (1948, 1967, 1973) e conflitos sangrentos que se repetem ali nestes últimos 53 anos.
Depois de um período recente de choques entre palestinos e israelenses pela disputa de territórios contestados, o conflito agora está tomando a feição maior, de uma guerra, com a reação direta das Forças Armadas de Israel contra os atentados praticados na Faixa de Gaza pela “intifada” e na fronteira com o Líbano pelo grupo radical Hisbolah. Há uma ameaça da Síria que já ocupa o Líbano com um Exército de 35000 homens e reclama a devolução da província de Golan ocupada por Israel, também vir a se envolver diretamente no conflito. Se isto acontecer, estaremos diante de mais uma perigosa guerra regional, cujo alastramento a outros países árabes é previsível.
O governo norte americano e a ONU vem desenvolvendo os maiores esforços para conter a extensão destes choques armados e levar os seus contendores a, novamente, sentarem na mesa das negociações. A paz no Oriente Médio constitui já um apelo humanitário que inspira a maioria da humanidade.

Carlos de Meira Mattos
General reformado do Exército e conselheiro da Escola Superior de Guerra (ESG).

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