Consertar este planeta

Por Paulo Márcio de Mello

O príncipe William, duque de Cambridge, segundo no banco de reservas para o acesso ao trono do Reino Unido, declarou, em entrevista concedida a Adam Fleming no programa Newscast da BBC, que empreendedores bilionários deveriam se concentrar em achar soluções para salvar o planeta Terra e não em se dedicar ao turismo espacial.

Na sua opinião, mentes e cérebros privilegiados deveriam estar “tentando consertar este planeta, não tentando encontrar o próximo lugar para se viver”. Acrescento, mesmo porque, estimando-se uma população de 7,7 bilhões de habitantes na Terra, levá-los para outros planetas demandaria cerca 2,6 bilhões de espaçonaves para fazer o carreto. Levando-se em conta que o próprio ator William Shatner, o famoso Capitão Kirk, com toda a preferência que a série Jornada nas Estrelas tenha proporcionado, precisou esperar 90 anos para dispor de dez minutinhos em um voo suborbital, na cápsula Blue Origin, uma frota de tal porte seria improvável de ser reunida. Apesar de tudo, mais fácil consertar por aqui do que concertar por lá.

Por “empreendedores bilionários”, o duque de Cambridge, na certa, procurou alvejar Jeff Bezos, dono da Amazon, padrão mais atualizado de corporação capaz de criar bilionários instantâneos, mas que não cria ideais, dono também da empresa Blue Origin.

Poderia também estar pensando em Elon Musk, da SpaceX, ou ainda em Richard Branson, da Virgin Galactic, ocupados com a criação de empresas espaciais. Fazendo um jogo de palavras, o príncipe pronunciou-se às vésperas da cerimônia de lançamento do Earthshot Prize, criado para homenagear e refletir sobre os que verdadeiramente pugnam pela redenção do Planeta. O título, de certa forma, traz à lembrança a expressão “Moonshot”, designação utilizada na década de 1960, nos EUA, na corrida espacial contra a então união Soviética.

Por fim, o príncipe William mencionou dois aspectos importantes. Um deles foi o que ele conceituou como “ansiedade climática”, entre os jovens, pelas incertezas decorrentes da constante ameaça representada pelo futuro. O outro aspecto é “custo do carbono” nos voos espaciais. Algum outro aspecto para consertar este planeta?

Consertar este planeta?

Nikola Tesla (Croácia; 10 de julho de 1856 – Nova York; 7 de janeiro de 1943) físico, inventor, engenheiro de eletricidade, foi o defensor mais ferrenho do emprego da corrente alternada nos modernos sistemas de abastecimento de energia elétrica, motivo de ter sido sócio e mais tarde rival de Thomas A. Edson (tão excêntrico quanto este, que, em oposição, defendia o emprego da corrente contínua). Desde então, tesla tornou-se uma marca associada à tecnologia.

Dono da Tesla Motors, entre uma penca de outras empresas, fundada em 1º de julho de 2003, em Palo Alto (CA), Elon Musk deu este nome à empresa em homenagem a Nikolas Tesla, o engenheiro. Tesla Inc, é empresa de armazenamento de energia e automotiva, de veículos elétricos de alto rendimento (em 19/10/2021, TSLA34 BRL BVMF fechou em US$ 151,40). Aparece frequentemente na mídia norte-americana, que aproveita para repetir o valor estimado do seu QI (155, seja lá de onde tiver surgido esta informação que já é uma lenda), só superado pelo seu patrimônio (US$ 214,8 bi). É formado pela Universidade da Pensilvânia em Economia e em Física. Conta com mais de 70 mil colaboradores, ou mais precisamente, 69.999, depois que Owen Diaz saiu do grupo.

A Justiça da Califórnia condenou a Tesla a pagar US$ 137 mi ao ex-empregado Owen Diaz pela prática de racismo. Segundo Larry Orgam, advogado de Diaz, o valor estipulado da indenização tem razões pedagógicas, para todo o mundo corporativo, no sentido de evitar a participação em condutas racistas.

O caso de racismo na Tesla

Owen Diaz foi contratado através de uma agência de empregos. Trabalhou na Tesla de junho de 2015 até julho de 2016, na unidade fabril de Fremont (CA), onde foi alvo de insultos racistas e ambiente de trabalho hostil, segundo a Justiça da Califórnia. Durante o julgamento, Díaz relatou que os negros da fábrica eram constantemente ofendidos e recebiam apelidos depreciativos. A “imagem progressista da Tesla era uma fachada para ocultar o tratamento degradante com seus funcionários afro-americanos”, diz no processo.

Diaz pediu providências à administração, mas a Tesla não agiu. As ofensas continuaram. O caso foi a um júri do Tribunal Federal de São Francisco (CA), que condenou a Tesla a pagar a Diaz uma indenização de US$ 130 mi, por “danos punitivos”, e US$ 6,9 milhões por “sofrimento emocional”, confirmou o advogado Organ.

Em sua defesa, a Tesla acionou o seu blog, com um texto escrito pela vice-presidente de RH, Valerie Workman. Ela admitiu que o ambiente “não era perfeito” naquela fábrica, onde outros funcionários também disseram “ouvir, regularmente, insultos racistas”. Segundo ela, funcionários alegaram que, “na maior parte das vezes, achavam que essa linguagem era usada de forma ‘amigável’ e frequentemente por colegas de trabalho afro-americanos”. A executiva assinalou que a Tesla demitiu dois funcionários contratados e suspendeu um terceiro. Para o advogado Organ, a empresa “não assumiu nenhuma responsabilidade”, porém.

Valerie acrescentou que a Tesla fez alterações, adicionando uma equipe de diversidade e outra dedicada a investigar as queixas de funcionários.

Noticiado pelo The Washington Post (5/10/2021).

Dia Nacional de Reverenciar os Mortos

Assim como são reverenciadas as vítimas do bombardeio nuclear de Hiroshima, em 6 de agosto, para que sejam lembradas para sempre, é hora de um projeto de lei, reservando 2 minutos do dia 12 de março (registro do primeiro óbito no Brasil), a partir de 2022.

Prometo devolver

Assim como ocorre em outras regiões com grande produção de olerícolas, há no Vale do Itajaí (SC), na SC 470, um trailer onde as pessoas retiram o que necessitam e deixam um pagamento informal, sem os olhos de um leão de chácara vigiando.

Nestes dias, chamou a atenção o bilhete deixado por uma mãe. “Olá, eu vim através desse bilhete informar que peguei algumas coisas para o café com meus filhos, mas não vou roubar. Quando eu tiver, prometo devolver. Obrigada. A.C.P”

Alguém duvida?

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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