Construção acende alerta para bolha de crédito

Brasil flerta com crise ao importar ferramentas que deram no estouro do subprime nos EUA.

O FMI colocou em números o que todo mundo aprendeu na crise do subprime, em 2008: o rápido crescimento de crédito na construção nunca termina bem. Na Espanha, o crédito do setor privado como parcela do PIB quase dobrou entre 2000 e 2007. Esse aumento foi acompanhado por uma alta nos preços da habitação, que dobraram em termos reais no mesmo período. A economia como um todo também cresceu em um ritmo recorde. Mas, em 2008, a bolha de crédito da Espanha estourou, seguindo a crise norte-americana, e, com ela, surgiram inadimplências, falências bancárias e uma desaceleração econômica prolongada.

Concluímos que os sinais da atividade de construção podem ajudar a distinguir os ‘booms’ perigosos, que precisam ser controlados, dos episódios de crescimento de crédito dinâmico, mas saudável”, diz o FMI. Um aumento de 1 ponto percentual no crescimento da produção e do emprego no setor de construção durante um boom aumenta a probabilidade de a expansão ser ruim em 2 e 5 pontos percentuais, respectivamente.

A construção é o único setor que se comporta de maneira consistente de maneira diferente entre booms de crédito bons e ruins. Em média, a produção e o emprego no setor da construção crescem entre 2 e 3 pontos percentuais mais em expansões ruins do que em boas. Em todos os outros setores, a diferença não é significativa.

O que isso ensina para o Brasil? A queda de juros básicos (Selic) foi acompanhada pelas taxas de financiamento imobiliário (nas demais modalidades de crédito, a redução foi risível). Assim, a construção de imóveis é uma das poucas esperanças de melhora na dinâmica da economia. A redução dos juros também afeta a remuneração dos rentistas, acostumados ao ganho fácil na renda fixa. Isso contribui para maior procura por imóveis para investir.

Duas novidades no mercado brasileiro merecem ser olhadas com lupa. A primeira é o financiamento imobiliário com taxa indexada à inflação. Isso já resultou em encrenca no passado e é um risco grande de inadimplência em caso de alta da inflação. O segundo, a intenção do governo de liberar uso de imóveis como garantia de empréstimos. A crise do subprime nos EUA começou aí.

Não há sinais de um boom no crédito imobiliário no Brasil. Mas a experiência mundial, como comprovou o FMI, exige cautela.

 

Culpados e inocentados

Harald Joachim von der Goltz é o primeiro contribuinte dos EUA a se declarar culpado de acusações de sonegação de impostos e lavagem de dinheiro decorrentes dos Panama Papers, denúncia do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) em 2016.

Von der Goltz, uma das quatro pessoas acusadas nos EUA, era cliente de longo tempo da empresa panamenha Mossack Fonseca, pivô do escândalo. Os promotores norte-americanos acusam Harald Goltz de fazer parte de um esquema de décadas para fraudar os EUA.

No Brasil, todos os nomes que apareceram na denúncia vão bem, obrigado.

 

Adeus

Será nesta sexta, às 11h, a Missa de Sétimo Dia do repórter fotográfico Ivanoé Gomes Pereira. Nascido em 3 de maio de 1946, era um profissional querido no Rio de Janeiro, especialmente na Associação Comercial (ACRJ), famoso por sua bagagem cultural e companheirismo. Ivanoé faleceu dia 9. A missa será na Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso (Centro do Rio, próxima à Rua Santa Luzia).

 

No alvo

A coluna é sempre crítica com os prestidigitadores do mercado. Então, vale reconhecer quem acerta. Como publicado aqui ontem, as projeções do FGV Ibre para vendas do varejo no ano passado, comparado com 2018, bateram com os resultados oficiais do IBGE: alta de 1,8% (varejo restrito) e 3,9% (ampliado).

 

O mundo gira

Ano passado, um desses jovens palpiteiros da rádio Velho Tantã “desqualificou” (erroneamente) Greenwald de ser correspondente da CNN. Ganha 1 dólar quem acertar qual TV contratou o palpiteiro esse ano. Começa com CN e termina com N.

 

Rápidas

Em 16, 17 e 18 de março ocorre a SRE Trade Show – 32ª Super Rio Expofood, exposição e conferência do setor alimentício realizado anualmente no Riocentro pela Associação de Supermercados do Rio (Asserj). A expectativa é receber mais de 50 mil profissionais do ramo. Detalhes aqui *** O espetáculo teatral Bumba meu Mito, baseado num diálogo com a antiguidade grega clássica, está no Projeto Vitrine Uerj. Detalhes no face do evento.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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