Construção voltou a crescer em 2019, após dois anos de queda

Dados são da Pesquisa Anual da Indústria da Construção, do IBGE.

A Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic) 2019, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que naquele ano o setor totalizou R$ 288 bilhões, sendo R$ 273,8 bilhões em obras e serviços de construção e R$ 14,2 bilhões em incorporações. Desse total, R$ 127,3 bilhões foram em construção de edifícios, R$ 92,8 bilhões em obras de infraestrutura e R$ 67,9 bilhões em serviços especializados.

Em 2019, o Produto Interno Bruto do país cresceu 1,4%, o terceiro valor positivo seguido após a retração observada em 2015 e 2016. A construção havia retraído em 2017 e 2018 e voltou a crescer em 2019, alcançando 1,5%. A criação de empregos no setor também voltou a crescer, após vários anos de queda ou estagnação.

A pesquisa identifica mudanças estruturais na indústria da construção ao longo do tempo, não fazendo relações de causalidade nem análises conjunturais. As variáveis analisadas são empregos e salários, receita, custos e despesas, valor das incorporações e tipos de obra. A série histórica traz a análise de 10 anos, de 2010 a 2019.

O IBGE destaca que se em 2010 as obras de infraestrutura respondiam por 44,1% da indústria da construção, em 2019 caíram para 32,2%, passando de primeiro para o segundo lugar em valor total. A construção de edifícios assumiu a primeira posição, passando de 39,1% em 2010 para 44,2% em 2019. Essa inversão foi verificada em 2012 e se acentuou em 2015, mantendo proporções parecidas desde então. Os serviços especializados para construção vêm numa trajetória crescente, passando de 16,8% em 2010 para 23,6% em 2019.

Segundo a pesquisa, a diminuição da infraestrutura pode ser associada à queda da participação do setor público, que passou de 41,4% em 2010 para 30,3% em 2019, já que o investimento necessário para o setor é muito elevado, assim como a incerteza. Essa mudança reflete também o fim do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o início da modalidade Parcerias Público-Privadas (PPP).

Foram registradas 125,1 mil empresas no setor de construção em 2019, com 1,9 milhão de pessoas ocupadas, um aumento de 1,7% frente a 2018. Um total de R$ 56,8 bilhões foi pago em salários, remunerações e retiradas, o que representa 2,7% de aumento real na mesma comparação. É o primeiro resultado positivo desde 2014 para os dois indicadores. Por outro lado, quando se compara 2019 com o ano de 2014, o número de pessoas ocupadas é 34,2% menor, e o total de salários, remunerações e retiradas caiu 41,6%, segundo o IBGE. Na comparação decenal, o porte das empresas caiu a menos da metade, indo de uma média de 32 pessoas ocupadas por empresa em 2010 para 15 em 2019. Já o salário médio mensal diminuiu de 2,6 salários mínimos para 2,3 no mesmo período.

As mudanças estruturais na indústria da construção podem ser verificadas também no tipo de obra ou nos serviços realizados. Enquanto em 2010 o primeiro lugar ficava com a construção de rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras de arte especiais, com 21%, o grupo passou para o terceiro lugar em 2019, com participação de 16,2%. O primeiro lugar foi ocupado pelas obras residenciais, que ficavam em segundo com 20,6%, e subiram para 25,7%. Serviços especializados para construção passaram de terceiro (15,4%) para segundo (19,8%).

A pesquisa destaca o aumento do crédito imobiliário e dos programas de habitação popular que ocorreram no período, além do aumento do poder de compra das famílias, que impulsionaram as obras residenciais e a aquisição da casa própria.

 

Agência Brasil

Leia também:

Retorno às atividades pesa positivamente no setor de serviços

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Petrobras confirma desabastecimento para novembro

Estatal justifica usando o termo 'demanda atípica' de pedidos de fornecimento.

Anúncio do substituto do Bolsa Família é adiado

Promessa de Bolsonaro fez dólar comercial disparar e a bolsa de valores recuar mais de 3%.

Senado aprova auxílio-gás que barateia em 50% botijão de 13Kg

Pagamento do benefício será feito preferencialmente à mulher responsável pela família.

Últimas Notícias

Seven Tech: Mais de 2,5 milhões de cartões de crédito até 2023

Com operações em seis países e presença em três continentes (Europa, África e América Latina), o Seven Tech Group, que nasceu como Software house...

Indústria de fundos está pronta para investimentos sustentáveis

É hora de a própria indústria de fundos, por meio de iniciativas de autorregulação, preencher o gap regulatório que ainda existe em torno dos...

Índice da B3: Empresas com melhores práticas no mercado de trabalho

A B3, bolsa do Brasil, e a consultoria global, Great Place to Work, anunciaram nesta terça-feira a criação de um novo índice com foco...

Comissão debate venda da Oi Móvel para outras operadoras

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados promove audiência pública nesta quinta-feira (21) para tratar da venda da Oi Móvel...

CVM: Acordo de R$ 300 mil após autodenúncia de infração

O Colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) analisou, em reunião nesta terça-feira, propostas de Termo de Compromisso dos seguintes Processos Administrativos (PA)...