Consumidor de energia não vai à festa, mas paga a conta

O Governo Bolsonaro acabou de espetar uma conta de R$ 14 bilhões nos consumidores de energia elétrica para bancar perdas das empresas do setor durante a pandemia. Tão ruim como tratar igual os desiguais é tratar desigual os iguais. O decreto federal consegue a proeza de errar nos dois sentidos.

Primeiro, ao colocar todos os consumidores no mesmo barco. Os grandes compradores de energia, subsidiados por um mercado mal modelado desde as privatizações, com FHC, e piorado com Dilma, arcarão com uma parte da benesse estatal. Mas o pequeno consumidor residencial e comercial pagará igualmente, embora seja achacado mensalmente com a terceira maior tarifa de eletricidade do mundo.

Segundo, ao conceder mais um subsídio ao setor elétrico, o governo privilegia um, enquanto há dezenas de setores que perderam tanto, e muitos que perderam muito mais, com as medidas para combater a Covid-19. A celeridade nesse caso contrasta com a morosidade ou excesso de exigências em relação a bares e restaurantes, cinemas e teatros, companhias de aviação e hotéis.

Vejamos a conta que as empresas que atuam no setor de energia apresentam. A Abraceel, que representa os comercializadores, aponta para um prejuízo mensal de R$ 200 milhões para o segmento de comercialização, que pode chegar a R$ 2 bilhões neste ano, fruto do acionamento, pelos consumidores clientes, das cláusulas de flexibilidade contratuais, em razão da redução de sua necessidade energética. Nestas horas, não valem os contratos, nem o capitalismo; socializa-se o prejuízo. Nem uma palavra sobre os anos de compra de energia abaixo de R$ 50 e venda acima de R$ 800.

 

Certificado ianque

A certificação-raiz das autoridades certificadoras do sistema financeiro brasileiro está sob controle de instituições norte-americanas. Este é um exemplo da fragilidade do país na área cibernética, como consta no relatório da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.

O senador Esperidião Amin, que foi relator de um documento que aponta diagnósticos e proposições sobre segurança cibernética no Brasil (encaminhado no final do ano passado ao Governo Federal), alertou, durante o debate virtual “Defesa Cibernética”, promovido pelo Instituto de Estudos Jurídicos Aplicados (Ieja) nesta segunda-feira, para a importância da soberania do país no controle de sistemas de segurança cibernética.

Para o fundador e CEO da Apura, Sandro Süffert, é necessário o entendimento geral de que a segurança cibernética não é uma atividade-fim, mas sim área meio de qualquer tipo de atividade. Nesse sentido, além do desenvolvimento de sistemas feitos por empresas brasileiras, tem sido importante também a atuação da academia brasileira. “Os estudos, os sistemas feitos por universidades brasileiras têm sido fundamentais”, frisou o CEO da Apura.

 

Isso a Globo não mostra

Devido ao mercado publicitário retraído, o SBT desistiu de lançar um canal educativo. Mas decreto de Bolsonaro permite às TVs abertas transmitir simultaneamente mais 3 canais cada. Benesse da TV digital, que entrega os sinais sem concorrência ou pagamento de milionária outorga.

 

Rápidas

Estudantes da Administração podem obter benefícios da categoria sem precisar sair de casa. O Conselho Regional de Administração do Rio (CRA-RJ) ampliou o acesso ao aplicativo de autoatendimento, permitindo que alunos de nível técnico e superior possam obter a Carteira do Estudante da Administração (CEA) digital *** A Aasp realiza nesta quarta-feira, às 17h, o webinar gratuito “Síndrome da alienação parental e o isolamento social”. Inscrições aqui *** Dudu Godoy (Design Aegis), Mauro Madruga (Unimed Rio) e Thomaz Naves (Record TV Rio), falarão, dia 25, sobre “Que caminhos e rumos vamos seguir a partir de agora?”, dentro do projeto Aprendizado e Experiências, da ABMN (Associação Brasileira de Marketing de Negócios), em parceria com o curso de Publicidade e Propaganda do Campus Tijuca, da Universidade Veiga de Almeida. O evento será transmitido por meio do Canal do Youtube CasaCom Conecta, a partir de 15h.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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