Consumidores x rentistas

Defensores da liberação das dos combustíveis – apesar de o país ser auto-suficiente em petróleo – mostram-se incomodados com a renúncia fiscal de R$ 3 bilhões que decorreria da redução da alíquota da Cide, para absorver a alta da cotação nas refinarias. O valor, porém, equivale a pouco menos da metade do rombo provocado por um aumento de 1 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), que corrige pouco mais de um terço da dívida pública

Bolada
Para tristeza dos replicadores dos interesses de empreiteiras cujos modos operandis são velhos conhecidos de brasileiros obrigados a usar serviços de transportes públicos privatizados, o estudo do Ipea sobre o ritmo das obras nos aeroportos brasileiros avaliou que o Galeão – menina dos olhos desses grupos – é um dos únicos quatro entre os 13 examinados a estar apto a cumprir o cronograma até a Copa do Mundo de 2014.

Luta pela pátria
“A intervenção imperialista ocidental exaltou a consciência nacional do povo líbio, que encara agora a sua confrontação com os “rebeldes” anti-Kadafi como uma luta para defender a sua pátria do poderio estrangeiro aéreo e marítimo e das tropas terrestres fantoches – um poderoso incentivo para qualquer povo ou exército. O oposto também é verdadeiro para os “rebeldes”, cujos líderes abdicaram da sua identidade nacional e dependem inteiramente da intervenção militar imperialista para levarem-nos ao poder. Que soldados rasos “rebeldes” vão arriscar a vida, a lutar contra os seus compatriotas, só para colocar o seu país sob o domínio imperialista ou neocolonialista?” A análise é do renomado professor James Petras, da Universidade de Binghamton, em artigo reproduzido na edição eletrônica do Correio da Cidadania.

Estranhos no ninho
Petras observa ainda que, embora apoiados pelo “mais brutal ataque imperialista” e apesar do total controle dos céus e da linha costeira da Líbia pelos Estados Unidos e por mais 19 países, os “rebeldes” são incapazes de mobilizar o apoio de aldeias e cidades e estão em retirada depois de enfrentarem as tropas do governo da Líbia e as milícias urbanas, fortemente motivadas, diz, citando reportagem da rede Al Jazeera, de 30 de março.
Segundo o especialista, isso ocorre porque os “rebeldes” que entram nas aldeias são considerados invasores, “que arrombam portas, fazem explodir casas e prendem e acusam os líderes locais de serem “comunistas da quinta coluna” a favor de Kadafi”.
“A ameaça da ocupação militar “rebelde”, a detenção e a violência sobre as autoridades locais e a destruição das relações de família, de clã e da comunidade local, profundamente valorizadas, levaram as milícias líbias e os combatentes locais a atacar os “rebeldes” apoiados pelo Ocidente”, afirma Petras, acrescentando que os “rebeldes” são considerados “estranhos em termos de integração regional e de clã, menosprezando os costumes locais, encontram-se pois em território hostil”.

Acionista
Muita gente questiona o papel do BNDES na criação de conglomerados “brasileiros”. O banco colocou R$ 700 milhões na “consolidação” do setor de laticínios no Brasil. A escolhida foi a LBR. Agora, a Laep, que tem ligações com a LBR, está sendo acionada, mostra a revista Exame, por um fundo inglês, numa disputa de R$ 100 milhões.
A LBR salienta que apenas utiliza a capacidade produtiva de quatro unidades industriais de sociedades controladas pela Laep “no âmbito do consórcio formalizado em 2010, do qual a LBR é a consorciada líder.”

É brinquedo, não
Os dados da balança comercial do primeiro trimestre parecem sugerir que o processo de elevação do déficit do setor industrial – de superávit de cerca de US$ 30 bilhões em 2005 para déficit de cerca de US 35 bilhões em 2010 – terá continuidade em 2011. A análise é do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). A entidade destaca que, nos três primeiros meses de 2011, o déficit da indústria de transformação atingiu US$ 10 bilhões e projeta saldo negativo da balança do setor em US$ 50 bilhões.
Se nos produtos de alta tecnologia, a evolução do déficit parece ter desacelerado fortemente (US$ 6,8 bilhões em 2011, contra US$ 6,2 bilhões no mesmo período de 2010), no setor de média-alta intensidade tecnológica a situação piorou – e muito. Foram US$ 11 bilhões de déficit no primeiro trimestre, US$ 3,5 bilhões a mais do que de janeiro a março de 2010. Este segmento engloba os complexos eletro-eletrônico, metal-mecânico e químico – os quais formam o coração de uma estrutura industrial moderna. “Não é pouca coisa”, lamenta o Iedi.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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