Consumo de cerveja registrou queda de 19,4% em 2025

Vendas globais de bebidas sem álcool registraram alta de 9% em volume no ano

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Cerveja (foto de Marcelo Camargo, ABr)
Cerveja (foto de Marcelo Camargo, ABr)

A adesão por uma dieta equilibrada e saudável pelos brasileiros vai além da diminuição do consumo de alimentos ultraprocessados, é o que mostra pesquisa recente realizada pelo Worldpanel by Numerator, que revela que o consumo de cerveja registrou uma queda de 19,4% nos lares. Os dados foram registrados nos 12 meses encerrados em junho de 2025.

A redução do consumo foi ainda mais intensa entre as sextas-feiras e domingos, registrando uma queda de 25,4%. Para Leandro Rosadas, especialista em gestão de supermercados, o movimento pode refletir nas gôndolas dos varejistas.

“A cerveja sempre ocupou espaço central nas ocasiões sociais, mas existe hoje uma priorização clara por hábitos mais saudáveis. O consumidor não deixou de celebrar, mas passou a buscar alternativas com menor impacto na rotina e na saúde”, analisa Leandro.

Prova disso é o levantamento feito pela IWSR, responsável por revelar que o consumo global de bebidas sem álcool registrou alta de 9% em volume em 2025, além de estimar uma expansão acumulada de 36% entre 2024 e 2029. A pesquisa também apontou que 37% dos compradores de cerveja sem álcool e 40% dos de vinho e destilados sem álcool citam saúde como principal motivação.

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Para o varejo, a mudança representa um alerta estratégico.

“O setor de bebidas tem peso relevante no faturamento dos supermercados, o tíquete médio de bebidas alcoólicas possui um papel relevante no faturamento mensal. Ampliar o mix de opções zero álcool pode compensar a queda nas categorias tradicionais e manter o faturamento elevado”, afirma.

Ainda de acordo com a pesquisa feita pela Worldpanel by Numerator, outras bebidas, como refrigerantes, sucos e energéticos ampliaram participação em ocasiões de consumo nos lares brasileiros.

“O supermercado tem a oportunidade de liderar essa transição de forma equilibrada. Não é sobre excluir categorias, mas sobre ampliar oferta, dar informação e responder ao novo perfil de consumo. Quem se antecipa a esse movimento sai na frente”, conclui o especialista.

Bebidas associadas ao consumo no calor e mercearia pressionam varejo alimentar

O varejo alimentar brasileiro encerrou dezembro registrando a maior retração de unidades comercializadas de todo o ano, com queda de 5,5%, de acordo com dados do Radar mensal da Scanntech. O resultado reflete a intensificação da desaceleração observada ao longo dos meses anteriores e foi impulsionado, principalmente, pela redução do fluxo em loja, que recuou 4,1% no período.

Além da queda de volume, o repasse de preços atingiu o menor patamar de 2025, com alta de 3,2%, o que ampliou a pressão sobre o desempenho do setor. Como consequência, dezembro foi o único mês do ano a registrar retração também no faturamento, com queda de 2,5%.

As cestas de mercearia e bebidas alcoólicas responderam por 55% da retração em unidades, enquanto mercearia básica e perecíveis concentraram 92% da queda de faturamento. Em sentido oposto, bebidas não alcoólicas foi a única cesta a apresentar contribuição positiva para o resultado mensal.

“Com temperaturas mais amenas em relação a 2024 e o avanço de tendências ligadas à saudabilidade e a bebidas refrescantes, categorias tradicionalmente associadas ao consumo no calor e à indulgência, como chocolates, biscoitos e açúcar, apresentaram contribuição negativa relevante. Do recuo total de -2,1% no período, 1,4 p.p. pode ser atribuído a essas categorias”, afirma Felipe Passarelli, head de Inteligência de Mercado da Scanntech.

Em dezembro, a cesta básica registrou queda de 6,4% nos preços, o que resultou em retração de 13,5% no faturamento. Dentro da mercearia, categorias como chocolates e biscoitos também puxaram o desempenho para baixo. Em contrapartida, produtos ligados à saudabilidade continuaram ganhando espaço, ainda que insuficientes para compensar a queda das categorias tradicionais. Os suplementos para academia cresceram +45,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

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