Consumo do semestre apresentou recuperação em relação a 2015

As instabilidades econômicas dos últimos tempos provocaram uma mudança no comportamento de consumo dos brasileiros.  De acordo com o Consumer Insights, elaborado pela Kantar Worldpanel, a frequência retraiu menos do que em períodos anteriores, possibilitando o reaquecimento consumo de janeiro a junho de 2016 em relação ao ano passado. Segundo o estudo, houve um aumento de 1,6% no número de unidades levadas para casa e um crescimento em valor deflacionado de 2,1%.
As classes médias e altas foram as que mais contribuíram para a recuperação, enquanto as mais baixas seguiram apostando na racionalização em frequência de compra. Enquanto a A/B1 registrou alta de 2,8% no quesito, a C1 marcou 1,4% de elevação. Já a DE apresentou queda de 6%.
Região que antes se destacava no consumo do país, o Grande Rio perdeu o posto para Grande São Paulo, que teve alta de 6% em frequência, e para Norte/Nordeste, que se sobressaiu com os 6,8% positivos de unidades por viagem.
O primeiro semestre marcou também o crescimento de todas as cestas em unidades e valor: alimentos, respectivamente 0,4% e 16,7%; bebidas, 4,8% e 10,8 %; higiene e beleza, 1,8% e 1,3%; e limpeza, 2,1% e 13,3%.
Entre as categorias que mais se destacaram positivamente no período estão molho para salada, presuntaria e creme de leite; bebidas congeladas, chá líquido e suco em pó; lâmina de barbear, produtos para a barba e creme dental; e cloro, sabão em pedra e detergente líquido. Já os que perderam consumidores foram lanche pronto, iogurte e petit suisse; água mineral, suco pronto para beber e bebida à base de soja; deo colônia, cremes e loções e fraldas descartáveis; purificador de ar, detergente líquido para roupa e cera para assoalho.
O Consumer Insights apurou ainda que as categorias que mais cresceram foram aquelas que necessitam de algum preparo e que os lares com crianças ajudaram na elevação das vendas desses produtos. Foram os domicílios com pequenos moradores também que aumentaram o consumo de indulgências no período – destaque para produtos chancelados por personagens queridos por essa parcela da população. Fora de casa, esse público ainda ocasiona um gasto maior com sorvete caseiro, chocolate, sorvete industrializado, pizza e sanduíche. O refrigerante, também presente na lista, por exemplo, está presente em 50% das ocasiões de consumo.
Ainda segundo dados do levantamento, o primeiro semestre de 2016 registrou um aumento do tempo com entretenimento em casa, principalmente assistindo a programas infantis ou relacionados à culinária.

CNC prevê contratação de 135 mil temporários e queda de 3,5% nas vendas de Natal
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê que o Natal deste ano deverá registrar a segunda queda consecutiva tanto nas vendas quanto na contratação de temporários. A Confederação estima um recuo de 3,5% no varejo, o equivalente à movimentação financeira de R$ 32,1 bilhões até dezembro. A confirmação desse quadro deverá frear a demanda por trabalhadores temporários, com menos 2,4% de postos ofertados em relação a 2015.
– Voltamos ao patamar de 2012, quando foram contratados cerca de 135 mil temporários para cobrir o movimento de fim de ano – afirma o economista da CNC Fabio Bentes.
Os maiores volumes de contratação deverão se concentrar no segmento de vestuário (62,4 mil vagas) e no de hiper e supermercados (28,9 vagas). Além de serem os “grandes empregadores” do varejo – juntos eles representam 42% da força de trabalho do setor – esses segmentos costumam responder, em média, por 60% das vendas natalinas.
O salário de admissão deverá alcançar R$ 1.205, avançando, portanto, 9,5% em relação ao mesmo período do ano passado (+0,6%, se descontada a inflação). O maior salário de admissão deverá ocorrer no ramo de artigos de informática e comunicação (R$ 1.403); contudo, esse segmento deverá ofertar apenas 1,6% das vagas totais a serem criadas no varejo.
Ao contrário de 2015, quando o real sofreu desvalorização de 47%, neste ano a expectativa é que a taxa de câmbio registre queda de 16%, o que poderá estimular importações por parte do varejo e reajustes menos intensos do que no fim do ano.
O setor supermercadista deve aproveitar o cenário fazendo estoque de produtos estrangeiros e registrar modesta queda no volume das vendas (-1,6%). Já as lojas de vestuário e acessórios deverão amargar queda anual superior a 11% no Natal de 2016.

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