Consumo em restaurantes recou 7,6% em novembro

Desempenho foi abaixo do esperado, por alta de preços e queda em renda familiar; food service representou 28% de vendas de alimentos em 2021.

O consumo em restaurantes, bares, lanchonetes e padarias registrou queda de 7,6% no faturamento em novembro, em comparação com o mesmo mês de 2020, é o que apontam os índices divulgados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em parceria com a Alelo. Os dados, que avaliam o desempenho dentro do cenário da pandemia e consideram a inflação no período (ou seja, são calculados em termos reais), mostram também uma leve queda no valor gasto nos supermercados (-1,2%).

Os Índices de Consumo em Restaurantes (ICR) revelam ainda baixa de 2,7% na quantidade de vendas e de 6,6% no número de estabelecimentos que efetivaram pelo menos uma transação no mês de novembro.

Em relação aos Índices de Consumo em Supermercados (ICS), os dados de novembro, em comparação com o mesmo período de 2020, mostram aumento de 3,4% na quantidade de vendas e de 1,1% no número de estabelecimentos que realizou pelo menos uma transação ao longo do mesmo mês do ano anterior.

Quando observadas as variações calculadas comparando 2021 com 2019, período pré-pandemia, o ICR mostra queda nos três indicadores em novembro: -28,7% no faturamento, -43,8% na quantidade de vendas e –7,5% no número de estabelecimentos que realizou transações. Já ao ter como base o comportamento de consumo em supermercados, de acordo com o ICS, observamos um aumento de 2,5% no faturamento e 0,8% no número de estabelecimentos que registrou ao menos uma transação, enquanto houve queda de 10,9% na quantidade de transações.

Segundo os pesquisadores da Fipe, os últimos resultados evidenciam que as diferenças entre o comportamento do consumo em supermercados e em restaurantes têm se prolongado para além do fim das restrições sanitárias, mesmo com o avanço notável da campanha de vacinação no país. O cenário de encarecimento do crédito, aumento da taxa de juros, endividamento e inadimplência é prejudicial para o varejo em geral e pode impactar negativamente também os supermercados.

Os Índices de Consumo em Supermercados (ICS) acompanham as transações realizadas em estabelecimentos como supermercados, quitandas, mercearias, hortifrútis, sacolões, entre outros; e os Índices de Consumo em Restaurantes (ICR) apontam a evolução do consumo de refeições prontas em estabelecimentos como restaurantes, bares, lanchonetes, padarias, além de serviços de entrega (delivery) e retirada em balcão/para viagem (pick-up). Em termos regionais, adotando como parâmetro a variação do valor gasto em restaurantes entre novembro de 2019 e novembro de 2021, é possível evidenciar um maior impacto na região Centro-Oeste (-31,3%). Entre as demais, a queda foi de: Sul (-29,8%), Nordeste (-29,1%), Sudeste (-28,4%) e Norte (-25,6%).

Individualmente, as UFs mais impactadas em novembro foram: Piauí (-40,3%), Distrito Federal (-38,0%), Rio de Janeiro (-37,2%), Rio Grande do Sul (-36,1%), Ceará (-33,6%), Minas Gerais (-32,9%), Bahia (31,9%) e Amazonas (-31,8%). Já entre as unidades com aumento e/ou quedas menos expressivas, destacaram-se: Acre (+25,9%), Roraima (+4,9%) e Rondônia (+3,4%). Finalmente, vale citar as variações em: Pernambuco (-30,6%), Paraná (-27,3%), Santa Catarina (-26,2%) e São Paulo (-26,0%).

O setor de alimentação fora do lar foi um dos mais afetados pela recente crise sanitária vivenciada mundo afora. Entretanto, como em muitas outras áreas da economia, o food service demonstrou um grande poder de resiliência e adaptação para garantir a continuidade das operações. Apesar dos desafios, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), o setor foi responsável por 28% das vendas da indústria alimentícia em 2021, com valores acima dos R$ 166 bilhões, e a expectativa é de crescimento para 2022.

Fortalecido principalmente pelas modalidades de consumo via delivery e take away, como reflexo do isolamento social, novas tendências são esperadas para o food service este ano. O avanço da vacinação, assim como a retomada de alguns segmentos, que passaram a operar normalmente nos últimos meses, trazem um cenário otimista aos operadores do setor e àqueles que pensam em começar um negócio na área de alimentação nos próximos meses.

Entre as principais tendências esperadas para 2022, os estabelecimentos que investirem em instalações e operações que visem a segurança dos consumidores saem à frente. Espaços abertos e bem ventilados, food trucks, adoção de cardápios em QR Code, atendimentos automatizados, e claro, a continuidade das modalidades de delivery e retirada são algumas delas. De acordo com uma pesquisa da consultoria Galunion em parceria com a Qualibest, 82% dos clientes têm buscado estabelecimentos com áreas abertas. Outro levantamento feito pela consultoria apontou que 85% dos operadores pretendem manter o delivery, principalmente em virtude de um panorama que ainda não garante o fim da pandemia. Destaque também para os operadores que atuam por meio de dark kitchens, as cozinhas voltadas apenas para entregas. Segundo dados do Euromonitor, esse tipo de operação pode alcançar o faturamento de um trilhão de dólares até 2030. Com investimentos mais baixos e faturamentos mais altos, a tendência mostra-se vantajosa para 2022 e além.

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