Contas básicas pressionam orçamento e ampliam inadimplência

Pesquisa mostra impacto das contas básicas e do desemprego, principal fator de endividamento e inadimplência no Sudeste.

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Conta de energia, luz
Conta de energia (foto de Marcello Casal Jr, ABr)

O aumento no valor das contas básicas segue pressionando o orçamento: 9% dos inadimplentes do Sudeste ouvidos em pesquisa realizada pela Serasa afirmam não conseguir arcar com esses custos, que podem chegar até R$ 750 mensais para 83% deles, correndo o risco de terem os serviços básicos interrompidos.

Quase 9 em cada 10 (88%) desses endividados dizem ainda ter reduzido o consumo devido à alta dessas despesas. Entre eles, 38% cortaram até 10% dos gastos, e 27% reduziram entre 11% e 20%.

O estudo da Serasa, feito em parceria com o Instituto Opinion Box, analisou o comportamento e o perfil dos inadimplentes. O desemprego segue como o principal fator de endividamento no Sudeste. A falta de trabalho foi apontada por 20% dos entrevistados, número que, embora menor que o de 2024 (24%), ainda representa um dos maiores desafios à estabilidade financeira das famílias. Em seguida, aparecem gastos emergenciais (17%) e redução de renda (13%).

Patrícia Camillo, especialista em educação financeira da Serasa, explica que o endividamento reflete um conjunto de fatores econômicos e sociais, como a própria falta de educação financeira da população. “A queda no desemprego traz esperança e novas oportunidades, mas o desafio agora é transformar essa renda em estabilidade financeira. Após um período de perda de poder de compra, é fundamental que o consumidor aproveite esse momento para reorganizar o orçamento e evitar o acúmulo de dívidas.”

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O papel do cartão de crédito na vida dos inadimplentes

Ainda de acordo com o levantamento, o cartão de crédito tem se mostrado um importante aliado na vida financeira dos habitantes do sudeste, permitindo o parcelamento de compras essenciais. No entanto, é preciso cautela para que o recurso não se torne um vilão do orçamento.

Segundo a pesquisa, 50% dos consumidores têm como principal dívida no cartão de crédito as compras em supermercados, enquanto 41% recorrem ao método de pagamento para adquirir produtos como roupas, calçados e eletrodomésticos – gastos que, quando acumulados, podem facilmente comprometer a renda mensal.

Nos últimos 12 meses, o uso da modalidade segue tendo destaque: 25% dos inadimplentes afirmam ter concentrado seus gastos no cartão de crédito.

O peso do tempo sobre as dívidas

Os dados também mostram que 45% das dívidas dos sudestinos já ultrapassam um ano de atraso. O cenário, muitas vezes, se repete, e os dados preocupam: 54% dos endividados atualmente são reincidentes (já estiveram endividados em algum outro momento da vida), representando uma queda de 4 pontos percentuais em relação a 2024.

Atualmente, o país soma mais de 79,1 milhões de pessoas com dívidas em atraso, totalizando mais de 313 milhões de débitos e atingindo o maior montante desde 2020.

“O cenário ainda é desafiador, mas também é uma oportunidade de recomeço. Entender as causas do endividamento e buscar alternativas de negociação são passos essenciais para recuperar o equilíbrio financeiro. É nesse sentido que iniciativas de renegociação ganham ainda mais relevância”, destaca Patrícia.

A pesquisa foi realizada entre 9 e 24 de setembro de 2025, com 11.375 entrevistas online em todo o Brasil. A margem de erro é de 0,9 ponto percentual.

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