Contas externas: déficit de US$ 50,7 bilhões em 2019

As transações correntes são o principal indicador sobre o setor externo do país.

Negócios Internacionais / 16:16 - 27 de jan de 2020

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O déficit nas contas externas do país atingiu US$ 50,762 bilhões contra US$ 41,540 bilhões em 2018. É o pior resultado em quatro anos, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. No mês de dezembro do ano passado, o déficit em transações correntes, que são compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do Brasil com outros países, chegou a US$ 5,691 bilhões. O resultado ficou abaixo do registrado em igual mês de 2018: déficit de US$ 6,116 milhões.

As transações correntes, principal indicador sobre o setor externo do país, são formadas pela balança comercial (exportações e importações de bens e serviços), pelos serviços adquiridos por brasileiros no exterior e pelas rendas primária (lucros e dividendos do Brasil para o exterior, pagamentos de juros e salários) e secundária (renda gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens). De acordo com o BC, a variação no déficit para o mês decorreu de redução de US$ 2 bilhões em despesas líquidas de renda primária, parcialmente compensadas pela retração de US$ 1,2 bilhão no saldo da balança comercial.

O superávit comercial chegou a US$ 4,764 bilhões em dezembro contra US$ 5,977 bilhões no mesmo mês de 2018. “As exportações de bens totalizaram US$ 18,2 bilhões em dezembro de 2019, recuo de 6% em relação ao mesmo período de 2018. Na mesma base de comparação, as importações de bens aumentaram 0,3%, para US$ 13,4 bilhões”, diz o BC no relatório sobre o setor externo. Na comparação com o ano anterior, o superávit comercial reduziu de US$ 53,047 bilhões para US$ 39,404 bilhões em 2019, repercutindo retrações de 6,3% nas exportações e de 0,8% nas importações.

De acordo com o BC, no mês, não houve operações relativas ao Repetro, que é um regime fiscal aduaneiro que suspende a cobrança de tributos federais na importação de equipamentos para o setor de petróleo e gás, principalmente as plataformas de exploração. No ano, as importações líquidas no âmbito do Repetro foram estimadas em US$ 1,6 bilhão.

A conta de serviços (viagens internacionais, transporte, aluguel de investimentos, entre outros) registrou saldo negativo de US$ 3,541 bilhões em dezembro, e de US$ 35,141 bilhões de janeiro até dezembro do ano passado. A conta de renda primária ficou negativa em US$ 6,699 bilhões em dezembro e em US$ 55,989 bilhões em doze meses. A conta de renda secundária teve resultado negativo de US$ 216 milhões em dezembro de 2019, e positivo de US$ 964 milhões no acumulado do ano.

 

Calçadistas participam de feiras nos EUA

De olho no maior mercado para calçados do mundo, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), por meio do programa Brazilian Footwear, mantido em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), desembarca nos Estados Unidos em fevereiro. No total, 30 marcas de calçados participam das feiras FN Platform (Las Vegas), Playtime (Nova Iorque), Sole Commerce (Nova York) e Atlanta Shoe Market (Atlanta).

A analista de Promoção Comercial da Abicalçados, Ruisa Scheffel, avalia que existe um otimismo com a participação, mesmo com o arrefecimento da guerra comercial instalada entre Estados Unidos e China, que favoreceu o calçado brasileiro ao longo de 2019. “Os Estados Unidos representam um mercado bastante complexo para o calçado, que deve ser trabalhado de forma customizada, de acordo com a estratégia e maturidade de cada marca. A ideia de fazer o circuito de feiras, pela primeira vez no âmbito do Brazilian Footwear, é justamente trabalhar as marcas de acordo com cada necessidade, pois são mostras que atendem regiões e nichos diferentes”, explica Ruisa, ressaltando que o Brasil “voltou ao radar das grandes marcas norte-americanas”.

 

Exportações de carne suína batem recorde

As vendas de carne suína do Brasil (considerando todos os produtos entre in natura e processados) alcançaram volume recorde em 2019, de acordo com números revelados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Ao todo, foram embarcadas 750,3 mil toneladas ao longo dos 12 meses do ano passado. O saldo é 16,2% superior ao registrado em 2018, quando foram embarcadas 646 mil toneladas. Apenas em dezembro, foram embarcadas 76 mil toneladas, volume 35,1% maior em relação ao mesmo período de 2018, com 56,2 mil toneladas. É o maior embarque mensal já registrado na história do setor. Em receita, o saldo das vendas alcançou US$ 1,597 bilhão, número 31,9% maior que o resultado de 2018, com US$ 1,2 bilhão. Em dezembro, as vendas chegaram a US$ 183,6 milhões – maior saldo mensal já alcançado pelo setor.

As vendas para a Ásia – região fortemente impactada por focos de Peste Suína Africana (PSA) – foram o grande impulso das exportações de 2019. A China, que assumiu o primeiro lugar nas importações já no primeiro mês do ano passado, importou 248,80 mil toneladas, volume 61% superior ao total embarcado em 2018. Também impactado pela PSA, o Vietnã aumentou suas importações em 82,6%, com total de 13,54 mil toneladas em 2019.

A crise sanitária na Ásia reconfigurou o comércio internacional de proteína animal. A China, que foi a maior afetada, ampliou sua capacidade de importação de carne suína brasileira com a habilitação de novas plantas em novembro de 2019. Este é um dos fatores que devem favorecer o aumento das vendas brasileiras em 2020, já que os indicadores de instituições como o Rabobank demonstram que este quadro deve perdurar no mínimo ao longo do ano”, analisa Ricardo Santin, diretor-executivo da ABPA.

Na América do Sul, o Uruguai foi o principal destino, com 40,48 mil toneladas importadas, volume 12,8% maior em relação ao saldo de 2018. Também o Chile se destacou, com importação de 44,54 mil toneladas (+28,9%). No Leste Europeu, a Rússia importou 35,28 mil toneladas

 

Brasil quer parceria com Índia para etanol

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse acreditar em parceria entre o Brasil e a Índia para transformar o etanol em uma commodity global. O ministro participou nesta quinta-feira (23) de seminário sobre oportunidades de negócios entre os dois países nas áreas de energia e mineração, em Nova Dhéli, na Índia. “O Brasil é o maior produtor de etanol de cana-de-açúcar no mundo. A Índia é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e acho que nós devemos e podemos cooperar nesse âmbito”, disse o ministro em entrevista à TV Brasil. “Essa cooperação envolve o desenvolvimento de tecnologias e o propósito disto vai beneficiar a todos. É o etanol, o biocombustível, se tornando uma commodity internacional”, acrescentou.

De acordo com o ministro, a cooperação entre os dois países é estratégica, porque a Índia possui o mercado energético que mais cresce no mundo e deve se tornar o principal importador mundial de energia nos próximos anos. O país asiático importa 80% do petróleo que consome, e um dos seus exportadores é o Brasil. O produto é o item de maior peso no comércio bilateral dos dois países.

 

Brasil participa da Heimtextil, na Alemanha

De 7 a 10 de janeiro, a cidade de Frankfurt, na Alemanha, sediou a 50ª edição da mais relevante feira mundial de cama, mesa e banho, a Heimtextil. O Brasil marcou presença com uma delegação formada por três empresas: Belchior, Dohler e Têxtil J. Serrano. Com o apoio do Texbrasil (Programa de Internacionalização da Indústria Têxtil e de Moda Brasileira) — resultado de uma parceria entre a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) – elas fecharam mais de USD 356 mil em negócios.

A participação no evento ainda permitiu aos empresários estabelecer quase 70 contatos, que devem render USD 1,62 milhão em vendas nos próximos 12 meses. A gerente executiva do Texbrasil, Lilian Kaddissi, explica que os números são resultado de um trabalho de longo prazo. “O nosso país possui uma indústria extremamente inovadora e ativa neste segmento, que marca presença nos eventos internacionais. O relacionamento constante com os compradores é um grande diferencial para a consolidação das vendas”, detalha.

 

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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