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O exagero recorrente do conservadorismo nas coisas relativas ao andar de baixo estima em cerca de R$ 3 bilhões anuais os gastos extras causados pela aprovação provisória do salário mínimo de R$ 275. A mesma comoção esteve ausente, porém, do noticiário e dos papers dos analistas em relação aos gastos de R$ 145 bilhões com juros da dívida pública no primeiro ano do governo Lula. Aos escandalizados com o dinheiro extra destinado ao mínimo, recorde-se que o ervanário embolsado pelos rentistas, em 2003, supera a soma de todas despesas dos Três Poderes no âmbito federal (descontados apenas os gastos com Previdência Social). Ou a cerca de18 vezes o orçamento geral anual de todas universidades federais.

Os eleitos
A Rússia tem cerca de 700 famílias de milionários, num total 2 milhões de pessoas, ou cerca de 1,5% da população, segundo o Instituto de Pesquisas Sociais (IPS) da Academia das Ciências da Federação Russa. A fortuna dessa aristocracia totaliza US$ 2 trilhões. Os milionários pós-União Soviética apontam como suas principais qualidades energia, iniciativa, capacidade de trabalho, profissionalismo e alto nível educativo: “Nos últimos anos, formou-se uma elite “jovem” que já não participou das primeiras privatizações no início da década de 90. É uma geração qualitativamente nova de milionários que têm, em média, de 40 a 45 anos de idade. São inteligentes, talentosos, aproximando-se, freqüentemente da elite intelectual. Com sua competitividade e interesse pelo progresso da economia russa, os novos milionários podem de fato ser muito úteis para toda a população do país em geral, desenvolvendo os setores econômicos socialmente orientados, necessidade da qual se fala hoje muito”, defende a vice-diretora do Instituto de Pesquisas Sociais, Natalia Tikhonova.
Apesar dessa percepção, digamos indulgente, ela salienta que 25% dos ricaços russos consideram impossível passar toda a vida “com a consciência limpa”.

Tudo a favor
“Não houve nada contra.” Essa síntese, produzida por um analista do mercado financeiro para explicar o incremento de 5 mil brasileiros no contingentes dos milionários do país no primeiro ano do governo Lula, é a melhor tradução do sucesso da política do ministro Antônio Palocci no andar da cima. Por nada contra, entenda-se juros altos, bolsa em alta e valorização do real em relação ao dólar. Por tudo a favor, subentenda-se desemprego recorde, PIB de -0,2%, queda de 15% dos salários etc. etc.

Às avessas
O Private Bank, lançado esta semana pelo Banco do Brasil, para clientes com mais de R$ 1 milhão para aplicar, traz embutido uma nova concepção de aconselhamento financeiro: o opposite adviser (aconselhamento às avessas em tupiniquim). Ela está implícita na composição do Fórum de Economia, que se reunirá mensalmente um dia após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para traçar cenários “que municiarão os gerentes do Private Bank”. Fazem parte do fórum economistas como o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, especialista, durante o reinado tucano, em previsões sobre a vida eterna do câmbio sobrevalorizado.

Pré-história
A proposta de um índice “alternativo” para reajuste das tarifas de telefonia, que substituiria o IGP-DI e refletiria os custos do setor, feita pela Associação Brasileira de Prestadoras de Serviço Telefônico Fixo (Abrafix), não esconde quem seria o beneficiado. As despesas com amortização, tarifas de uso de rede e serviços de terceiro teriam os maiores pesos no cálculo do índice setorial. São valores difíceis de serem acompanhados e confirmados. Simulação feita pela consultoria que assessorou a Abrafix mostra que o índice, de junho de 2003 a maio de 2004, ficaria em 7,3%; no mesmo período, o IGP-DI foi de 8%; o IPCA se limitou a 5,6%. E, afinal de contas, a indexação não é coisa de dinossauros, extinta no Brasil?

Quimera
A Associação Brasileira das Agências de Publicidade do Rio de Janeiro (Abap Rio) debate, no próximo dia 30, um tema oportuno: A Publicidade em Ano Eleitoral. A idéia é discutir questões legais sobre o tema e estimular a criatividade com ética nas campanhas. Caio Cezar Valli, presidente da associação, fará a abertura do evento. Interessados podem se inscrever pelos telefones (21) 2552-0496 ou 2551-7849.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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