Conteúdo local, sucesso ameaçado

A política de conteúdo local foi um sucesso: trouxe empresas e centros de pesquisa para o Brasil, reergueu estaleiros e a indústria de navipeças nacionais, aumentou o número de empregados e qualificou o trabalhador. Porém, alguns ajustes precisam ser feitos. Para o superintendente do Estaleiro Renave, Luiz Eduardo de Almeida, nem sempre há fabricantes de peças de qualidade no país.

O assunto terá um momento importante para ser debatido, na feira Marintec 2016, que ocorre de 19 a 21 de setembro, no Rio de Janeiro. O gerente administrativo do Estaleiro Marciate, Alberto Taborga, diz encontrar dificuldades ora com preços muito elevados, ou com a demora na entrega. Ele reconhece que a lei que favoreça a fabricação e o fornecimento dos materiais tende a trazer benefícios ao setor.

Do outro lado do balcão está a multinacional finlandesa Wärtsilä. “Para nós essa política já fez bastante diferença. Nos projetos das sondas para a Sete Brasil e para a Petrobras, por exemplo, fizemos um grande investimento de uma unidade de montagem de grupos geradores, propulsores e de outros equipamentos que poderíamos ter fabricação no mercado nacional”, atesta o gerente de vendas de soluções marítimas, Mário Barbosa.

Ele ressalta, porém, que é preciso analisar a competitividade, com preços adequados e equipamentos de qualidade, mas com a baixa demanda em algumas peças isso não se concretiza. “É necessário que se reavalie a política, porém, sinceramente, teria que ver ainda se isso não prejudicaria as empresas que já investiram nesse mercado”, ressalta.

Não é só na área naval que o conteúdo local está ameaçado. Na semana passada, o BNDES anunciou a redução de 60% para 50% do índice mínimo de nacionalização em valor exigido para o credenciamento de máquinas e equipamentos, sistemas industriais e componentes nas operações de crédito do banco, chamado Credenciamento de Fornecedores Informatizado (CFI). O índice é avaliado em valor e peso. Nesse último, o índice mínimo de nacionalização se mantém inalterado em 60%.

A medida anunciada é temporária, vai vigorar até 30 de junho de 2017. Ela atende a demandas feitas ao banco por algumas entidades representativas da indústria, como a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que defendeu que a alta do dólar elevou a participação em valor de componentes importados. Uma das saídas não seria justamente substituí-los por peças nacionais?

O Cunha não é bobo

Na entrevista que concedeu logo após a cassação de seu mandato, Eduardo Cunha, além de disparar contra o Governo Temer, especialmente contra o sogrão Moreira Franco, fez sobrar também para a Rede Globo. O agora ex-deputado disse que a emissora empreendeu uma campanha de um ano para sua destituição. Os repórteres, respeitosamente, engavetaram qualquer pergunta sobre o papel da Globo. Será que o assunto será tema de um capítulo das memórias do impeachment que Cunha avisa que vai escrever?

Liderança

A Cúpula do G20 em Hangzhou, mostrou um novo posicionamento da China no concerto mundial. Nos discursos do presidente chinês, Xi Jinping, nas matérias divulgadas na imprensa de lá, o país quis deixar claro que está se transformando de um players nos assuntos globais a um líder da agenda internacional.

A ascensão da China já é patente há alguns anos. A Olimpíada de Beijing foi uma das vitrines. A mudança agora é o desejo das autoridades chinesas de assumir este protagonismo. Isso passa, por exemplo, pelas críticas às políticas das nações desenvolvidas para os atuais males.

Passa ainda pela pressão para reformar já “o modelo obsoleto da governança econômica global”, exigindo a reforma de cotas no FMI e no Banco Mundial. Pressão, porém, sem perder a ternura, jamais: “A China não tem nenhuma intenção de desafiar o sistema existente, mas prefere complementá-lo”, dis matéria da imprensa chinesa. “A Cúpula de Hangzhou também deve ser lembrada como uma reunião com ações reais e não de conversa vazia.”

Sem deixar de puxar a brasa para sua sardinha, a China condena o protecionismo no comércio.

Rápidas

Depois de passar por Lisboa e Coimbra (Portugal), com apresentações de Cláudia Ramos, Victor Ribeiro e Francico Pellegrini, o projeto Música no Museu vai a Berlim, na próxima quinta-feira, com a pianista Ana Maria Brandão *** Dentro do ciclo de palestras que o Sebrae-SP realiza com informações sobre a cultura e oportunidades de negócios em sete países do Oriente Médio, no próximo dia 27 os consultores abordam as relações comerciais com o Egito. Detalhes em www.mercatorbusiness.com/blog-1 *** “Perspectivas da economia brasileira” é a palestra que Gustavo Loyola, presidente do Banco Central no Governo Fernando Henrique Cardoso, fará na primeira rodada dos “Encontros Seinesp”, realizados pelo Sindicato das Empresas de Internet de São Paulo. O evento ocorrerá na manhã desta quarta, no bairro do Paraíso, em São Paulo. A entrada é gratuita, com inscrições em www.seinesp.org.br

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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