Contra coronavírus, ONU lança plano humanitário em 51 países

Subsecretário de Assuntos Humanitários, Lowcock disse que 'deixar os mais pobres à própria sorte é cruel e insensato'.

Internacional / 14:58 - 25 de mar de 2020

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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou nesta quarta-feira um plano de resposta humanitária global de US$ 2 bilhões para lutar contra a Covid-19 nos países mais vulneráveis, numa proposta para proteger milhões de pessoas e evitar que o vírus pare de circular no mundo. O plano contempla 51 países na América do Sul, África, Oriente Médio e Ásia.

O Covid-19 já matou mais de 16 mil pessoas em todo o mundo e há aproximadamente 400 mil casos registrados. Ele está presente em todo o planeta e agora está alcançando países que já enfrentam crises humanitárias provocadas por conflito, desastres naturais e mudanças climáticas.

O plano será implementado pelas agências da ONU, com Organizações Não Governamentais (ONGs) internacionais e consórcios de ONGs tendo um papel direto na resposta e irá entregar equipamento laboratorial essencial para testes do vírus e suprimentos médicos para tratamento das pessoas; instalar estações para lavagem das mãos em acampamentos e assentamentos; lançar campanhas de informação pública sobre como se proteger e proteger aos outros do vírus; e estabelecer pontes aéreas e "hubs" na África, Ásia e América Latina para levar trabalhadores humanitários e suprimentos onde for mais necessário.

Guterres disse que a Covid-19 é uma ameaça para toda a humanidade e por isso "toda a humanidade deve reagir".

"As respostas individuais de cada país não serão suficientes. Devemos ajudar os mais vulneráveis, milhões e milhões de pessoas que são menos capazes de se proteger. Esta é uma questão básica de solidariedade humana. Também é crucial para combater o vírus".

O subsecretário-geral de Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, lembrou que o novo coronavírus já destruiu vidas em alguns dos países mais ricos e agora está atingindo lugares onde as pessoas vivem em áreas de guerra, onde não há fácil acesso a água limpa e sabão e onde não há expectativa de leito hospitalar se ficarem criticamente doentes. "Deixar os países mais pobres e vulneráveis à própria sorte seria cruel e insensato. Se deixarmos o coronavírus se espalhar livremente nestes países, colocaremos milhões em risco, com regiões inteiras mergulhadas no caos e o vírus terá a oportunidade de circular novamente ao redor do planeta" afirmou.

Lowcock reconheceu que os países lutando contra a pandemia em casa estão corretos em priorizar as pessoas vivendo dentro de suas comunidades mas que falharão em proteger seu povo se não agirem agora para ajudar os países mais pobres a se proteger.

O diretor-geral da Organização Mundial de Sáude (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o vírus agora está chegando a países com sistemas de saúde frágeis, incluindo alguns que já estão enfrentando crises humanitárias.

"Estes países precisam do nosso apoio - não só por solidariedade, mas também para nos proteger e ajudar a acabar com esta pandemia. Ao mesmo tempo, não podemos lutar contra a pandemia às custas de outras emergências de saúde humanitária", pediu.

A diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Henrietta Fore, lembrou que há crianças entre as vítimas da pandemia do novo coronavírus e que o fechamento de escolas está afetando a educação, a saúde mental e o acesso a serviços de saúde básicos. Por conta disso, ela alertou que os riscos de exploração e abuso são maiores do que nunca, tanto para meninos quanto para meninas. "Para crianças em trânsito ou vivendo em conflito, as consequências serão diferentes de tudo o que já tivermos visto. Não podemos deixa-las de lado", avisou.

Para iniciar o Plano de Resposta, Lowcock liberou US$ 60 milhões adicionais do Fundo de Resposta Emergencial Central da ONU, elevando o apoio em resposta da pandemia para US$ 75 milhões. Além disso, fundos conjuntos já alocaram mais de US$ 3 milhões.

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