Contra MP, trabalhadores do saneamento entregam carta a Rodrigo Maia

Para categoria, fato de setor não avançar não se deve à necessidade de alteração em marco, mas'falta de priorização por sucessivos governos'

A Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), entidade que congrega cerca de 220 mil trabalhadores do setor de saneamento básico, energia, gás e meio ambiente do Brasil, enviou ofício ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, manifestando sua posição contraria ao MP 868/18, que altera o marco legal do saneamento básico no país.

Os urbanitários entendem "que existem problemas e que o setor não avançou o quanto esperávamos nas últimas décadas, mas que esse fato não se deve a uma eventual necessidade de alteração do marco legal, e sim em razão de problemas históricos como a falta de priorização dessa política pública por parte de sucessivos governos, a falta da integração com outras políticas, notadamente as de habitação, meio ambiente e saúde, entre outras causas".

A carta assinada pelo presidente da FNU, Pedro Blois, explica que a Medida Provisória, "longe de possibilitar a superação dos desafios da universalização, aprofundará as desigualdades regionais, na medida em que desestrutura o setor quando acaba com um importante instrumento de gestão associada, que é o contrato de programa e o consequente fim do subsídio cruzado. Além disso, a MPV traz em seu bojo aspectos que provocarão uma série de questionamentos jurídicos, inclusive no STF, o que levará a uma profunda instabilidade jurídica".

Os urbanitários explicam que "a saída para a superação dos desafios do saneamento, portanto, passam pelo enfrentamento dos gargalos que hoje impedem ou dificultam a execução dos recurso contratados; políticas que garantam a sustentabilidade da prestação dos serviços; a destinação dos recursos oriundos do PIS e Cofins pagos pelos operadores de saneamento a um fundo de universalização; a criação de um programa de recuperação e revitalização dos operadores públicos de saneamento, a integração com outras políticas públicas como as de habitação, meio ambiente e saúde; a perenidade da destinação de recursos públicos a retirada do saneamento da PEC do Teto de gastos (EC-95) e finalmente o fortalecimento dos instrumentos de participação e controle social".

 

Frente Parlamentar – Nesta quarta-feira, será lançada a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Saneamento Básico. O evento será realizado no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília, das 9h às 13h.

A Frente é uma instância suprapartidária do Congresso Nacional, formada com o objetivo de discutir e propor medidas para o implemento de programas, planos, atividades e ações governamentais e não governamentais em conjunto com a sociedade civil para o uso racional da água, o tratamento do esgoto, a drenagem de áreas alegáveis e a gestão dos resíduos sólidos.

O lançamento coincide com um importante momento da política, quando a MP 868, que dá um prazo para o fim dos lixões, corre o risco de caducar, sendo um retrocesso para o Brasil.

A Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre) apoia a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Saneamento Básico.

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