Contra-informação

Um banco com sotaque que tomou forte tombo num país vizinho está espalhando no mercado o boato de que está de olho num dos seis principais bancos instalados no Brasil. Algo como o Davi correndo atrás do Golias.

Oráculos x investigadores
Para além de implicações como qualificação profissional e patamar salarial, o debate sobre a necessidade do diploma para exercer o ofício de jornalista se articula a questão ainda mais decisiva: a concepção que deve fundar essa profissão. Os defensores da tese de que qualquer um pode ser jornalista apregoam as vantagens de abrir as porteiras das redações a especialistas de áreas variadas, cuja atuação como colaboradores já é contemplada por lei.
O argumento deixa implícito que, para essa linha de pensamento, a categoria é, basicamente, um reprodutor de discursos e esse é o aspecto a ser enfatizado com a abertura “aos novos jornalistas”. No entanto, como profissional inserido num dado contexto social, o jornalista tem, ou ao menos deveria ter, como principal função ser um decodificador de discursos específicos para públicos mais amplos.
Nessa operação, mais importante do que dominar técnicas específicas – sem dúvida, um diferencial – é manter o espírito crítico, para desnudar os diversos interesses em jogo e expô-los ao público. Em outras palavras, longe de ser um ser que consulta oráculos, o jornalista deve ser um profissional que traduz, sem rodeios e firulas, os discursos dos diversos candidatos a detentores do monopólio do saber, independentemente da embalagem exibida.

Paternidade
O governador Anthony Garotinho anuncia que entrega no próximo dia 8 o Hospital Geral de São Gonçalo. Em letras miúdas, afirma que a obra foi iniciada no governo anterior (Marcello Alencar) e inaugurada inacabada, apenas com o setor de emergência funcionando. Não é bem assim. Efetivamente, Alencar inaugurou o hospital às pressas e sem todos os equipamentos, mas o que funcionava era o ambulatório (atendimentos com hora marcada). Uma das partes inacabadas era justamente a emergência. Situado num caminho que liga o nada a lugar nenhum, longe de concentrações populacionais, mas com belas instalações, o hospital precisa que seja melhorado o acesso através de transporte coletivo. Atualmente, só é viável ir lá de van ou carro.

Efeito Enron
O anúncio, ontem, de uma joint venture entre Mitsubishi Electric e Toshiba na área de transmissão e distribuição de energia mostra que a dura realidade do setor não se restringe aos Estados Unidos, berço da concordatária Enron. No Japão, a redução no investimento em empresas de energia erodiu o mercado. Em outros países, a demanda permanece estável, porém a concorrência é feroz. A joint-venture será constituída em abril e começará a operar em 1º de outubro. Unirá as funções de vendas, engenharia, desenvolvimento e manufatura. A escala e o volume de negócios da operação será equivalente à das três maiores empresas do mundo no ramo.

Si no é vero…
A história a seguir pode não ser de todo verídica, mas vem circulando na Internet, fazendo sucesso entre analistas de sistemas, consultores e administradores de empresa, como exemplo da diferença entre “foco no problema” e “foco na solução”. Quando a Nasa iniciou o programa de lançamento espaciais tripulados, descobriram que as canetas não funcionariam com gravidade zero. Para resolver esse problema, contrataram uma empresa de consultoria, ainda ativa e das maiores do mercado. Empregaram uma década e US$ 12 milhões; conseguiram desenvolver uma caneta que escrevesse com gravidade zero, de ponta cabeça, debaixo d”água, em praticamente qualquer superfície incluindo cristal e em variações de temperatura desde abaixo de 0° até mais de 300° Celsius. Os russos utilizaram um lápis.

Software oficial
Como se precisasse, a Microsoft está recebendo uma mãozinha oficial para alavancar suas vendas no Brasil. A Imprensa Nacional, órgão vinculado à Casa Civil da Presidência da República, exige de quem publicar anúncios (atas, editais etc.) no Diário Oficial da União a compra dos programas Windows e Word, ambos da Microsoft. Tudo bem que o Windows é quase um padrão de fato, embora a exigência exclua usuários do Mac e do Linux. Que o órgão utilize o MS Word, após realizar concorrência para isso, é aceitável, embora haja opções mais baratas – e até gratuitas – e tão boas quanto o software da gigante norte-americana. Querer obrigar os cidadãos brasileiros a fazer o mesmo parece abusivo – para não dizer ilegal. Com a palavra, os juristas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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