Conversa com Investidor: BrasilAgro (AGRO3)

Por Felipe Cavalcante, analista da Trade Machine.

A BrasilAgro é uma empresa brasileira especializada na compra e venda de propriedades rurais e na produção de alimentos, fibras e bioenergia. Fundada em 2006, a BrasilAgro foi a primeira empresa de produção agrícola a abrir capital na B3 e a pioneira entre as instituições do agronegócio brasileiro a listar ADRs (American Depositary Receipts) na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). No início deste ano, a companhia fez uma oferta pública com esforços restritos na B3, levantando R$ 500 milhões.

Em conformidade com os últimos resultados divulgados, a companhia encerrou o exercício 2020/2021 (de 01/07/2020 a 30/06/2021), com uma Receita Líquida de R$ 721,9 milhões, composta por R$ 58,9 milhões de venda de fazendas e R$ 663,0 milhões de vendas de produtos agrícolas e arrendamentos, crescimento de 29% comparado ao exercício 2020/2019; um Ebitda Ajustado de R$ 365,7 milhões, crescimento de 106%, e um Lucro Líquido de R$ 317,6 milhões, crescimento de 166%. A proposta da BrasilAgro é distribuir R$ 260 milhões em dividendos. Os resultados do trimestre encerrado em setembro de 2021 serão divulgados no dia 4 de novembro, após o fechamento do mercado.

Neste Conversa com Investidor, Ana Paula Zerbinati Ribeiro, Gerente de Relações com Investidores e Diretora do Instituto BrasilAgro, conversou com Felipe Cavalcante, analista da Trade Machine.

 

É esperado algum impacto nas safras de 2021/2022 em virtude desse período mais prolongado de estiagem?

O portfólio da BrasilAgro está localizado estrategicamente em seis estados brasileiros, além do Paraguai e da Bolívia. Com isso, mitigamos os riscos climáticos. As recentes geadas na região Centro Oeste afetaram a produtividade das lavouras de cana-de-açúcar da região, que foi mitigada pela operação de cana-de-açúcar do Maranhão, que é irrigada e não sofreu com mudanças climáticas. As previsões climáticas para a safra de grãos 2021/2022 são boas e não esperamos impactos para as operações do Brasil. No Paraguai, estamos em estado de atenção e aguardando as chuvas para o início do plantio, o que pode afetar a janela ideal e, consequentemente, a produtividade.

 

Na visão da empresa, qual o mix “ideal” entre terras próprias e terras arrendadas?

A BrasilAgro tem hoje um portfólio de terras superior a R$ 3 bi, com operações agrícolas em seis estados brasileiros, além do Paraguai e da Bolívia. A companhia considera o mix ideal de 50% de terras próprias e 50% arrendadas, uma diversificação que permite um crescimento sustentado da empresa.

 

Felipe Cavalcante (foto divulgação da Trade Machine)
Felipe Cavalcante (foto divulgação da Trade Machine)

Qual a maior preocupação da BrasilAgro no curto prazo? Podemos dizer que o ciclo de alta das commodities agrícolas está próximo do fim?

Há uma demanda crescente por alimentos no mundo, um aceno a ser considerado para a composição dos preços das commodities, sem perspectiva de mudança deste cenário no curto prazo. As operações da companhia vêm sendo realizadas com resultados muito positivos. Acabamos de anunciar duas vendas importantes de fazendas. Uma delas foi a maior negociação da história da empresa, reforçando o DNA imobiliário da companhia, que agrega valor às áreas em que atua e consegue resultados como o anunciado: TIR (Taxa Interna de Retorno) de 19,9%. Vale destacar também que fechamos a safra com resultados recordes e seguimos com a missão de produzir alimentos com responsabilidade. Considerando este cenário, o portfólio de terras bem distribuído pelo país e os investimentos feitos nas operações, iniciamos a nova safra otimistas com os resultados que virão e seguros de que o planejamento traçado tem tudo para ser executado com eficiência.

 

A BrasilAgro tem um histórico de boa pagadora de dividendos. A Companhia acredita que essa dinâmica se altere caso o governo aprove a reforma e altere as regras de tributação de dividendos e JPC?

Não. A companhia tem um compromisso com seus acionistas de altos retornos e geração de valor.

 

O que a Companhia leva de lição dessa pandemia? Esse período resultou em alguma mudança positiva?

Primeiramente, é importante dizer que nos solidarizamos com as vítimas desta tragédia mundial. Do ponto de vista das operações, desde o início da pandemia adotamos protocolos internos de segurança sanitária e conseguimos, com o apoio dos colaboradores, passar por este período sem interferência nas operações. Por outro lado, os desafios trazidos pela pandemia reforçaram os pilares que já sustentavam os negócios da companhia, desde a fundação com o IPO em 2006. É importante manter um olhar social sobre cada comunidade onde se atua, e a BrasilAgro tem feito isso por meio do Instituto BrasilAgro, incentivando projetos no interior do Brasil.

Cuidar do meio ambiente, como fazemos em mais de 80 mil hectares preservados em nossas fazendas, incluindo equipes treinadas para manutenção destes biomas, e incentivar os colaboradores, zelando pela transparência em ações de governança, são premissas que, ao meu ver, saem ainda mais fortalecidas desta pandemia e que são parte do dia-a-dia da BrasilAgro.

Coordenação: Jorge Priori

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