Conversa com investidor: Enauta (ENAT3)

Por Felipe Cavalcante, analista da Trade Machine.

Atuando no setor de exploração e produção de óleo e gás, a Enauta fechou o 3T21 com uma receita líquida de R$ 588,3 milhões, com um crescimento de 162,1% comparado ao 3T20. A companhia apresentou um Ebitdax (medida usada pelo setor calculada da seguinte maneira: Ebitda + despesas de exploração com poços secos ou subcomerciais) de R$ 438,8 milhões, crescimento de 182,3%; uma Margem Ebitdax de 74,6%, crescimento de 5,3 p.p.; e um lucro líquido de R$ 134 milhões, crescimento de 351,7%.

Este foi o primeiro trimestre com reconhecimento de 100% dos resultados do Campo de Atlanta, que já produziu mais de 19 milhões de barris desde maio de 2018, o que gerou recorde de geração de receita para a Enauta. Para o 4T21, está previsto o início da perfuração do primeiro poço exploratório na Bacia de Sergipe-Alagoas, cujos 9 blocos são considerados de alta prospectividade.

Neste Conversa com Investidor, Renata Amarante, gerente de Relações com Investidores da Enauta, conversou com Felipe Cavalcante, analista da Trade Machine.

 

A Enauta passa hoje por um processo de restauração do seu portfólio e aquisição de novos campos. À parte de seus investimentos mais tradicionais em águas profundas, foi noticiado que a companhia está aberta a oportunidades em águas rasas e áreas terrestres. Por que essa mudança e qual o valor que isso agrega a companhia?

Desde que anunciamos o reposicionamento estratégico da Enauta no final de 2020, seguimos trabalhando com disciplina financeira, foco em rentabilidade e geração de valor através da diversificação do portfólio. Buscamos oportunidades onde acreditamos ser possível obter maior eficiência operacional e que, em paralelo, nos tragam ampliação e diversificação de fontes de receita. Estamos reconstruindo nosso portfólio de ativos com ênfase em campos já em produção e acreditamos que podemos combinar a previsibilidade de um conjunto de ativos geradores de caixa com um portfólio de alto potencial exploratório.

A companhia se mantém capitalizada, com saldo de caixa de R$ 2,4 bilhões, em um ambiente favorável para a realização de aquisições. Continuamos confiantes nas perspectivas que temos pela frente.

 

Como está a condução do processo de licitação do FPSO Definitivo para o campo de Atlanta?

O processo licitatório da unidade de processamento (FPSO) e demais equipamentos do Sistema Definitivo segue conforme o planejado. No segundo trimestre deste ano, foi iniciado o processo de licitação dos demais sistemas submarinos e barcos de apoio para a próxima fase de Atlanta, com prazos de conclusão sincronizados à licitação do sistema flutuante de produção. Em agosto, também iniciamos o processo de licitação dos equipamentos e serviços necessários para a perfuração do próximo poço produtor, com previsão de início da perfuração no terceiro trimestre de 2022.

Ainda em agosto, assinamos o Memorando de Entendimento (MoU) com a Yinson Holdings Berhad, para a negociação direta e exclusiva dos contratos de fornecimento do FPSO para o Sistema Definitivo, que considera uma unidade com capacidade para processar 50 mil barris de óleo por dia, ao qual estarão conectados de seis a oito poços produtores, três deles já em operação no Sistema de Produção Antecipada.

Em outras palavras, estamos negociando exclusivamente com a Yinson, uma empresa tradicionalmente fornecedora de FPSOs, mundialmente conhecida, que corresponde às nossas expectativas de entregar um sistema de produção seguro e robusto.

 

Felipe Cavalcante (foto divulgação da Trade Machine)
Felipe Cavalcante (foto divulgação da Trade Machine)

Excluindo o plano relacionado ao Sistema Definitivo do campo, quais as ações da companhia para mitigar os riscos relacionados à produção do campo de Atlanta, visto os recentes problemas operacionais e paralisações?

Iniciamos nossa produção no campo de Atlanta em 2018, através de um Sistema de Produção Antecipada. Como o próprio nome diz, seu principal objetivo é acumular conhecimento e informações sobre o campo, validar premissas e estudos técnicos e testar sua produção comercial, ganhando experiência e solidez para o desenvolvimento de um Sistema Definitivo seguro e robusto.

No momento, estão em andamento atividades de reparo nos equipamentos que apresentaram problemas e de ampliação da capacidade de tratamento de água no FPSO Petrojarl I e, assim, possamos aumentar a produção de óleo. O término da primeira etapa, que prevê expansão de 35% no volume de água tratada, está previsto para o final de 2021.

O terceiro trimestre deste ano marca o período em que operamos com a totalidade do campo de Atlanta, gerando recorde de geração de receita. A companhia alcançou uma receita líquida de R$ 588,3 milhões, com um lucro líquido de R$ 134 milhões. Nosso time segue trabalhando na retomada da operação do terceiro poço, com previsão de retorno mantida para o primeiro trimestre de 2022.

 

Muito se fala que embora o cenário seja promissor para o setor, os riscos da variação no preço do Brent, da variação na taxa de câmbio e a dependência da Petrobras para aquisição de novos ativos são bastante significativos. Como a empresa enxerga o mercado futuro para o setor de óleo e gás brasileiro? Com os desinvestimentos da Petrobras, como fica a concorrência do setor? Os riscos das constantes interferências governamentais tendem a se dissipar?

Na Enauta, importantes eventos recentes posicionam a companhia em um patamar inédito em termos de capacidade de produção e geração de receita futura, que inclui ganhos de eficiência e otimização de recursos, acompanhados de conquistas relevantes no âmbito ESG.

No Brasil, vivemos uma nova abertura no mercado com inúmeras possibilidades de crescimento. Os desinvestimentos da Petrobras abrem certamente grandes oportunidades para diversas operadoras e prestadores de serviço, com capacidades de produção específicas e especializadas em operações menos vultuosas.

Entendemos que há espaço para todo mundo. Para um mercado atento, os desinvestimentos significam a real quebra do monopólio do setor e a abertura de possibilidades reais de investimento para novos players entrantes dispostos a investir.

 

Coordenação: Jorge Priori

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Fintechs e insurtechs mudarão o comportamento do mercado

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