Conversa com Investidor: Mills (MILS3)

Por Marco Saravalle, estrategista-chefe da Sara Invest.

A Mills (MILS3) atua no mercado de locação de plataformas elevatórias e construções de alta complexidade. Fundada em 1952, a companhia fechou o 3T21 com uma Receita Líquida de R$ 192,9 milhões, com um crescimento de 44,2% comparado ao 3T20; um Ebitda ajustado de R$ 79,6 milhões, crescimento de 116,7%, o que representou uma margem Ebitda de 41,3%; e um lucro no período de R$ 31,4 milhões, contra R$ 1,2 milhão no 3T20. A Mills divulgará os resultados do 4T21 no dia 15 de março.

Neste Conversa com Investidor, Sergio Kariya, CEO da Mills, foi entrevistado por Marco Saravalle, estrategista-chefe da Sara Invest, casa de análises especializada em small e mid caps com valor de mercado de até R$ 15 bilhões.

 

A Mills é uma empresa que acaba sendo muito impactada pelo PIB. Há preocupações no cenário local sobre um possível arrefecimento da demanda? Quais são as indústrias que mais estão buscando plataformas aéreas?

Nós temos visto um “micro” bem melhor que o “macro”, ou seja, nosso negócio está indo bem a despeito de uma economia brasileira menos aquecida. É verdade que não era assim no passado, mas ao longo dos últimos anos, a Mills diversificou o seu top line e reduziu bastante sua exposição à ciclicidade, haja vista que ela cresceu em 2020 enquanto o PIB Brasil foi negativo.

Atualmente, mais de 60% da nossa receita é originada em setores não atrelados à construção e sem concentração específica em alguma indústria, o que traz melhor previsibilidade e estabilidade de receita. Claro que se a economia for bem, avançamos mais rápido, mas se falarmos especificamente de plataformas elevatórias, nosso carro-chefe atualmente, temos em evolução no Brasil uma penetração do seu uso para trabalhos em altura com eficiência e segurança, sendo que o nosso país ainda possui indicadores bem aquém do ideal, com muitas oportunidades de crescimento. Estamos confiantes na evolução do setor de locação de equipamentos para os próximos anos.

 

Hoje, sabemos que a Taxa de Utilização da companhia está abaixo do ideal. Há alguma previsão sobre quando chegar nesses 70%? Outra, como chegar lá?

Temos visto um aumento constante do volume locado dos nossos equipamentos. Como podem ver no Relatório de Desempenho da Mills, a taxa de utilização da unidade de negócio Rental vem crescendo a cada trimestre, encerrando setembro de 2021 em 63%, já bem mais próxima do patamar ideal, lembrando que isso é uma média e que em várias famílias de equipamentos já estamos em níveis de utilização superiores ao patamar de 70%.

A companhia está com diversas iniciativas para aumentar a cobertura de mercado e aumentar a sua base de clientes, como por exemplo, a contratação 100% digital, iniciativa pensada com o foco na comodidade dos nossos clientes, além da abertura de filiais, trabalhos de go to market, entre outros, que já têm impactado positivamente a utilização dos nossos equipamentos.

 

Marco Saravalle (foto divulgação Sara Invest)
Marco Saravalle (foto divulgação Sara Invest)

Vimos, recentemente, a aquisição da Nest e da SK Rental. Como está o processo de incorporação dos negócios? Podemos esperar ainda mais crescimento via M&A?

Nós temos um time competente e inteiramente dedicado a fusões e aquisições. Como líderes do setor, entendemos que temos um papel de consolidador desse mercado pulverizado. Em algumas situações, é mais adequado o crescimento inorgânico, desde que em condições que façam sentido, claro. Nesse contexto, a Mills realizou em 2021 importantes aquisições, como a compra da SK Rental do Brasil, a compra do controle da Nest Rental e, mais recentemente, a compra do business de plataformas elevatórias da Altoplat. Além disso, continuamos avaliando outras possíveis oportunidades.

Em relação aos processos de incorporação, muitas vezes desafiadores, considero que estão andando bem e que a Mills já possui expertise para maximizar as fortalezas das companhias adquiridas.

 

A empresa trabalha com um nível de endividamento muito baixo. Todavia, sabe-se que haverá uma necessidade de capital para renovação da frota. De onde sairão tais recursos? A empresa tem algum plano para tomar dívidas?

A Mills está circunstancialmente com um nível de endividamento baixo, mas é normal empresas do nosso setor trabalharem com níveis saudáveis de alavancagem, visando maximizar o retorno ao acionista. É para lá que estamos caminhando. Nossa forte posição de caixa, capacidade de geração de caixa e capacidade de alavancagem são as fontes para as alocações de capital da companhia em crescimento orgânico e inorgânico, adequação de frota, investimentos em tecnologia, distribuição de recursos aos acionistas, recompra de ações, entre outras.

É importante ressaltar que temos um time de operações experiente, que trabalha para otimizar a vida útil de cada equipamento, maximizando o retorno sobre o capital investido, ou seja, a renovação dos equipamentos obedece a uma regra de geração de valor, não somente de idade.

 

A Mills está gerando bastante caixa e vem buscando gerar valor ao acionista com a distribuição dos lucros. Quais medidas vêm sendo tomadas para tal distribuição? O que o investidor deve esperar da companhia nesse sentido?

Apesar do crescimento da Mills ser a principal fonte de geração de valor aos seus acionistas, entendemos que os dividendos e as recompras de ação maximizam o chamado Total Shareholders Return (Retorno Total ao Investidor). Dessa forma, em 2021, após o encerramento de anos de prejuízos consecutivos e de enfrentamento de crises pela companhia, decidimos maximizar a distribuição de recursos aos acionistas, sem com isso comprometer a capacidade de crescimento da Mills. Ainda não temos deliberação do Conselho de Administração sobre a distribuição de recursos referente ao ano de 2022 em diante, mas entendo que também poderá ser acima dos 25% referentes ao mínimo obrigatório, de forma a maximizar a geração de valor para os acionistas.

 

Como a companhia está enxergando o atual cenário global de falta de peças? Que atitudes podem ser tomadas para continuar o movimento de readequação da frota?

No primeiro trimestre de 2021, motivados pelo aquecimento da demanda, retomamos o projeto de readequação da frota de plataformas elevatórias, que também enfrentavam o desafio da falta global de insumos e do alto lead time (tempo de espera) de peças. Para garantir o sucesso do projeto e o pronto atendimento aos nossos clientes, decidimos adotar a estratégia de reforçar o nosso estoque, o que prejudica num primeiro momento o capital de giro da companhia, mas garante as peças certas para a melhoria do nível de disponibilidade da frota.

Com isso, tivemos um impacto superpositivo no decorrer do ano. Adicionalmente, também adquirimos 164 equipamentos ao longo de 2021 e antecipamos os pedidos de mais de 1.200 equipamentos para 2022, o que também ajudará a adequar o perfil da nossa frota.

 

Coordenação: Jorge Priori

Leia também:

Conversa com Investidor: CBA (Companhia Brasileira de Alumínio, CBAV3)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Bolsas globais sobem após movimento do BC chinês

Corte de juros na China é um sinal positivo para Brasil, de modo que a Bolsa local possa acompanhar o bom humor global.

Perfil de risco visto pelas corretoras

Uso do Questionário de Perfil de Investidor, chamado de suitability, que tem como função identificar seu apetite de risco

Diretor do Grupo Nubank cumpre novo mandato na Anbima

Permanecerá na vaga de conselheiro titular reservada à Anbima no Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional

Últimas Notícias

SP é o segundo estado com maior potência de energia solar em telhados

Geração própria de energia solar no Rio ultrapassa 49,8 mil conexões em telhados e pequenos terrenos.

Mais de um terço das famílias relata queda da renda mensal

Estudo destaca comportamento das pessoas sobre gastos e dívidas no primeiro trimestre; mais impactados são famílias de menor renda.

Despesas de planos médicos atingiram R$ 206 bi na pandemia

Estudo mostra que aumento de 24% durante um ano está relacionado com a retomada de procedimentos médicos a partir de 2021.

Tunisianos investem em azeite orgânico para entrar no Brasil

Segundo executivo, Tunísia está em primeiro lugar no ranking global de azeites orgânicos.

População mais pobre está bastante pessimista em relação ao Brasil

Em contrapartida, segundo a Associação Comercial de São Paulo, classes AB e C mostram cada vez mais confiança na economia do país.