COP 26, até a próxima, se houver…

De acelerar a eliminação por acelerar a redução, não é só semântica.

Com um dia de acréscimo em relação ao previsto, foi encerrada a COP 26, com a divulgação do consenso de acordo final, objetivando limitar o aquecimento global a 1,5ºC, até 2100. Para tanto, está prevista a redução global das emissões de carbono (CO2) em 45%, até 2030, sobre os números verificados em 2010.

Consenso também foi firmado com a meta de carbono neutro, até 2050 (quando o valor residual do estoque de CO2 verificado até lá seja inteiramente compensado por reflorestamento e outras tecnologias de captura na atmosfera). Seguem alguns itens de maior impacto do Acordo com o a compromisso dos seus signatários de apresentarem, em 2022, metas mais incisivas, para a redução das emissões de CO2.

 

O ‘apaga-luz’ dos países ricos

De crítica ao texto do Acordo, pontificou a renúncia do compromisso de abandonar o uso de carvão e concessão de subsídios a combustíveis fósseis. A questão ficou expressa na substituição da expressão acelerar a eliminação por acelerar a redução dessas fontes de energia. Uma questão objetiva, não só semântica…

A questão do financiamento da adoção de medidas pelos países de menor renda, recorrente, evoluiu (no texto do Acordo), buscando tocar na acentuada assimetria entre responsabilidades a eles atribuídas e meios para que possam se responsabilizar, efetivamente.

O Acordo não estipula um número para os recursos a investir, até mesmo por que os US$ 100 bi prometidos pelos países maia ricos, para o financiamento de medidas, entre 2020 e 2025, ficou só no papel.

 

Uberização nas relações de trabalho

“O discurso sobre o empreendedorismo cria a ilusão da prosperidade.” Assim o professor da Unicamp Ricardo Antunes refere-se ao conceito de empreendedorismo (denso de ideologia).

Entre os muitos livros e contribuições à sociologia do trabalho de sua autoria, o mais recente por ele organizado, Uberização, trabalho digital e Indústria 4.0, reúne 19 artigos sobre temas que cobrem uma área ampla, da uberização até as suas consequências, como o processo relacionado de individualização e de invisibilidade das relações de trabalho. Iniciativas concretas mostram alternativas possíveis de respostas às tendências nefastas tanto as de uberização, quanto às de indústria em plataforma (4.0). Vejamos, então.

 

Coopa-Roca, cooperativa da Rocinha

Organizada (bem) pela socióloga e empreendedora de cunho social Maria Teresa Leal, a Tetê Leal, a Coopa-Roca é uma iniciativa que já completou 40 anos de sucesso improvável (formalmente, 20).

A favela, neste caso, foi uma solução habitacional da cidade para a sua expansão, já que o Rio cresceu para a região de São Conrado, Barra, Recreio e adjacências profundas, e a parte da população em busca de trabalho encontrou no emprego doméstico e no subemprego a acomodação para as pessoas, em sua maioria procedentes do Nordeste.

Estimativas apontam que a Rocinha chegou a ter até 200 mil habitantes; estimativas hoje reduzidas a um quarto. O prestígio das artesãs, a princípio apenas cinco, atravessou fronteiras. Parcerias firmadas com grifes como Osklen, M. Officer, Eliza Conde e Amazonlife projetaram internacionalmente a marca e o conceito de produção obtida a partir de retalhos e sobras de insumos da produção industrial, com os “Rs” (erres) de reciclar e, sobretudo, de repensar. Conheci Tetê Leal assim. Em função de circunstâncias daquela época, ela solicitou retalhos e restos da indústria têxtil e de confecções do Rio de Janeiro (chamado de lixo, até então demanda satisfeita, o papo evoluiu para os excêntricos gatos birmaneses que ela criava…que como qualquer gato vira-latas só pensavam em ir para as ruas do Leblon, para vadiarem).

 

Novembro, mês da consciência negra

“A gente não nasce negro. A gente se torna negro.” Assim falava Lélia Gonzáles (Belo Horizonte, MG, 1º de fevereiro de 1935 – 10 de julho de 1994), professora, filósofa e antropóloga, escritora e política, junto ao Governador Leonel Brizola. Cofundadora do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras do Rio de Janeiro e do Movimento Negro Unificado, nesta Coluna é homenageada.

 

Dia da Gentileza ou Dia do Gentileza?

Instituído a partir de 2000, o Dia da Gentileza é para ser lembrado todo dia 13 de novembro. É impossível, no entanto, falar em gentileza sem se lembrar de Jose Datrino, o profeta Gentileza, andarilho incansável, que percorria caminhos que só ele via, entre os carros, pronunciando palavras de fé e distribuindo flores (muito antes de Roberto Carlos).

Figura indissociável do Rio de Janeiro, deixou legados da estética, ortografia e sintaxe personalíssimas, felizmente salvos pelos talentos de Leonardo Guelman, Mariana Kutassy, Dado Amaral e equipe, através do projeto Rio com gentileza, que recuperou as inscrições do Profeta em 55 pilastras de sustentação do complexo viário de acesso à cidade do Rio de Janeiro, na região da rodoviária Novo Rio, retribuindo gentilmente o que o Profeta dispôs.

Politizado, espiritualizado e atento à Natureza, deixou lições de sabedoria ao longo das pilastras. Assim, ficou, como esta, por exemplo: “NÃO PENSEM EM DINHEIRO/ELE É O CAPETA/CAPITALISMO/CEGA A HUMANI/DADE/E LEVA PARA/O ABISMO O SUJO /CAPITALISMO/POR JESSUSS DI/SSE GENTILEZA” (coluna 44). Em sua homenagem, foi instituída a data de 29 de maio, quando faleceu, em 1995, como Dia Nacional da Gentileza. Em tempos de Pandemia, a sua máxima mais conhecida, “GENTILEZA GERA GENTILEZA”, é mais atual, a cada dia.

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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