Plano de ação de saúde – COP30
Na COP30, o foco foi na ação. Mais do que apenas um espaço para negociações diplomáticas, o Brasil liderou o desenvolvimento de uma agenda de ação robusta, voltada para a implementação de soluções concretas. Essa agenda está estruturada em torno de seis eixos e 30 objetivos estratégicos que orientam a resposta global aos desafios impostos pela crise climática. Um desses eixos — Eixo 5: Desenvolvimento Humano e Social — inclui o Objetivo 16: promover sistemas de saúde resilientes diante dos impactos das mudanças climáticas.
Nesse contexto, o Plano de Ação em Saúde de Belém surgiu como um guarda-chuva para soluções de adaptação, abrangendo vigilância em saúde, inovação tecnológica e o fortalecimento de políticas multissetoriais.
O plano propõe um esforço coletivo global pela saúde. Busca a adoção voluntária pelas partes da UNFCCC e o endosso da sociedade civil e de atores não estatais.
Em sua essência, é um chamado à ação — um verdadeiro mutirão do setor de saúde para salvar vidas e garantir um futuro saudável para todos.
Princípios transversais
Equidade em Saúde e Justiça Climática
Propor medidas de adaptação que promovam a justiça climática, abordando as desigualdades (socioeconômicas, de gênero, raciais/étnicas, nutricionais e de acesso à saúde) agravadas pelas mudanças climáticas.
Liderança e Governança em Clima e Saúde com Participação Social
Promover a implementação de políticas de adaptação por meio da supervisão dos Ministérios da Saúde e garantir a participação plena e equitativa da sociedade civil.
Linhas de ação
- 1. Vigilância e Monitoramento: Fortalecer os sistemas de saúde para enfrentar as ameaças relacionadas ao clima.
- 2. Estratégia política baseada em evidências e capacitação: Acelerar a ação baseada em evidências por meio de ampla cooperação entre as partes interessadas.
- 3. Inovação e Produção: Promover a inovação para atender às necessidades de saúde em diversos contextos.
Objetivo principal
Fortalecer a adaptação e a resiliência do setor de saúde às mudanças climáticas, promovendo sistemas integrados de vigilância e monitoramento, acelerando os esforços de capacitação, promovendo a implementação de políticas participativas e baseadas em evidências e fomentando a inovação e a produção sustentável. Esses esforços devem ser guiados pela equidade, justiça climática e governança inclusiva com participação social ativa, garantindo que os sistemas de saúde estejam mais bem preparados para proteger populações diversas dos impactos climáticos imediatos e de longo prazo.
16 resultados (81 ações)
- Aprimorar a Vigilância em Saúde com Base em Informações Climáticas (10)
- Identificar uma Lista Prioritária de Riscos e Doenças Relacionados ao Clima (4)
- Aprimorar a Gestão de Riscos à Saúde em Eventos e Emergências Climáticas (5)
- Harmonizar os Conceitos de Adaptação Clima-Saúde (4)
- Promover Políticas Multissetoriais com Benefícios Colaterais para a Saúde (5)
- Integrar a Saúde Mental à Adaptação Climática no Setor da Saúde (8)
- Promover Políticas de Adaptação Sensíveis a Gênero, Crianças e Adolescentes (7)
- Desenvolver Políticas de Adaptação Inclusivas para Pessoas com Deficiência (4)
- Proteger e Promover a Saúde Ocupacional no Contexto das Mudanças Climáticas (8)
- Fortalecer a Força de Trabalho em Saúde para Enfrentar os Desafios das Mudanças Climáticas (3)
- Promover a Resiliência Comunitária às Mudanças Climáticas (3)
- Fortalecer a Infraestrutura e os Serviços Resilientes ao Clima (4)
- Avaliar e Inovar as Políticas de Adaptação no Setor da Saúde (5)
- Promover uma transição justa na adaptação do setor da saúde (2)
- Aprimorar a resiliência das cadeias de suprimentos da saúde (5)
- Strengthen Strategic Stockpiles and Equitable Access to Essential Health Products (4)
O Plano de Ação em Saúde de Belém foi apresentado no Dia da Saúde na COP30, dia 13 de novembro de 2025, no Pavilhão da Saúde – OMS em Belém – PA, Brasil.
- Diretor-geral da OMS – Tedros Adhanom
- Diretor da Opas – Jarbas Barbosa
- Ministro da Saúde do Brasil – Alexandre Padilha
- Ministros da Saúde das delegações presentes
O que o Brasil está fazendo?
No contexto da Política Nacional de Mudança do Clima e do Plano Clima 2024-2035 que conta com 7 dimensões de Mitigação; e 16 dimensões de Adaptação.
Dentre as 16 dimensões de adaptação, está o Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima – Saúde AdaptaSUS, também lançado na COP30.
Destaques
- Influência direta do Clima sobre a Saúde
- Extremos de temperatura – Calor
- Extremos de temperatura – Frio
- Inundações
- Seca e Estiagem
- Poluição Atmosférica
- Mudança do Perfil de doenças vetoriais e zoonóticas
- Insegurança Alimentar e Nutricional
- Acesso Inadequado à Água e Saneamento
Complexa rede causal associado às inequidades e vulnerabilidades que resulta em importantes riscos e impactos na mortalidade, morbidade, emergências e serviços de saúde.
OBJETIVO GERAL: estabelecer estratégias de adaptação na esfera Federal de gestão do SUS para reduzir os impactos das mudanças climáticas na saúde das pessoas e nos serviços de saúde e definir diretrizes para orientar a atuação das esferas estadual e municipal.
Eixos Centrais do AdaptaSUS
- Vigilância em Saúde: monitoramento, avaliação, alerta precoce e intervenção visando a redução da morbidade e mortalidade relacionada à mudança do clima.
- Promoção da Saúde: aumentar a conscientização sobre os impactos da mudança do clima e reduzir seus efeitos negativos.
- Atenção à Saúde: garantir o atendimento dos serviços de saúde, incluindo a preparação de infraestruturas e equipes resilientes para lidar com os efeitos negativos da mudança do clima.
- CT&I.
Eixos Transversais
- Insumos e Logística
- Financiamento
- Infraestrutura
- Força de Trabalho (ambientes e processos adequados; formação)
- Informação e Comunicação
Carta da Fiocruz para a COP30
‘A crise climática é antes de tudo uma crise de saúde’
Recomendações
- 1. Dar centralidade à saúde e suas determinações socioambientais na política climática;
- 2. Fortalecer a resiliência do SUS;
- 3. Construir e manter sistemas de monitoramento e alerta regionais;
- 4. Consolidar a governança global em saúde e clima;
- 5. Promover a justiça climática e socioambiental;
- 6. Adotar a agroecologia como caminho prioritário para garantir saúde, soberania e segurança alimentar e nutricional;
- 7. Ampliar a participação social e o diálogo de saberes;
- 8. Ampliar a cooperação nacional e internacional para o fortalecimento de redes de pesquisa e inovação para o clima, a biodiversidade, a poluição e seus impactos na saúde;
- 9. Transformar a comunicação e a popularização da ciência em instrumentos de mobilização;
- 10. Garantir financiamento climático para a saúde;
- 11. Valorizar os biomas como patrimônio da saúde e da vida.
Livro ‘Ambiente, Saúde e Sustentabilidade’
O livro Saúde, Ambiente e Sustentabilidade: Fundamentos, Bases Científicas e Práticas é uma coletânea abrangente e pioneira organizada por Guilherme Franco Netto e Juliana Wotzasek Rulli Villardi, reunindo 126 autores.
Estruturado em 45 capítulos distribuídos em quatro seções, o volume constitui uma obra de referência voltada à formação de estudantes, profissionais e gestores, ao propor uma visão integrada sobre os vínculos entre saúde, ambiente e sustentabilidade no contexto brasileiro e global.
O livro evidencia o papel estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS) como espaço de articulação entre conhecimento científico, políticas públicas e práticas sociais voltadas à promoção da saúde e da qualidade de vida
A primeira parte da obra, “Fundamentos: Energia, Vida, Crise Civilizatória e Planetária”, apresenta um percurso que vai das origens do universo e da vida na Terra até a crise civilizatória contemporânea, destacando a necessidade de uma abordagem transdisciplinar e crítica diante dos limites do modelo de desenvolvimento dominante.
Em seguida, a seção “Sustentabilidade” discute a saúde planetária e a participação do Brasil nas negociações internacionais de clima e desenvolvimento sustentável, incorporando debates sobre a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Já em “Saúde e Ambiente”, a coletânea consolida as bases teóricas e epistemológicas do campo, abordando desde as epistemologias do Sul até metodologias de vigilância, avaliação de risco e impacto à saúde
A última parte, “Campo de Práticas”, exemplifica a tradução desse conhecimento em políticas e ações concretas no SUS, incluindo capítulos sobre vigilância popular, saúde do trabalhador, poluição, mudanças climáticas, saneamento, agroecologia e territórios sustentáveis. O conjunto revela uma compreensão ampliada da determinação socioambiental da saúde e propõe novos referenciais para a construção de sociedades sustentáveis e resilientes.
Mais do que um compêndio técnico, o livro se afirma como um marco político-pedagógico na consolidação de uma ciência pública comprometida com o enfrentamento da crise planetária e a defesa da vida em todas as suas formas.
Guilherme Franco Netto é coordenador de Saúde e Ambiente da VPAAPS/Fiocruz.

















