COP30 para sempre

Os avanços, desafios e compromissos firmados na COP30 em Belém, que reforçam o papel do Brasil na agenda climática global

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Curupira, símbolo da COP30, no desfile de 7 de Setembro em Brasília
Curupira, símbolo da COP30 (foto de Ricardo Stuckert, PR)

Não estamos ganhando a luta contra o clima, mas estamos tentando; “… aqui em Belém, as Nações reunidas escolheram a solidariedade, a ciência, e uma visão econômica apoiada no senso comum da sociedade”. Estas foram as palavras proferidas pelo secretário de Mudança do Clima das Nações Unidas, Simon Stiell, no encerramento da COP30 em 22 de novembro, realizada em Belém do Pará.

A COP30 não ocorreu em um cenário geopolítico global favorável, especialmente diante das preocupações trazidas pelos conflitos mundiais hoje vivenciados. Nesse ambiente em que as grandes Nações pensam em se armar para se defenderem de ataques externos provocados por outros países, o aquecimento global não parece ser um inimigo tão poderoso.

Embora as evidências científicas em torno do aumento da temperatura do planeta se apresentem como uma nova frente de combate em prol do clima e da sobrevivência do planeta, exigindo mobilização e esforços imediatos de todos, as discussões para colocar um fim ao uso dos combustíveis fósseis parecem ter perdido o fôlego inicial com que surgiu no Acordo de Paris em 2015. No entanto, as discussões vêm sendo implementadas nas COPs que se seguiram, chegando-se na penúltima COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, a uma grande mobilização liderada pela ministra Marina Silva para o aumento do financiamento climático para adaptação dos países em desenvolvimento.

Na COP30 no Brasil houve importantes propostas inovadoras do governo brasileiro, como a criação do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre cuja sigla em inglês é TFFF, além da necessidade de elaboração de um “Mapa do Caminho” para a eliminação dos combustíveis fósseis. Apesar de o TFFF já contar com a contribuição de US$ 5 bilhões, os esforços para seu completo êxito, bem como das linhas do “Mapa do Caminho”, continuarão ao longo do próximo ano, ainda sob a coordenação do embaixador André Aranha Correa do Lago, até transmissão do cargo para o representante da Austrália, que deverá prosseguir com o trabalho na COP31, a ser realizada na Turquia.

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Segundo António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, a COP30 representou significativo esforço do governo brasileiro para o progresso na luta contra o aquecimento global demonstrando a importância do multilateralismo. Em suas palavras, “embora seja difícil alcançar um consenso de todos os países e esperar que a COP30 entregue tudo o que seja necessário, o importante é perseguir o objetivo de manter e aumentar a ambição e mobilização pelo clima e não desistir”.

Durante quase 3 semanas no mês de novembro, pessoas que nunca estiveram no Brasil viveram e tiveram a rica oportunidade de se aproximar da realidade amazônica, criando pontes para novos acordos e discussões para a próxima COP. A sociedade civil demonstrou sua força, assim como os povos originários e populações tradicionais apresentaram suas reivindicações num ambiente democrático e tropical como nunca houve nas conferências pretéritas.

Ao final, 29 textos foram aprovados com o consenso de 190 países, o financiamento para adaptação dos países em desenvolvimento deverá ser triplicado até 2035, a ideia de justiça climática em relação a gênero e transição justa também ganhou força pela primeira vez na COP30, além da criação de programa e um fundo de proteção a terras indígenas.

Os resultados positivos serão evidenciados ao longo dos próximos anos, mas talvez a principal conquista da COP30, além da implementação de um futuro mais promissor para o clima e para a humanidade, seja a de haver criado, de forma inédita, um mutirão global pelo clima, com o chamado de que todos somos indispensáveis nessa luta para sempre.

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