Copom: BC fez outra avaliação otimista

Dados mostram que a recuperação gradual da economia continua, não indicando a necessidade de novos estímulos monetários.

Opinião do Analista / 16:21 - 30 de out de 2020

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Nossa expectativa - O BC fez outra avaliação otimista. E nós estamos entre os otimistas. Esperamos que as taxas de juros permaneçam em 2% até julho do próximo ano. A taxa Selic deve se manter nessa zona expansionista (sendo negativa em termos reais) uma vez que a recuperação econômica é bastante gradual. Nesse cenário, há espaço limitado para pressões inflacionárias generalizadas. Concordamos que o atual aumento da inflação é temporário, derivado da maior demanda, moeda fraca e alta de preços no exterior. É por isso que estamos revisando nossa previsão de inflação para 2020 de 1,7% para 3,2%, mas mantendo o número de 2021 em 3,5%. É inconcebível que a inflação continue crescendo em ritmo tão elevado porque em certo ponto a receita limitará os ajustes posteriores. Vale lembrar que o auxílio emergencial foi reduzido pela metade para R$ 300 por mês e o mercado de trabalho ainda está depreciado, apesar da leve melhora recente.

Em relação à atividade econômica, os dados mostram que a recuperação gradual da economia continua, não indicando a necessidade de novos estímulos monetários. Além disso, os dados estão melhores do que o esperado, o que está fazendo o mercado melhorar a previsão do PIB para 2020 para a atual expectativa de -4,8%, a melhor entre as principais economias latino-americanas.

Vemos margem para aumento gradual das taxas de juros a partir de agosto do próximo ano, em tempos de recuperação econômica já em curso, não sendo necessário manter a taxa de juros na atual zona expansionista. Esperamos que a Selic termine 2021 em 3,75% e alcance o nível de equilíbrio nominal de 6,50% (que seria de 2,9% em termos reais) em novembro de 2022.

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Mitsubishi UFJ Financial Group, Inc. (MUFG)

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