Copom elevou Selic conforme o esperado por nós

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Entrada do Banco Central (foto de Marcello Casal Jr., ABr)
Entrada do Banco Central (foto de Marcello Casal Jr., ABr)

Somando-se a preocupação com a inflação e as expectativas, o comunicado tem leitura hawkish. Esperamos elevação de 75bps na próxima reunião do Copom.

Em sua 237ª reunião, o Copom elevou a taxa Selic em 75bps, conforme o esperado por nós. Também em linha com as expectativas, o comunicado tem tom hawkish.

Na avaliação do cenário externo, o Banco Central ressalta a elevação das taxas de juros longos nos países centrais, bem como expectativa de retomada ante o avanço da vacinação. Ao mesmo tempo, surge o questionamento em relação a trajetória da inflação nas principais economias do mundo e o impacto que esta tem sobre a reprecificação de ativos financeiros.

Em relação à atividade, nota-se preocupação com a possibilidade de que esta perda dinamismo em consequência das medidas de restrição impostas para conter o avanço da Covid, apesar das surpresas positivas recentes.

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Finalmente, sobre inflação realizada, o Comitê destaca a maior pressão no curto prazo advinda do preço das commodities e do câmbio desvalorizado. Ainda assim, o Copom mantém que “apesar da pressão inflacionária mais forte no de curto prazo se revelar mais forte e persistente que o esperado, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários”.

O Comitê mantém a avaliação de que as medidas de inflação subjacente estão em nível acima do compatível com o cumprimento da meta.

Sobre expectativas no cenário básico (juros Focus e câmbio partindo de R$/US$ 5,70 e evoluindo segundo PPC), o Copom vê inflação em 5% para 2021 e 3,45% para 2022 (ante 3,6% e 3,4% anteriormente, respectivamente). Este cenário supõe juros subindo para 4,50% em 2021 e 5,5% em 2022 (3,25% e 4,75% anteriormente). O comitê adiciona seu cenário para preços administrados, que avançam 9,5% em 2021 e 4,4% em 2022.

Nota-se evidente downplay na forma como o comitê encara os riscos para a inflação advindos de menor atividade econômica.

Em todo caso, a justificativa de elevação fica por conta do PIB forte na margem no final de 2020 e da elevação da inflação e das expectativas no horizonte relevante. Soma-se ainda que em 2021 o comitê vê como risco o fato das expectativas estarem próximas ao limite superior da meta.

Ademais, o comitê ressalta os benefícios de frontloading do ciclo e já elenca para a próxima reunião nova elevação da taxa de 0,75%.

Somando-se a preocupação com a inflação e as expectativas, o comunicado tem leitura hawkish. Esperamos elevação de 75bps na próxima reunião do Copom.

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Felipe Sichel

Estrategista-chefe do Banco Digital Modalmais

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