Copom inicia segunda reunião do ano para definir Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central começa hoje a segunda reunião do ano para definir a taxa básica de juros, a Selic. Amanhã, ao final do dia, após a segunda parte do encontro, o Copom anunciará a decisão. Com a alta da inflação nos últimos meses, a previsão das instituições financeiras, é de que a Selic deve subir de 2% ao ano para 2,5% ao ano. A expectativa de alta está no boletim Focus, pesquisa divulgada toda semana pelo BC. Para o final de 2021, o mercado prevê que a taxa estará em 4,5% ao ano.

Atualmente, a Selic está no seu menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.

Ela também é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Entretanto, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica. Entretanto, as taxas de juros do crédito não caem na mesma proporção da Selic, pois a Selic é apenas uma parte do custo do crédito.

O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

Para 2021, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,75% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,25% e o superior é 5,25%. Para 2022, a meta é 3,5%, também com intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Até alguns meses atrás, as instituições financeiras projetavam inflação abaixo do centro de meta. A situação, no entanto, mudou e os analistas consultados no boletim Focus agora projetam que a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminará o ano em 4,6%. Para 2022, a estimativa está em 3,5%.

Segundo João Beck, economista e sócio da BRA, apesar de não ser possível afirmar com certeza, há um consenso no mercado que espera uma elevação da taxa Selic em 0,5%. Isso ocorreria devido a algumas mudanças que ocorreram desde a última reunião do Copom e que podem motivar essa expectativa de alta.

“A alta do preço das commodities, alta da taxa de câmbio, piora do nosso quadro fiscal, tendo em vista a concessão de auxílios emergenciais sem contrapartidas fiscais relevantes e também o cenário externo menos favorável em razão da elevação das taxas de juros americanas podem contribuir para a decisão de elevar a Selic”, afirma Beck.

Ainda segundo o economista, será importante observar que tipo de sinalização pode vir em relação a futuras altas, principalmente em relação à estratégia de alta da taxa. “Precisamos observar se o Copom pode tomar um caminho de altas mais acentuadas por período curto ou altas graduais por períodos mais longos”, diz Beck. “O aumento da taxa de juros é sempre um remédio amargo que a economia necessita para frear a crescente expectativa de inflação”, diz.

Para Rossano Oltramari, sócio e estrategista da 051 Capital, caso o aumento da taxa Selic seja de 0,5%, haverá pouca interferência na vida do cidadão. “O mais importante é a tendência da curva de juros, o que vai acontecer daqui para frente. Se até o fim do ano chegarmos a 4,5% aí sim os brasileiros poderão sentir as mudanças no bolso”, comenta.

“Se o navio está andando muito devagar, o Banco Central tira o pé do freio para fazer com que ele ande mais rápido. Tira o pé do freio, reduz a taxa de juros e, consequentemente, o navio vai andar com mais velocidade. Se isso faz a inflação aumentar demais, é preciso pisar no freio novamente e uma das formas de fazer isso é aumentando a taxa Selic”, completa Rossano.

 

Com informações da Agência Brasil

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