Copom manteve a taxa de juros conforme expectativa do mercado

Esperamos pela ata da reunião a ser publicada na terça para uma maior discussão dos determinantes da decisão do comitê.

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O Copom manteve a taxa de juros inalterada em 2% na reunião de setembro, conforme expectativa nossa e do mercado.

Com este movimento, o Banco Central interrompe uma sequência de nove cortes consecutivos, sendo 250bps de redução da Selic desde o começo do ano.

Combinando as expectativas de inflação do comunicado e o reforço do forward guidance no final do comunicado, há evidência de espaço para condução de política low for longer. Evidentemente, o comunicado reforça a postura cautelosa em relação a qualquer ajuste futuro da taxa de juros e coloca novamente a relevância de manutenção do regime fiscal.

As expectativas de inflação divulgadas mostram no cenário híbrido (taxa de juros extraída do Relatório Focus e câmbio constante a R$/US$ 5,30) inflação de 2,1% em 2020, 2,9% em 2021 e 3,3% em 2022 (contra 1,9%, 3,0% e 3,4% no comunicado anterior, respectivamente). O cenário supõe juros finalizando 2020 em 2,0%, 2021 em 2,5% (3% anteriormente) e 2022 em 4,5% (5% anteriormente).

No cenário com taxas de juros constantes a 2,0%, e taxa de câmbio constante a R$/US$ 5,30 a expectativa de inflação está em 2,1% para 2020, 3,0% para 2021 e 3,8% para 2022 (contra 1,9%, 3% e 3,7% no comunicado anterior, respectivamente).

Nota-se que as projeções indicam espaço, ao menos teórico, para maior acomodação. Por outro lado, as discussões macroprudenciais impõem ritmo de cautela para ações futuras. Assim, a porta para futuros ajustes não está completamente fechada, mas há evidentes limitantes para novas atuações.

A discussão em torno da inflação reforça nossa percepção já exposta anteriormente de que o Banco Central permanece tranquilo em relação a aceleração de alimentos, julgando-as passageiras e acreditando que não impactarão nas medidas de núcleo no médio prazo.

Como contraponto, mantém-se a discussão de que os estímulos introduzidos em resposta a pandemia possam produzir trajetória de inflação acima do que é antecipado pelo mercado atualmente.

Há também menção ao risco fiscal em consequência da situação de crise e das perspectivas de abandono da agenda de reforma. Neste sentido, o comunicado reforçou a discussão em torno dos riscos à trajetória fiscal, o que por sua vez reflete em maior preocupação do Copom com este item para determinação da trajetória futura da taxa Selic ("políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país de forma prolongada, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco").

O comitê mantém a perspectiva de forward guidance, indicando que deve manter política monetária extremamente estiumlativa ("O Copom não pretende reduzir o grau de estímulo monetário") caso não haja alteração do atual regime fiscal (referência ao Teto de Gastos) e as expectativas de inflação de longo prazo permaneçam ancoradas.

Esperamos agora pela ata da reunião (a ser publicada na próxima terça-feira) para uma maior discussão dos determinantes da decisão do Copom.

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Felipe Sichel

Estrategista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br

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