Copom reduz taxa Selic para 12,25%

Como esperado pelo mercado, corte foi de 0,5 pp.

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Rapaz passando em frente à sede do Banco Central do Brasil (BCB)
Banco Central (foto de Lúcio Távora, Xinhua)

Depois de uma reunião de dois dias, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu nesta quarta-feira por reduzir em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros, a Selic, fixada agora em 12,25% a.a. A queda já era esperada pelo mercado. Esta é a terceira queda seguida da taxa. As próximas reuniões do Copom devem sustentar o mesmo patamar de queda, de acordo com nota emitida pelo BC.

Sobre o corte de 0,5 p.p, o Copom destacou que o ambiente externo mostra-se adverso, em função da elevação das taxas de juros de prazos mais longos nos Estados Unidos, da resiliência dos núcleos de inflação em níveis ainda elevados em diversos países e de novas tensões geopolíticas.

“Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. O Comitê avalia que o cenário exige atenção e cautela por parte de países emergentes”.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica segue consistente com o cenário de desaceleração da economia nos próximos trimestres antecipado pelo Copom. A inflação cheia ao consumidor manteve trajetória de desinflação, mas segue acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta de inflação, enquanto as medidas mais recentes de inflação subjacente ainda se situam acima da meta para a inflação.

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Expectativas de inflação

As expectativas de inflação para 2023, 2024 e 2025 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,6%, 3,9% e 3,5%, respectivamente. As projeções de inflação do Copom em seu cenário de referência situam-se em 4,7% em 2023, 3,6% em 2024 e 3,2% em 2025. As projeções para a inflação de preços administrados são de 9,3% em 2023, 5,0% em 2024 e 3,6% em 2025.

Segundo a economista da Bloomberg, Adriana Dupita: “como esperado, o BCB não mudou nem de ritmo nem de sinalização. A única mudança no comunicado foi a esperada menção à elevação dos yields americanos e às tensões geopolíticas, e a indicação de que isto pede uma especial cautela na política monetária. Este comentário abre espaço para que o BCB desvie do seu plano de cortar meio ponto a cada uma das próximas reuniões, caso o cenário internacional se deteriore.”

A redução da Selic foi vista pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) como uma medida positiva. Essa redução é considerada importante para o setor imobiliário e o acesso à moradia, uma vez que os juros altos podem impactar negativamente o custo dos financiamentos e, consequentemente, o acesso à habitação.

Imóveis (Foto: Aislan Loyola)
Imóveis (Foto: Aislan Loyola)

Para a Força Sindical a queda da taxa foi tímida. A entidade explica que os juros continuam em patamares proibitivos. “A taxa que agora é de 12,25% ainda inibe o consumo, trava o crédito e a geração de empregos. É uma queda insuficiente!”

A entidade finaliza, em nota, frisando que: “A queda da Taxa Selic está acontecendo de forma muito lenta com excesso de gradualismo conservador, o que irá prejudicar a economia neste final de ano”.

Cenários para inflação

O Comitê ressalta que, em seus cenários para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; e uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado.

Entre os riscos de baixa, ressaltam-se uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada; e os impactos do aperto monetário sincronizado sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.

O Comitê avalia que a conjuntura, em particular devido ao cenário internacional, é mais incerta do que o usual e exige cautela na condução da política monetária.

Tendo em conta a importância da execução das metas fiscais já estabelecidas para a ancoragem das expectativas de inflação e, consequentemente, para a condução da política monetária, o Comitê reafirma a importância da firme persecução dessas metas.

Considerando a evolução do processo de desinflação, os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 12,25% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano de 2024 e o de 2025. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, expectativas de inflação com reancoragem apenas parcial e um cenário global desafiador, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária. O Comitê reforça a necessidade de perseverar com uma política monetária contracionista até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.

Próximas reduções

Em se confirmando o cenário esperado, os membros do Comitê, unanimemente, anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário. O Comitê enfatiza que a magnitude total do ciclo de flexibilização ao longo do tempo dependerá da evolução da dinâmica inflacionária, em especial dos componentes mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica, das expectativas de inflação, em particular daquelas de maior prazo, de suas projeções de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.

Votaram por uma redução de 0,50 ponto percentual os seguintes membros do Comitê: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Ailton de Aquino Santos, Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, Gabriel Muricca Galípolo, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Renato Dias de Brito Gomes.

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