Corcunda

Continuando com a série de fatos pitorescos das crises financeiras do século XVIII, mostramos hoje a Bolha do Mississipi. Lembramos que qualquer semelhança com a atualidade não é mera coincidência, mas sim um alerta que os mais precavidos deveriam levar em consideração.
Em artigo no jornal Solidariedade Ibero-americana, Robert Ingraham narra o surgimento do banco Law & Company (posteriormente Banque Générale) e da Companhia das Índias, mais conhecida como Companhia do Mississipi. Os lançamentos de ações de ambos – fundados pelo escocês John Law – foram tão bem sucedidos que os aluguéis na vizinhança do estabelecimento bancário aumentaram 12 vezes. Investidores – duques, marqueses e condes – procuravam apartamentos próximos ao movimento. “Mesmo os que não estavam envolvidos diretamente na bolha acionária encontraram meios de arranjar dinheiro”, conta Ingraham. “Um sapateiro alugou sua banca por 200 luíses (equivalente a 200 francos atuais) diários; um corcunda cobrava para que os investidores usassem suas costas para assinar papéis”. Por que o banco foi tão bem sucedido? Os leitores podem especular; responderemos amanhã.

Mundo real
As novas rebeliões nos presídios paulistas e as explosões de violência em áreas carentes do estado dissiparam, antes mesmo da missa de sétimo dia de Mário Covas, a cortina cor de rosa com que a mídia “chapa branca” esforçou-se em colorir as conseqüências do desastroso ajuste fiscal promovido pelo tucano.

Miçangas
A informação de que os celulares pré-pagos já equivalem a 55% deste mercado vem ao encontro de uma inadimplência no setor que, em números conservadores, alcança R$ 1 bilhão. Ou seja, como em outros setores da modernidade tucana, é a soma do fetiche ao consumo com a ausência de lastro.

Integração
Os economistas brasileiros querem recuperar a influência perdida sobre o restante do continente. O Conselho Federal de Economia (Cofecon) assinou memorando para estreitar a cooperação com o Sistema Econômico Latino Americano (Sela), que existe há 25 anos e tem 28 estados de América Latina e Caribe. O presidente da Associação de Economistas da América Latina e do Caribe, Adhemar Mineiro, destacou a necessidade de “recuperar o tempo perdido”. “Até os anos 60 , o economista brasileiro teve grande influência em todo o continente, e depois se voltou para dentro do país”.

Gato
A Light decidiu homenagear seus clientes no Dia do Consumidor e entrega hoje, em comemoração que começa às 16h30, o prêmio “Cliente 200 mil/Pronai” (Programa de Normalização de Áreas Informais, ou seja, caça aos “gatos” na rede). Um morador do morro Vila Cruzeiro, no bairro da Penha, será o homenageado da festa, no Centro Cultural da empresa, e representará os mais de 200 mil consumidores que tiveram regularizado o fornecimento de energia elétrica pelo Pronai – felizes cidadãos que agora recebem conta de luz. Garante a companhia que “os canais abertos para uma comunicação direta com o consumidor contabilizam números que deixam a concessionária como a segunda melhor distribuidora do país”, sem explicar como chegou a essa conclusão nem qual seria a primeira. A central de atendimento da Light recebe em média 300 mil ligações por mês, a Ouvidoria atende mais de 6 mil solicitações por ano e a agência virtual trabalha mensalmente com cerca de 2 mil e-mails. O que pode parecer um sucesso na verdade pode ser reflexo do serviço rasteiro fornecido pela companhia.

Kandires
Das duas uma, ou presidente FH bota na rua metade da equipe econômica herdada do collorato, ou pára com este nhenhenhém de que a dívida provocada pela tunga na correção do FGTS não é responsabilidade do seu governo.

Blecaute
O lembrete é do vice-presidente da Coppe, professor Luiz Pinguelli Rosa: das 49 termoelétricas anunciadas pelo governo como alternativa para evitar um colapso de energia no país, apenas 14 saíram do papel. Deste total, 13 têm a Petrobras como locomotiva. Ou seja, a história de que a privatização faria jorrar investimentos para garantir a auto-suficiente energética, não passou disso, de história.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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