Coroinhas

Quando políticos como Serra e Dilma, cujas trajetórias públicas passaram a milhas do culto à batina, se curvam, contritos, a fundamentalistas religiosos, transformando a condenação ao aborto no mote inicial da campanha do segundo turno, o Brasil, independentemente do resultado do dia 31, dá passos largos na direção do atraso como nação laica. Numa nação com cerca de 190 milhões de habitantes e com disparidades sociais, econômicas e regionais desafiadoras, priorizar esse tipo de agenda é um insulto à inteligência e aos interesses da esmagadora maioria dos brasileiros. Ou então, que ambos se candidatem a coroinhas.

Nem o Macaco aguenta
A emergência do fundamentalismo religioso na carona da “onda Marina Silva” fez até o sempre irreverente José Simão, também conhecido como Macaco Tião, falar sério: “Essa discussão é medieval. O Brasil se transformou no Irã. No momentos em que os fundamentalistas pautam a eleição, o Brasil virou o Irã. Vamos acabar com essa hipocrisia”, criticou Simão.

Ideologia e negócios
Periodicamente, a empresa de consultoria em seguros Aon – multinacional norte-americana que figura entre as maiores do mundo – divulga o Mapa de Riscos Políticos. Para cada país, são definidos nove grupos distintos de riscos: guerra; problemas cambiais; Greves, terrorismo, distúrbios, agitação civil; não-pagamento de dívidas; aspectos regulatórios e legais; interferência política; vulnerabilidade na cadeia de suprimentos; comida; e água.
Na América do Sul, existem dois países “azuis” (risco baixo): Chile e Guiana Francesa. O Brasil está classificado como “bege” (entre baixo e médio risco), junto com… Colômbia (este mesmo com as Farc!).
O Brasil, segundo a multinacional, tem três riscos: greves, distúrbios etc.; aspectos regulatórios e legais; vulnerabilidade na cadeia de suprimentos. Só faltaram falar no risco barbudo.
Só um país aparece como “vermelho” (risco muito alto) na América do Sul. Alguém advinha qual? (Quem ainda assim quiser ver o mapa, deve ir a www.aon.com/risk-services/political-risk-map2/images/2010_PE_Ri sk_Map_low%20res.pdf)

Blá-blá-blá
Leitor da coluna lembra que, durante a campanha para a Prefeitura do Rio, em 2008, o então candidato Eduardo Paes (PMDB) reuniu-se com estudantes na PUC-RJ e prometeu meia passagem para os estudantes universitários: “Eu estava presente. Ele foi lá à PUC, sorriu, prometeu, falou ao microfone, e, agora, ignora solenemente os estudantes quando tentam reivindicar o que foi prometido e sequer responde aos pedidos de audiência para cobrar o que foi prometido”, critica o leitor, lembrando que a promessa teve forte impacto entre os universitários, inclusive, simpatizantes da candidatura de Fernando Gabeira (PV) naquela disputa.

Dia do Aviador
Estão abertas as inscrições para a Corrida Santos Dumont, que ocorrerá dia 17, domingo, como parte da comemoração do Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira. Os atletas percorrerão cinco quilômetros na orla de Copacabana. As inscrições poderão ser feitas no site www.ativo.com

Neo-Bird
O economista-chefe do Banco Mundia (Bird)l, o chinês Justin Yifu Lin, ressalta que a nova agenda de pesquisas do Bird, defendida por ele, aposta em uma abordagem neo-estruturalista (new structural economics) em contraponto à antiga abordagem estruturalista (old structural economics).

Só para os outros
Em Portugal, enquanto o governo, em consonância com as exigências de aperto fiscal do FMI e da União Européia (UE), reduz em 10% o salário nominal do funcionalismo, a Anacom – a Agência Nacional de Comunicação local – gastou 150 mil euros (cerca de R$ 350 mil) num jantar para comemorar os 20 anos da entidade e,  ao mesmo tempo, antecipar a celebração natalina. Pelo visto, e como sempre, em matéria de sacrifícios, cnocratas sem votos continuam a pregar que sacrifício só o dos outros.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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