Coronavírus afeta sistema de negócios no comércio exterior

Maior de produtos no mercado internacional vai pressionar para baixo os preços das commodities.

Negócios Internacionais / 17:47 - 2 de mar de 2020

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As companhias brasileiras que trabalham com comércio exterior estão na expectativa diante de um possível aumento de casos de coronavírus no país. Os contatos entre empresários nacionais e estrangeiros, em especial da China e demais países asiáticos, passará a ser feito mais via telefone, e-mail ou videoconferência do que pessoalmente.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirmou à Agência Brasil, que a China (país que concentra o maior número de casos e mortes por coronavírus) passará por uma grande reacomodação e isso causará um grande baque para as nações asiáticas, principalmente no que se refere a produtos novos, “porque eles não se vendem por fotografia”.

Castro informou que atualmente, “na medida do possível”, as empresas estão tentando exportar. “Infelizmente, hoje, o coronavírus é que está dizendo o que deve ser feito”. Não basta simplesmente a vontade de exportar ou importar, afirmou.

Castro esclareceu que uma oferta maior de produtos no mercado internacional vai pressionar para baixo os preços das commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado exterior) e os manufaturados vão ser afetados por conta da quantidade. “Como o Brasil não tem preço competitivo em manufaturados, a tendência é que seja afetado em função do coronavírus”, analisou.

A AEB está projetando queda nas importações porque a demanda do mercado interno deverá ficar abaixo do que se previa, diante de um crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB) – soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Também as exportações deverão cair porque esse novo vírus está espalhado pelo mundo, disse Castro.

 

Setor de TI registra falta de peças

Sondagem da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) verificou que 57% do setor eletroeletrônico já lida com a falta de peças importadas da China que são necessárias para a montagem de produtos. O que tem provocado o desabastecimento, segundo a associação, é a paralisação da produção dos artigos, em razão do surto do coronavírus, considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.

Segundo a Abinee, quem mais tem tido dificuldades para encontrar materiais, insumos e componentes são os fabricantes de celulares, computadores e demais produtos de tecnologia da informação. A Abinee ouviu cerca de 50 industriais, que apontaram o problema com mais ênfase do que no levantamento anterior, elaborado duas semanas antes, com o índice de 52% subindo cinco pontos percentuais.

A entidade esclarece que quase metade dos itens, 42%, é conseguida com fornecedores da China. Somente em 2019, o volume exportado do país asiático para o Brasil totalizou US$ 7,5 bilhões. Outros países do continente respondem por 38,3% desse tipo de provimento. O fornecimento da Ásia garante 80,5% das peças utilizadas pelo setor.

 

CNI: ICMS sobre exportações é retrocesso

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, afirma que ganhos de arrecadação seriam revertidos ou reduzidos pelos reflexos indiretos em outras bases tributárias. E destaca que “ao mesmo tempo em que Congresso Nacional, governo federal, estados, municípios e setores produtivos discutem projeto de reforma para promover o aperfeiçoamento do sistema tributário brasileiro, estão em tramitação no Legislativo federal propostas de emenda constitucional (PEC) prevendo o retorno da cobrança do ICMS sobre exportações. São movimentos totalmente contraditórios, que aumentam as incertezas dos investidores sobre o que esperar do futuro da nossa economia.

A PEC 42/2019, que tramita no Senado, e a 201/2019, em discussão na Câmara, restabelecem a incidência do ICMS sobre as exportações de produtos primários e semielaborados, além de serviços. Trata-se de um retrocesso inaceitável. Em vez da necessária aproximação com o padrão mundial de tributação, a aprovação de uma dessas proposições nos levaria de volta ao passado.” E acrescenta: “Mais precisamente ao período anterior a 1996, ano em que a Lei Kandir eliminou a tributação do ICMS sobre as vendas ao exterior de bens primários e semielaborados. Uma alíquota de 13% traria queda de 5% no total das vendas externas, com redução de R$ 43 bilhões anuais em valor exportado..”

Robson argumenta que “a indústria brasileira, além de enfrentar forte concorrência internacional, já é prejudicada por um cipoal de regras tributárias, que encarecem nossas exportações pela existência de resíduos tributários não compensáveis. Aumentar ainda mais os custos de exportação das empresas nacionais, com a incidência do ICMS, reduziria drasticamente a competitividade externa do país.

Se as exportações brasileiras pagarem tributos tanto aqui como nos países de destino, passarão a ser ainda menos competitivas, e perderemos vendas no exterior. As consequências de eventuais medidas do gênero serão sentidas por toda a população, dados os efeitos negativos sobre a economia. Ressalte-se que a queda das exportações levaria à redução da produção nas áreas afetadas e, como esses segmentos compram insumos e serviços dos demais setores, toda a economia seria prejudicada. Como exemplo, para exportarmos R$ 1 bilhão em minério de ferro, as empresas mineradoras realizam compras de insumos e serviços no valor de R$ 466 milhões.”

Finaliza, argumentando que “a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a incidência do ICMS com alíquota de 13% sobre as exportações de produtos primários e semielaborados provocaria uma queda de 5% no total de vendas externas do Brasil. Isso significa uma diminuição de R$ 43 bilhões anuais em valor exportado. Cinco anos depois, os efeitos diretos e na cadeia produtiva dos exportadores levariam à perda de 728 mil empregos e a um PIB R$ 59 bilhões menor.”

 

Delegação brasileira em missão para o México

Entre os dias 3 e 7 de março, um grupo com representantes de seis empresas brasileiras participa de uma missão a um destino repleto de oportunidades: o México. A viagem de negócios conta com agenda recheada de encontros junto a investidores locais e a participação na 43ª edição da Feira Internacional de Franquias (Feria Internacional de Franquicias). A ação é realizada pelo Franchising Brasil – resultado da parceria entre a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e a ABF (Associação Brasileira de Franchising).

O time brasileiro composto pela BIBI, Sobrancelhas Design, Sterna Café, Mr. Cheney, Maple Bear e Morana começa a jornada com uma programação de reuniões B2B e visitas técnicas que contam com apoio da Embaixada do Brasil no México. No dia 3 de março, as empresas visitam o shopping Centro Santa Fé, o escritório da Smart Fit no país e, também, fazem um kick-off meeting com a Asociación Mexicana de Franquicias.

 

Calçadistas em feira na Itália

Apesar do clima de incerteza gerado pelo coronavírus, a Micam Milano superou as expectativas da delegação brasileira que desembarcou em Milão, na Itália. As 76 marcas nacionais que participaram da mostra milanesa, entre os dias 16 e 19 de fevereiro, partiram para o Brasil com negócios na ordem de US$ 38,2 milhões – somados os pedidos fechados in loco e os negócios alinhavados durante o evento -, resultado 60% superior ao registrado na edição de fevereiro de 2019. A participação foi promovida pelo Brazilian Footwear, programa de apoio às exportações de calçados mantido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

A analista de Promoção Comercial da Abicalçados, Paola Pontin, ressalta que, assim como os negócios, o número de contatos teve incremento importante, de 15%. “Nossos expositores atenderam cerca de 2 mil contatos durante os quatro dias de feira, o que mostra o interesse dos visitantes e a assertividade das coleções brasileiras”, avalia Paola.

Cautelosa em função da situação mundial, a Savelli foi surpreendida pelo movimento e pelos negócios gerados pela feira. “Tradicionalmente esta edição de apresentação das coleções de Inverno não é tão positiva quanto a de Verão. Isto, somado ao medo gerado pelo coronavírus, fez com que viéssemos com as expectativas mais baixas, porém fomos surpreendidos positivamente pelo movimento da feira, que nos proporcionou tanto a manutenção de clientes quanto a abertura do mercado de Singapura e novos clientes na Austrália, Líbano, Argélia e Marrocos”, conta Bruna Pini, gerente de exportação da Savelli.

 

Exportações de carne suína crescem 41%

As exportações de carne suína do Brasil (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 68,5 mil toneladas em janeiro, segundo levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é 41% superior ao registrado no primeiro mês de 2019, quando foram embarcadas 48,5 mil toneladas. A receita das vendas foi de US$ 164,1 milhões, resultado 78,9% maior que saldo registrado em janeiro de 2019, com US$ 91,7 milhões.

A China se manteve como carro-chefe das exportações brasileiras. Destino de 30,6 mil toneladas (45% do total), o país asiático cresceu suas importações em 252% na comparação com o mesmo período do ano passado, com 8,7 mil toneladas. “A demanda chinesa se manteve elevada ao longo do mês de janeiro. É um fator importante no impulso das exportações brasileiras”, analisa Francisco Turra, presidente da ABPA.

 

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