Coronavírus: Brasil na rabeira do estímulo econômico

Enquanto Espanha e Reino Unido investem 17% do PIB, governo brasileiro se amarra em 2%

Enquanto a equipe econômica continua amarrada ao ajuste fiscal e faz barganha para liberar R$ 600 para os mais necessitados (a troca seria controlar integralmente o multibilionário “orçamento de guerra”, imagina-se com que intenção), os demais países vão apresentando programas ousados de apoio a trabalhadores e empresas, conscientes de que a crise social e econômica se agravará sem o Estado abrindo o cofre.

Cálculo do Observatório Fiscal, do Ibre/FGV, mostra um conjunto de medidas fiscais e parafiscais já anunciadas pela turma do Guedes que soma R$ 844 bilhões, valor correspondente a 11,6% do PIB. Mas os técnicos destacam que a ação de maior impacto é a redução de requerimento de capital dos bancos para ampliar a capacidade de crédito (R$ 672 bilhões). “Como essa medida não tem natureza fiscal, e o governo só deve participar dela na medida em que os bancos públicos forem mais arrojados, é importante avaliar o total das medidas excluindo essa ação”, acrescentam. Isso já leva a uma redução para 2,86%

Mas o percentual fica ainda menor ao levar em conta que boa parte das ações se referem a antecipações de despesa. Sobram então 2,05% do PIB. Veja na tabela:

Estímulo para reanimar a economia pós-Covid

País % do PIB
Espanha 17%
Reino Unido 17%
Alemanha 15,7%
França 13,1%
Peru 12%
EUA 6,3% *
Brasil 2,05%

* Pode chegar a 11,3%

Fonte: Ibre/FGV e jornais de economia. Elaboração da coluna

 

Riscos do seguro

Os seguros de responsabilidade civil de acidentes de trabalho serão os que sofrerão o maior impacto com a pandemia da Covid-19 no mercado segurador, de acordo com estudo feito pelo Insurance Informations Institute (III). Os hospitais serão bem atingidos. Em seguida, veremos os seguros por perdas financeiras ou comerciais, como não realização de eventos. As Olimpíadas são um bom exemplo.

Setores bem menos atingidos são os de seguros de bens, como automóveis. Pela menor quantidade de veículos nas ruas, certamente teremos queda nas taxas de sinistralidade nos próximos meses. O texto também fala de casos específicos, como o seguro de riscos cibernéticos. As pessoas trabalhando de casa talvez aumentem os sinistros em tal área.

O estudo, que avalia também a segurança das empresas resseguradoras, está disponível aqui.

 

Emergência

A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) publicou edital de processo seletivo supersimplificado, em caráter emergencial, para cadastro reserva de até 6 mil profissionais para atuarem temporariamente no enfrentamento à Covid-19 nos 40 hospitais universitários que integram a Rede Ebserh.

São 900 vagas para médicos, 1,4 mil para enfermeiros, 3 mil para técnicos em enfermagem, 500 para fisioterapeutas e 100 vagas para engenheiros (clínico e mecânico) e arquitetos, necessários para fazer as mudanças estruturais exigidas para a acomodação de pacientes infectados.

Os interessados devem se inscrever até a próxima segunda-feira (6) por meio deste link, onde está disponível o edital com todas as instruções e o formulário de inscrição. O resultado da seleção será divulgado no dia 8.

 

Tem dinheiro

O PL 875/2020, do senador Humberto Costa (PT-PE), autoriza o governo a utilizar recursos do superávit financeiro no Tesouro Nacional, que soma mais de R$ 1,3 trilhão, para reanimar a economia. É mentira que não haja fontes de recursos para pagar R$ 600 às pessoas de baixa renda.

 

Rápidas

A FGV Projetos, em parceria com o Ibeji, realizará a série “Digital Roundtable”, com eventos a distância sobre temas relacionados à atual crise provocada pela pandemia de Covid-19. O primeiro será nesta quinta, às 17h, tema “Mobilidade”, com Henrique Constantino, cofundador da Gol. Inscrições aqui *** A Associação Brasileira de Franchising (ABF) organiza uma série de mesas redondas virtuais sobre a crise do coronavírus. Nesta sexta, às 10h, é a vez de Julio Monteiro, CEO da Megamatte, Caito Maia, da Chilli Beans, e Raphael Chagas, da Uniko Consultoria. Inscrições aqui

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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