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sexta-feira, janeiro 15, 2021

Coronel tucano

O arrastado processo de cassação do mandato do deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC), apesar do volume de denúncias de que é alvo, revela mais sobre o caráter do governo FH que as racionalizações defensivas do presidente. Até os contínuos do Congresso comentam que a principal força de sustentação de Hildebrando estaria no governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL). Com o principal lastro da base de sustentação tucana assentada no coronelismo regional – basta comparar sua votação nesses rincões com a que obteve nos grandes centros urbanos modernos – qualquer ameaça ao reinado de chefes pefelistas ou peemedebistas é uma poda no galho no qual ainda se equilibra o tucanato sem voto.
Como refundador da República Velha, FH sem o apoio de caciques atrasados, tal qual os ocupantes alçados ao Catete pela política do café com leite, seria um mero sociólogo à procura de nova aposentadoria precoce para continuar freqüentando os salões.

Maquiagem
O IBGE poderia aproveitar as modificações que introduziu no cálculo do IPCA para dar nomes aos bois e abandonar sofismas. É inexplicável, por exemplo, continuar apelidando de tarifas públicas alguns dos principais formadores da taxa de inflação. Com energia elétrica, comunicações, gás e combustíveis privatizados e sem qualquer regulamentação, seria mais lógico chamar esse conjunto de preços de “custo privatização”, “tarifas privatizadas” ou algo semelhante.
Maquiagem II
O IBGE também poderia renomear o incrível item “ônibus a distância”, que contribuiu com 4,21% no IPCA de julho. Com esse nome e com os aumentos da gasolina superando os 60% apenas este ano, mais parece referência ao ponto que separa o salário do usuário e o lucro das empresas de ônibus.

Finanças
Empresários que tentam se manter atualizados com as constantes mudanças na economia devem ficar atentos aos cursos de aperfeiçoamento que o Instituto de Estudos Financeiros está oferecendo: “Gestão Financeira da pequena e média empresa”, que se realizará nos dias 17, 18, 19, 23 e 24 de agosto; e “Gerência de Custos”, nos dias 13, 14, 15 e 16 de setembro. Todas as aulas serão no período noturno.

Futuro
Para o economista Carlos Tadeu de Freitas, do Ibmec, o que leva os bancos privados nacionais e estrangeiros a privilegiarem os títulos públicos e a retraírem a oferta de crédito não é a inadimplência presente, mas a futura. Isto é, já sabem pelo contexto macroeconômico recessivo que vão ganhar calote mais tarde. Exemplo disso são os juros no mercado futuro, a 26% ao ano. “Os bancos fazem operação casada: pegam no curto prazo e emprestam no longo. Isso só vai melhorar daqui há alguns anos, talvez em 2001, 2002”, sinaliza.

Reforço
O governador do Rio, Anthony Garotinho, e o secretário nacional Antidrogas, Walter Maierovitch, assinaram ontem, no Palácio Guanabara, protocolo de intenções que prevê o repasse para o governo estadual de 50% dos valores arrecadados em leilões de bens móveis, como automóveis e motos, apreendidos com traficantes. O estado também receberá repasse de 60% das quantias apreendidas com traficantes. Os recursos deverão ser aplicados nas polícias Civil e Militar e no combate ao tráfico de drogas.

Cálculos
Um dia depois de o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylberzstajn, afirmar ser impossível estimar o aumento da produção de petróleo e quantificar a entrada em funcionamento dos novos postos para determinar o valor dos royalties que caberiam ao governo do Rio de Janeiro, o presidente da Petrobras, Henri Reischtul, deu a resposta. A produção de óleo, segundo ele, vai crescer 3,2% ao ano e chegar a 2,4 milhões de barris/dia em 2008.

Inventividade
Ah, se a imprensa “chapa branca” que trata o PDV do governo FH para os servidores como uma oportunidade ímpar de negócios tivesse o mesmo despreendimento na hora de coçar o próprio bolso para bancar as perdas com a desvalorização cambial. Nesse caso, o Proer do BNDES não passaria de uma quimera.

Atrás da notícia
A Associação dos Antigos Alunos da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro está fazendo um trabalho pouco valorizados na redações de hoje: apuração. Com 900 ex-alunos já cadastrados, a associação está pesquisando fichas e ligando para os ex-integrantes de todas as turmas da ECO. Segundo o presidente da associação, Sebastião Amoedo, o objetivo é cadastrar três mil ex-alunos.

Cautela
Projeto de lei incluindo a disciplina “Introdução à Comunicação de Massa” nos currículos do ensino básico e de segundo grau foi apresentado pelo senador Geraldo Cândido (PT-RJ). Os professores seriam jornalistas, publicitários, relações públicas e radialistas. Como a iniciativa, segundo o parlamentar, parte do princípio de que a mídia é fundamental para a compreensão da realidade, resta alertar para o fato de que a disciplina, se chegar às salas de aula, não pode se espelhar no trabalho da imprensa “chapa branca”, baseado na desinformação e na deformação.

Aduana
A Aduaneiras, especializada em comércio exterior, realiza, nos dias 19 e 20 de agosto, no Rio de Janeiro, o curso “Importação – Práticas e Normas Gerais”, ministrado pelo administrador de empresas e comércio exterior Selenir Martins. Entre os temas abordados, a classificação de mercadorias, Incoterms, afretamento, Siscomex, câmbio, transportes e seguros, drawback, barreiras à importação e acordos antidumping.

Paciência
Se a Prefeitura do Rio não pretende que as multas de trânsito funcionem apenas como uma máquina arrecadadora, deveria providenciar a sincronização dos sinais da cidade. É um verdadeiro teste de paciência andar de carro por algumas ruas, como a Praia do Flamengo, onde é quase impossível passar por dois sinais verdes seguidos, apesar de ser uma via de trânsito – teoricamente – rápido.

Racionamento
Moradores da Barra da Tijuca contestam as informações da Telemar de que milhares de linhas telefônicas já foram recuperadas e estão funcionado. Um usuário garante que, de cada 10 tentativas, só uma ligação é completada. Mas a alegria nesses raros momentos dura pouco: somente um minuto, duração máxima que se consegue antes da linha cair.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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