Corporações distribuíram 90% dos lucros de 2010 a 2019

Companhias que agora batem às portas de seus governos esvaziaram o caixa.

Internacional / 21:11 - 24 de set de 2020

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A última década foi o período mais lucrativo da história para as maiores corporações do mundo. As empresas da Global Fortune 500 aumentaram seus lucros em 156%, de US$ 820 bilhões em 2009 para US$ 2,1 trilhões em 2019. Mas estes resultados não fortaleceram as companhias. Entre 2010 e 2019, as empresas listadas no índice S&P 500 gastaram US$ 9,1 trilhões em pagamentos a seus acionistas ricos – o equivalente a mais de 90% de seus lucros no período.

O relatório “Poder, Lucros e a Pandemia”, da ONG britânica Oxfam, divulgado este mês, concluiu que as principais empresas do mundo usaram os quatro anos anteriores à Covid-19 para intensificar sua distribuição de lucros aos acionistas. O crescimento do lucro superou em muito o crescimento do PIB global, permitindo-lhes capturar uma porção cada vez maior do bolo econômico global.

Os lucros corporativos tampouco beneficiaram os governos, por exemplo, na forma de pagamentos de impostos. Embora as estimativas variem, a Oxfam estima que as perdas fiscais anuais totais resultantes da evasão fiscal corporativa podem chegar a US$ 500 bilhões por ano, incluindo US$ 200 bilhões em países de baixa renda que dependem particularmente de impostos corporativos para financiar serviços públicos.

Companhias que hoje pedem ajuda aos governos foram pegas com poucos recursos em caixa devido à política de distribuição exagerada. As empresas do setor de aviação dos EUA, que recebeu resgate de US$ 50 bilhões em dinheiro do contribuinte, gastaram quase a mesma quantia em pagamentos aos acionistas desde 2015.

Os pagamentos de dividendos por grandes corporações em países de baixa e média renda também aumentaram, ainda que em proporção menor. Entre 2016 e 2019, a alta foi de 58% (de US$ 88,7 bilhões para US$ 140 bilhões). A Oxfam cita que no Brasil os acionistas não precisam pagar nenhum imposto sobre os dividendos desde 1995.

A manutenção do pagamento de dividendos superou a preparação para uma crise iminente. Os pagamentos aumentaram 3,6% no mundo, para um recorde de US $ 275 bilhões no primeiro trimestre de 2020. As maiores empresas dos EUA gastaram quase US $ 200 bilhões em recompras de ações no mesmo período.

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